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    Eleições 2020


    Mulheres apostam em conquista de 50% das cadeiras na CMM

    Movimento de mulheres começam a ganhar espaços nos partidos em Manaus, em busca de representação na política

    Confiança vem sendo construída a medida que movimentos de mulheres se aproximam de partidos em Manaus | Foto: Amanda Dutra/PUC

    Manaus - A busca por igualdade de gênero nas eleições municipais deste ano, ou pelo menos para o crescimento da participação feminina na política, começa a ganhar um gás em meio as expectativas da realização do processo, principalmente na corrida pelas 41 vagas da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Diante do fim das coligações partidárias para a disputa proporcional, pré-candidatas a vereadoras de diversos partidos apostam até que possibilidade de alcançar 50% das cadeiras do Parlamento municipal.

    A advogada e servidora pública Wanessa Pacheco, que está filiada ao Partido Novo é uma das entusiastas desse sentimento de que a participação da mulher vai crescer. Ela diz acreditar que nas “grandes chances” da categoria de ocupar os espaços políticos, e, por suas qualidades, defende que as pré-candidatas podem sim conquistar 50% das cadeiras na CMM neste ano.

    Wanessa Pacheco, do Novo, é uma das entusiasta da conquista de 50% das vagas de na Câmara Municipal de Manaus
    Wanessa Pacheco, do Novo, é uma das entusiasta da conquista de 50% das vagas de na Câmara Municipal de Manaus | Foto: Divulgação

    “As mulheres são mais práticas, eficientes e tem um olhar mais sensível pelo outro. Inclusive, há estudos que dizem os países com menos corrupção, são liderados por mulheres. E agora, como não pode haver coligação na eleição proporcional e a obrigatoriedade de 30% de mulheres candidatas, a chance de uma mulher se sobressair no partido aumenta bastante”, ressalta Pacheco, estreante em eleições.

    A servidora pública e advogada conta que sempre foi envolvida com projetos e movimentos sociais voltados à causa feminina, desde a época do colégio. "Sou voluntária em várias causas sociais e participo de instituições sem fins lucrativos, além de ser embaixadora do projeto 'Vai ter Mulher Sim' e líder do 'Vamos Juntas na Política'. Sendo a única representante do Amazonas", explica.

    A produtora cultural Michelle Andrews, filiada ao Psol, conta que a pré-candidatura também surgiu dos movimentos sociais, que prezam pela igualdade de gênero e outras pautas progressistas. "Nós queremos fazer a política da vida real, ser um ponto de debate político que pensa uma cidade mais justa para as mulheres, LGBTs, negritude e as mães", diz.

    Michelle Andrews, do Psol, diz a pré-candidatura surgiu dos movimentos sociais, que prezam pela igualdade de gênero e outras pautas progressistas
    Michelle Andrews, do Psol, diz a pré-candidatura surgiu dos movimentos sociais, que prezam pela igualdade de gênero e outras pautas progressistas | Foto: Divulgação

    A baixa representatividade também levou partidos como o Psol a reunir coletivos de mulheres em vários espaços de atuação. Essas ramificações são responsáveis por defender pautas comuns entre as candidatas. Para a disputa das vagas na CMM. Michelle faz parte da “Mandata Coletiva”, composto por mulheres para pautar um programa municipal feminista em Manaus.

    Presidente do Podemos Mulher no Amazonas, professora Renata Moraes, observa que as mulheres em todo o mundo têm conquistado vez mais protagonismo na política. “A busca por espaços na sociedade e na política tem se intensificado mais. Nosso partido acompanha essa tendência e vai lançar duas candidaturas majoritárias femininas, em Japurá e Iranduba. No município de Apuí teremos uma vice; e em Manaus, 15 candidatas ao cargo de vereadoras”, afirma.

    A professora Renata Moraes, que defende mais adesão das mulheres nas prefeituras
    A professora Renata Moraes, que defende mais adesão das mulheres nas prefeituras | Foto: Divulgação

    Ações dos partidos

    A participação feminina é também apontada pelos homens dos partidos. O secretário geral do partido Avante, Wagno Oliveira, diz que a sigla lançará o total de 19 pré-candidatas à CMM, atendendo a proporcionalidade. “Temos uma grande confiança nesse time feminino. Não temos dúvidas que iremos eleger algumas dessas mulheres, por que o time está bem qualificado, tem propostas e nomes que vão garantir votos”, salienta.

    O presidente municipal do Democracia Cristã (DC), Sirlam Cohen, diz que em Manaus, a participação das mulheres no partido é muito representativa. “Não tivemos nenhuma dificuldade em alcançar os 30% de gênero que a lei obriga. E mais, teremos 25 pré-candidatas a vereadora, que fazem parte de vários segmentos da sociedade representadas por enfermeiras, pedagogas, professoras, policiais, ambientalistas e líderes comunitárias”, afirma.

    Pelo Partido dos Trabalhadores (PT), de acordo com o vice-presidente da legenda, Thiago Medeiros, a proposta é também ir para a corrida eleitoral deste ano pelas cadeiras da casa legislativa municipal, com 25 mulheres. “Nosso regimento interno prevê o preenchimento de 50% das vagas nas eleições para as filiadas. Mais do que a legislação obriga”, afirma.

    Observatório de candidaturas

    O Observatório Nacional de Candidaturas Femininas (ONCF), grupo de trabalho formado por advogadas de todo o Brasil, tem objetivo de capacitar, engajar e fomentar a participação das mulheres na Política. A Especialista em Direito Constitucional e Administrativo e coordenadora do ONCF no Amazonas, Aparecida Veras, afirma que a iniciativa visa aumentar o número de mulheres nos cargos eletivos, além de capacitá-las para a participação na política

    Especialista em Direito Constitucional e Administrativo e coordenadora do ONCF no Amazonas, Aparecida Veras, afirma que a iniciativa visa aumentar o número de mulheres nos cargos eletivos
    Especialista em Direito Constitucional e Administrativo e coordenadora do ONCF no Amazonas, Aparecida Veras, afirma que a iniciativa visa aumentar o número de mulheres nos cargos eletivos | Foto: Reprodução

    “O observatório também tem como função, fiscalizar a participação das mesmas e suas relações com seus partidos, durante todo o período eleitoral, no sentido de salvaguardar os direitos das candidatas, de forma a assegurar sua participação justa no pleito com efetiva possibilidade de eleição”, explica Aparecida.

    A coordenação Nacional do ONCF é exercida pela advogada Valéria Paes Landim, do Estado do Piauí, e no Amazonas quatro advogadas coordenam a iniciativa. Além de Aparecida Veras, o time segue forma pelas advogadas Anne Louise Ventura, Maria Benigno e Gláucia Soares.

    Perfil das candidatas no Amazonas

    Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2016, o último pleito municipal foi disputado por 9.590 mil candidatos em todo o Amazonas. Destes 3.007 eram mulheres, que representaram os 30% exigidos pelo TSE aos partidos políticos.

    Para as câmaras municipais, as mulheres preencheram 32% das vagas em disputa, com 2.926 candidatas em todo Estado e 443 em Manaus. Teve ainda 32 mulheres no páreo para as 61 vagas de prefeituras do interior, pois em Manaus não houve candidatas majoritárias de ponta, apenas duas para o cargo de vice. Já nos municípios do interior, 49 vices candidatas deixaram o nome à disposição dos eleitores.

    O perfil das candidaturas femininas foi traçado a partir do mesmo levantamento de 2016 do TSE, que aponta as seguintes características predominantes:  a maioria das mulheres possuí ensino médio completo, com faixa etária média de 40 anos, são solteiras e pardas. O total de 2.452 disputaram às vagas por meio de coligação partidária, sendo apenas 52 mulheres disputando reeleição. Em 2016, o partido que mais apresentou candidatas foi o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), com 237 filiadas. 

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