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    Coronavírus


    Parlamentares do AM criticam pronunciamento de Bolsonaro

    A declaração do presidente foi duramente criticada no Estado, embora alguns parlamentares de base como Pablo Oliva tenha amenizado a postura presidencial sobre as medidas tomadas diante da pandemia de coronavírus

    No pronunciamento, Bolsonaro criticou mais uma uma vez, as recomendações de isolamento social. | Foto: Andre Coelho - Getty Images

    Manaus – O controverso pronunciamento do Presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), realizado na noite de ontem (24), em rede nacional, dividindo opiniões entre os parlamentares do Amazonas. Enquanto alguns políticos locais repudiaram o discurso do Presidente, que tratou novamente o vírus como uma “gripezinha”, os apoiadores do Bolsonaro amenizaram o tom usado no discurso.

    As medidas de isolamento social, adotas por Wilson Lima (PSC) e Arthur Neto (PSBD) e outros governadores do País, foram duramente criticadas por Bolsonaro. Os governantes alegam que seguem recomendações das agências de vigilância sanitárias e de saúde, para se evitar as principais formas de combate ao contágio do coronavírus.

    Nas redes sociais, a deputada estadual Mayara Pinheiro (Progressistas), que também é médica, lamentou a postura adotada pelo Presidente da República. A parlamentar classificou o pronunciamento como “irresponsável”, em meio a confirmação da primeira morte por Covid-19 no Estado. “Ontem, tivemos a triste notícia da primeira morte de um homem de 49 anos, causada pelo coronavírus no Amazonas. Em meio a isso, somos obrigados a ouvir o discurso irresponsável do Presidente. É lamentável tal postura, um tanto inconsequente. Precisamos construir medidas e políticas para evitar morte de tantos brasileiros sejam eles idosos, jovens ou crianças. Prevenção sempre foi e é o melhor remédio para qualquer mal, por isso, enalteço aqui a decisão do nosso governador por manter as restrições no comércio e do transporte intermunicipal. Tenho fé que o povo amazonense vai se manter sadio e as ‘medidas exageradas’ serão nosso motivo de honra para superar essa pandemia”, publicou Mayara.

    Assunto sério

    Já o deputado federal José Ricardo (PT), também endossou críticas as declarações do Bolsonaro diante da pandemia, que minimizou seus efeitos e questionou o isolamento social. “Questionar as medidas adotadas pelas autoridades de saúde, governos estaduais e municipais, como a paralisação das escolas e a quarentena, é colocar em risco a vida de milhões de brasileiros. Neste momento precisamos de ações de prevenção, que garantam emprego e renda à população, principalmente, aos mais pobres; renda mínima aos trabalhadores que estão na informalidade; seguro-desemprego para quem perder seu emprego. O Coronavírus está avançando no Amazonas, já tivemos a primeira morte. O assunto é sério, não é de brincadeira, não dá para aceitar que o Presidente da República haja dessa forma num momento crítico”, ressaltou o parlamentar. 

    Marcelo Ramos (PL) também criticou a contradição entre o Ministério da Saúde (MS) e o Presidente. Além de reforçar o acirramento, Ramos disse que o pronunciamento confunde a população sobre as recomendações. "Quando mais precisamos de um líder que no país, mais ouvimos um presidente que luta contra inimigos imaginários. O povo preocupado em salvar as pessoas e o Presidente preocupado em acirrar disputas políticas. Além disso, é angustiante Presidente contradizendo o ministro Mandetta. Isso confunde a população num momento que precisamos de segurança”, diz o deputado federal.

    Bolsonaristas

    O delegado Pablo Oliva (PSL), eleito sob a bandeira Bolsonarista, também se posicionou por meio do Facebook. O deputado foi mais brando quanto ao discurso presidencial, sugerindo que o governo federal libere mais recursos de FGTS e seguro desemprego à população, que pela crise será afetada com demissões. "O trabalho dignifica a pessoa. Contudo, em tempo de Coronavírus, a dignidade dos trabalhadores está sendo subtraída, junto com os rendimentos de suas famílias. Por esse motivo, o Governo Federal precisa socorrer os brasileiros, liberando recursos de FGTS e Seguro Desemprego para diminuir os prejuízos nesse momento tão sensível", comentou Pablo na postagem.

    Mesmo após a confirmação da Fundação de Vigilância Sanitária do Amazonas (FVS-AM), de que uma criança de dez anos, foi diagnosticada com Covid-19 no Estado, o deputado federal Alberto Neto (Republicanos), defendeu a estratégia de isolamento vertical.

    Assim como Bolsonaro, o deputado federal afirma ser necessário isolar apenas idosos e pessoas com doenças agravantes. “O que o presidente falou é que devemos mudar estratégia do isolamento horizontal, onde tudo está fechado, para aplicar o isolamento vertical, onde apenas idosos e as pessoas de risco, fiquem em isolamento especial. Dessa forma o restante da população tem que voltar a vida normal. Acredito que ele tem razão, precisamos encontrar o equilíbrio, o país não pode quebrar”, comentou Alberto Neto.

    “Precisamos adotar uma abertura progressiva do comércio e demais setores. Aos poucos veremos a população se movimentando. O governo precisa dar aporte aos grupos especiais, pois não vai conseguir dar um aporte a todo país. Sei que a preocupação sempre é com as vidas, mas que o prejuízo econômico pode matar mais do que o coronavírus”, conclui o parlamentar.

     

     

     

     

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