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    Decisão


    Colapso das UTIs pode agravar se Bolsonaro ‘apostar’ na economia

    O Presidente da República é um defensor do isolamento vertical, mesmo em meio a progressão da pandemia de coronavírus no País

    A taxa de letalidade, índice que relaciona os infectados e as mortes, é de 6,3% | Foto: divulgação

    Manaus – Em meio à progressão de infectados e mortos pela Covid-19 no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido), ainda mantém um “cabo de guerra” entre os poderes e instituições contrárias ao posicionamento de isolamento vertical, defendido por ele.

    Um estudo divulgado por especialistas médicos e físicos, apontou que no atual ritmo de evolução da pandemia, as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) disponíveis no país, não seriam capazes a partir desta terça-feira (21), de atender a demanda.

    Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (20), confia que esta seja a última semana de isolamento social. "Eu espero que essa seja a última semana dessa quarentena, dessa maneira de combater o vírus: todo mundo em casa. A massa não tem como ficar em casa, porque a geladeira está vazia. Inevitavelmente, 70% [da população] vai ser contaminada com o vírus”, declarou Jair Bolsonaro.

    Durante a posse do novo ministro da saúde Nelson Teich, Bolsonaro afirmou que “aposta” na abertura do comércio, para salvar a economia e caso a pandemia saia do controle pela medida, a responsabilidade será dele. "A história lá na frente vai nos julgar [ele e Mandetta]. Eu peço a Deus para que nós estejamos certos lá na frente. Então, essa briga de começar a abrir para o comércio é um risco que eu corro, porque, se agravar, vem para o meu colo", disse o presidente.

    O cientista político e sociólogo Carlos Santiago, afirmou que os pronunciamentos de Bolsonaro demonstram a sua retomada de popularidade, ofuscada pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta.  “Essa fala do presidente reflete muito bem o Brasil atual e, o perfil da classe política. Sendo o primeiro destaque, a falta de sintonia nos trabalhos entre governadores e autoridades públicas, que acabam prejudicando a efetividade das ações na área da saúde”, declara Santiago.

    Outro ponto analisado pelo especialista, diz respeito aos interesses dos políticos e grupos aliados, visando o fortalecimento de campanhas para 2022. “Quando o presidente contrariava o ex-ministro, ele queria na verdade desgasta-lo; pois nessa demissão Mandetta saiu fortalecido. O ex-ministro enquanto político e provável adversário para eleição presidencial, apresentava uma ameaça à popularidade de Bolsonaro, e o presidente ‘deu’ esse recado, não só para os seus seguidores, mas também para os eleitores”, analisou cientista político.

    Marcelo Ramos (PL) parlamentar centrista da bancada amazonense na Câmara Federal, comentou que no atual momento, o presidente não deveria estar preocupado com a posteridade histórica, e sim estar envolvido para apresentar soluções que preservem vidas no momento de pandemia. “O que está em jogo agora não é uma disputa de vaidades ou de julgamento histórico entre Bolsonaro e Mandetta. O que está em jogo na verdade, é a vida das pessoas e o presidente da República é a principal figura, que precisa ter responsabilidade com isso”, disse o parlamentar federal.

    Sobre o Estudo

    Segundo o estudo publicado no dia 3 de abril, pelo conjunto das universidades federais de Alagoas, Rio Grande do Norte, Maceió, ao Centro de Testagem e Acolhimento de HIV/AIDS de Itaberaba (BA); Escola Superior de Ciências da Saúde, em Brasília, as projeções não são animadoras.

    A amostragem apresentou aderência aos dados reais, como a evolução dos números de mortos, divulgada pelo Ministério da Saúde, que tem sido consistente com as previsões apontadas pela equipe e usadas como base para o cálculo da utilização dos leitos de UTI nos hospitais.

    Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já possui 2.575 mortes provocadas pelo coronavírus, com um total de 40.581 infectados. A taxa de letalidade, índice que relaciona os infectados e as mortes, é de 6,3%.

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