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    Impacto Covid-19


    Qual será o impacto político no mundo pós-pandemia?

    Especialista revela que embates entre potências mundiais podem resultar em benefícios econômicos para o Brasil

    Segundo Carlos, os desafios de articulação econômica entre países durante a pandemia desnudaram vários aspectos das estratégias do país oriental
    Segundo Carlos, os desafios de articulação econômica entre países durante a pandemia desnudaram vários aspectos das estratégias do país oriental | Foto: Divulgação

    Manaus - Em entrevista ao programa Papo Franco apresentado pela jornalista Tatiana Sobreira, o economista e analista político Carlos Barbieri comenta os impactos geopolíticos envolvendo as duas maiores potências mundiais: China e Estados Unidos e de que maneira eles podem acarretar benefícios à economia nacional. Barbieri é formado nas áreas de Direito e Economia, atuando como analista e palestrante. Possui mais de 60 cursos de especialização no Brasil e exterior Atualmente, diante da pandemia global do novo Coronavírus, as economias mundiais se veem em grandes dilemas e desafios, entre elas as duas maiores potências do globo China e Estados Unidos, que há anos têm disputado a soberania do comércio. 

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    Em Tempo: Onde o brasil se insere nas vantagens ocasionadas pela ruptura de blocos comerciais importantes como a China e Estados unidos?

    CB: Acredito que o Brasil é o maior beneficiado dessa crise, apesar de ainda não ter sido devidamente reconhecido pelos governantes do país. A pandemia está conduzindo um novo olhar a respeito da “permissão’” concedida a China de concentrar certas produções. O mundo se atentou para a falta de cuidado do país e com isso, se cobra uma nova dinâmica de relação e com o resto do mundo pois até então era impossível competir com a potência oriental.

    ET: Essa concentração se evidenciou de que maneira durante a pandemia?

    CB: A situação ficou mais nítida diante da necessidade de compra de equipamentos utilizados nos tratamentos dos infectados. A fabricação de ventiladores e respiradores mecânicos estava nas mãos do país, que não hesitou em aumentar preços e escolher a quem vender.

    ET Como o país conquistou tanto poder e influência?

    CB: Após o período da Guerra Fria, mundo passou a abrir suas perspectivas rumo à globalização, com isso, a polarização Estados Unidos x União Soviética, capitalismo x comunismo diminui, propiciando espaço para o desenvolvimento da China.

    ET Como funciona a relação econômica entre as duas potências?

    CB: Os Estados Unidos é o principal rival da China. Atuamente, o país norte-americano ocupa o posto de maior potência econômica mundial, possui cerca de 23% do PIB mundial, enquanto o país oriental concentra 16%. As duas nacionalidades têm tidos embates comerciais, com rompimentos de relações e fornecimentos. Com isso, aberturas comerciais no ramo tecnológico e agrícola surgem, dando espaço para o protagonismo do Brasil. Grande parte desses conflitos se dá, principalmente pela forma de direção do governo do presidente Donald Trump, que comanda seu país como fazia com sua empresa, sempre priorizando a rentabilidade e praticidade dos negócios.  Tal abordagem já se mostrou eficaz anos atrás, durante seu conflito com a Coreia do Norte, que ameaçava lançar bombas. Nessa situação, o americano revidou as ameças afirmando que faria o mesmo, e a partir disso foi estabelecida uma estabilidade provisória.  Durante a guerra comercial com a China, o país norte americano recolheu U$128 bilhões através de impostos, que resultou no enfraquecimento da economia, com a queda de 8% para 6% no crescimento porque o país teve subsidiar o produto para poder manter o preço.  Por isso, atualmente o país oriental abre mão de uma parte do mercado americano.

    ET Diante desse cenário, como o brasil pode se beneficiar?

    CB: Dado esse contexto de quebra de relações, os Estados Unidos possui um ‘vácuo’ de compras anuais de U$ 200 bilhões, por isso, precisam substituir os fornecedores de produtos industrializados que até então eram oriundos da China. As indústrias que estavam instaladas no país asiático estão migrando, pois pretendem evitar o estabelecimento de um oligopólio chinês. Preferem pagar mais do que entregar a soberania de produção. Perante a tais circunstâncias o Brasil, especialmente o Amazonas pode se beneficiar uma vez que possui capacidade de exportação. Atualmente, o Estado exporta para os estados nacionais, entretanto é capaz de ir além, de enviar produtos para o mundo todo, especialmente aos Estados Unidos tendo em vista a vantagem da proximidade geográfica, um parque industrial preparado e tem mão de obra qualificada. No que concerne a relação com a outra potência, o Brasil possui duas realidades que interessam a China: a produção agrícola e mineral, por isso, ela não abre mão das relações, mesmo de vá contra certas posições ideológicas. Nesse sentido, é bom lembrar que o país possui uma dinâmica muito pragmática, na qual prioriza as vantagens e deixa de lado os demais aspectos.Por isso, a economia asiática tende a continuar investido no Brasil- principalmente pela instabilidade de sua relação com os Estados Unidos- a preços cada vez mais altos e acima de tudo em dólar, que tem atingido recordes de preço durante a crise ocasionada pelo coronavírus. Á vista disso, acho que Manaus é o maior beneficiário porque está habituada com os processos de exportação. Com isso, a capital seria exemplo para o país inteiro, provando que é capaz de competir e produzir independente dos incentivos fiscais. 

    *Colaborou Tatiana Sobreira

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