Fonte: OpenWeather

    ACNUR


    ONU e os refugiados e migrantes em Manaus

    Há menos de um ano atuando como chefe do escritório da ONU para Refugiados no Amazonas (ACNUR), Catalina Sampaio afirma que a entidade segue trabalhando para desenvolver parcerias com o objetivo de assegurar garantia de direitos de milhares de refugiados e migrantes em Manaus

    Catalina Sampaio é chefe da unidade Manaus do ACNUR, órgão ligado a ONU
    Catalina Sampaio é chefe da unidade Manaus do ACNUR, órgão ligado a ONU | Foto: Fabiane Morais

    Manaus - Há menos de um ano atuando como chefe do escritório da ONU para Refugiados no Amazonas (ACNUR), Catalina Sampaio afirma que a entidade segue trabalhando para desenvolver parcerias com a Prefeitura de Manaus, Governo Estado e Governo Federal, com o objetivo de assegurar a garantia de direitos de milhares de refugiados e migrantes que chegaram e ainda chegam à cidade.

    Catalina Sampaio
    Catalina Sampaio | Foto: Fabiane Morais

    A gestora da agência que cumpre o papel internacional de motivar a convivência pacífica dos refugiados no Brasil, Catalina, afirma que, apesar de muitos pontos de vista, a cidade tem acolhido de forma amistosa os refugiados. Nesta entrevista, a chefe do escritório da unidade do ACNUR Manaus diz que, atualmente, a cidade possui 1.139 refugiados distribuídos em oito abrigos, mas já tem aproximadamente 16 mil solicitações de refúgio, de acordo com o último balanço da Polícia Federal (PF). 

    Catalina Sampaio ao lado de crianças filhas de imigrantes refugiados
    Catalina Sampaio ao lado de crianças filhas de imigrantes refugiados | Foto: Fabiane Morais

    EM TEMPO - Quais os programas realizados pela ACNUR para o atendimento de venezuelanos e refugiados? 

    Catalina Sampaio - O trabalho do ACNUR tem como principal objetivo garantir a devida proteção a refugiados, solicitantes de refúgio, apátridas e pessoas que tiveram que se deslocar de maneira forçada de seu país. O propósito é garantir que essas pessoas tenham acesso a direitos básicos como qualquer outra pessoa, nacional ou estrangeira aqui no Brasil. A garantia de acesso a serviços é o nosso objetivo, e isso envolve documentação, saúde, educação, informação acurada, etc. Atuamos garantindo apoio aos abrigos do Estado, do município e da sociedade civil, por meio da entrega de itens de limpeza e higiene, e fornecendo assistência de proteção, garantindo que pessoas que foram vítimas de violência sexual baseada em gênero ou estejam em risco tenham uma resposta em menos de 72h. 

    Chefe da unidade Manaus do ACNUR, Catalina Sampaio
    Chefe da unidade Manaus do ACNUR, Catalina Sampaio | Foto: Fabiane Morais

    EM TEMPO - A senhora tem dados sobre a quantidade de refugiados em Manaus?

    CS- Segundo dados da Polícia Federal, cerca de 16 mil refugiados haviam solicitado formalmente refúgio no Brasil até abril de 2019. No país como um todo, foram mais de 115 mil solicitações formais de refúgio. Em Manaus, existem oito abrigos em funcionamento geridos pela sociedade civil, que ajudam a acomodar 1139 refugiados. 

    EM TEMPO - Há intenção de sugerir novas políticas públicas para eles?

    CS - O progresso no acesso à educação, saúde, bem como meios de subsistência e garantia de direitos tem efeito transformador e grande impacto na vida dos refugiados, sendo parte importante na nossa estratégia. Por esse motivo, o ACNUR vai seguir trabalhando para desenvolver parcerias com a Prefeitura, Estado e governo federal com o objetivo de assegurar a garantia de direitos de refugiados e migrantes que cheguem à cidade.  É muito importante também ressaltar o papel da sociedade civil como um todo nesse processo. O diálogo entre atores do setor público, terceiro setor e entes privados é muito importante para assegurar proteção e integração no contexto de emergência atual.  Um exemplo são os vários parceiros implementadores da ACNUR em Manaus, que desenvolvem atividades direto no campo com impacto diário, seja abrigando a comunidade refugiada, seja fornecendo ações de proteção e outros serviços importantes. 

    Catalina Sampaio é chefe da unidade Manaus da Acnur, órgão da ONU
    Catalina Sampaio é chefe da unidade Manaus da Acnur, órgão da ONU | Foto: Fabiane Morais

    EM TEMPO - No geral, o que os venezuelanos falam de Manaus? Desejam fazer moradia definitiva na capital ou retornar ao país de origem, se houver uma melhora econômica e política?

    CS - Embora existam diversos pontos de vista, a cidade geralmente tem acolhido de forma amistosa refugiados e migrantes. O que se busca quando se é forçado a deixar o seu país é um recomeço, uma oportunidade de começar uma nova vida, e por isso muitos veem no trânsito para outros centros uma oportunidade para prosperar.  Nós acreditamos que é possível estimular a convivência pacífica dos refugiados com a comunidade do Brasil, e para isso cooperamos com programas e atividades de integração da comunidade desenvolvidas com diversos parceiros, seja com cursos de facilitação para o idioma, ou na cocriação de espaços de educação e proteção em parceria com outras agências etc. 

    EM TEMPO - Como fica a questão da cidadania brasileira desses refugiados? 

    CS - O objetivo do ACNUR é garantir documentação para que os refugiados tenham acesso a seus direitos aqui em território nacional. As duas vias migratórias são a solicitação de refúgio e residência temporária, ambos serviços da Polícia Federal. O ACNUR apoia o órgão com estagiários desde o início de 2018. Com a Operação Acolhida novas informações serão repassadas pelos órgãos responsáveis em breve. É importante salientar que os status de refugiado ou residente temporário ou permanente não significa ter cidadania brasileira. Os venezuelanos podem manter sua cidadania venezuelana em ambos os casos.

    Comentários