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    indefinição de chapa


    Pré-candidatos fazem mistérios sobre os seus vice-prefeitos

    Em meio a um histórico desastroso com vices em Manaus, pré-candidatos buscam aliados com afinidade ideológica

    A escolha do vice precisa ser responsável, para que a campanha eleitoral não seja manchada | Foto: Reprodução

    Manaus - Apesar de não possuir muitas atribuições oficiais para o seu exercício, o nome dos vices são os mais esperados pelo eleitorado. A escolha de quem deve assumir tal posição nas chapas majoritárias exige grande movimentação política dos pré-candidatos ao cargo do executivo. Em Manaus, a maioria dos pré-candidatos ainda seguem na análise para escolherem seus parceiros de campanha, que devem ser anunciados até as convenções partidárias que começam no dia 31 de agosto e encerram no dia 16 de setembro.

    Mesmo sendo considerado um “cargo em espera”, a escolha de um vice-prefeito pode determinar os rumos políticos e administrativos de uma cidade, uma vez que ele pode assumir, se necessário, os comandos políticos no poder em questão. Nas eleições deste ano, o vice ganha novos contornos, uma vez que em 2020 não haverá reeleição, ou seja, o vice de hoje pode vir a ser o candidato à prefeito nas eleições municipais seguintes.

    David Almeida diz quer construir uma chapa em que o seu vice seja valorizado
    David Almeida diz quer construir uma chapa em que o seu vice seja valorizado | Foto: Reprodução

    Com o nome do vice previsto para ser anunciado somente na convenção partidária do Avante, marcada para o dia 8 de setembro, em modelo drive-in, no estacionamento do auditório Canaã, o ex-governador David Almeida (Avante) afirmou que segue conversando com outros partidos sobre o vice. Ele afirmou que quer um vice que caminhe ao seu lado caso seja eleito prefeito de Manaus.

    “O vice da chapa hoje, está em processo de maturação. Ainda não está batido o martelo. Estamos conversando com os partidos, dialogando sobre a cidade de Manaus, sobre um projeto de cidade para a população, por isso a confirmação só será feita no dia 8 de setembro. Na nossa chapa, o vice vai caminhar junto com o prefeito, vai ter o mesmo espaço. O vice, precisa ajudar o governante e aqui ele será valorizado, diferente dos velhos caciques que vem acumulando historicamente problema com seus vices”, contou.

    Com a convenção partidária marcada para o dia 12 de setembro, o pré-candidato a prefeito Romero Reis (Novo) informou por meio de sua assessoria que já definiu o nome para vice após um processo seletivo rigoroso imposto pelo partido e deve anunciar o parceiro de chapa na segunda-feira (24). Apesar das especulações, a assessoria informou ainda que o nome do advogado, Félix de Melo Ferreira, contado para ser vice de Romero, não integra o quadro de candidatos do Novo para as próximas eleições.

    Almejando uma mulher, Ricardo acredita que vice precisa ser transparente
    Almejando uma mulher, Ricardo acredita que vice precisa ser transparente | Foto: Reprodução

    Vices em análise

    Outro pré-candidato que segue analisando nomes, é o deputado estadual, José Ricardo (PT) que na última semana, manifestou seu desejo de ter uma mulher como sua vice. Segundo o petista o vice deve sair de um dos partidos do qual ele segue buscando firmar alianças políticas.

    “Ainda não foi definido, estamos conversando com o PSOL, PCdoB e a Rede para formar alianças e posteriormente definir um vice. Acredito que será alguém esteja em sintonia, defendendo as mesmas propostas para a cidade, acreditando em uma gestão transparente e que preste contas. Esperamos ter uma definição maior em breve”, disse.

    Buscando uma pessoa trabalhadora para compor sua chapa, o deputado estadual Alberto Neto (Republicanos) pretende definir seu vice junto aos diálogos com os partidos de direita e centro-direita como o PSL, PRTB, Patriota, DC, Cidadania e DEM, mas garantiu que ainda há tempo para realizar a escolha.

    “Ainda temos 26 dias até o fim das convenções, para o fechamento da chapa. Ainda não temos um nome definido, mas acreditamos que o vice precisa estar alinhado ao projeto que estamos construindo para administrar Manaus. Na nossa gestão, o vice-prefeito terá uma participação ativa, auxiliando o prefeito no que estiver ao seu alcance para entregar o melhor a nossa cidade”, argumentou.

    Nicolau acredita que o vice será fruto das alianças feitas na pré-campanha
    Nicolau acredita que o vice será fruto das alianças feitas na pré-campanha | Foto: Reprodução

    Passando pelo processo de formatação dos nomes para vice, o deputado estadual, Ricardo Nicolau (PSD) busca escolher um nome com base no fortalecimento das alianças firmadas durante a pré-campanha.

    “A definição de um nome para vice-prefeito não é uma tomada de decisão simples. Estamos em processo de fortalecimento das nossas alianças e dessa construção vamos definir um nome que venha contribuir com as nossas propostas e que venha efetivamente ajudar numa futura administração da cidade”, afirmou.

    Perda da posição majoritária

    A corrida eleitoral é marcada por reviravoltas nas candidaturas. Aqueles que eram as apostas dos partidos para candidatura majoritária, hoje podem ser facilmente colocados na posição de vice. É o caso, do advogado Marcelo Amil (PCdoB) que mesmo sendo um dos mais recentes filiados ao partido já era considerado o como o nome que seguiria como principal nome da chapa, no entanto o diretor estadual da sigla, ex-deputado Eron Bezerra, a sigla deve manter o nome do ex-deputado estadual Francisco Balieiro como candidato a prefeito que lançou sua pré-candidatura no mês de junho.

    “O PCdoB possui candidaturas próprias. Os pré-candidatos são o Balieiro e Marcelo Amil e a confirmação deles como candidato a prefeito e vice deve, respectivamente, ser feita durante as convenções”, garantiu.

    Conflitos entre vices

    Historicamente, a gestão da capital amazonense é marcada por conflitos entre prefeitos e seus vices. Em 2004, o ex-prefeito Serafim Correa (PSB) teve um relacionamento difícil com seu vice, na época, o vereador Mário Frota (PSB) que divergiam em relação aos secretários escolhidos por Serafim, para Mário os escolhidos não eram capacitados.

    A última divergência política, aconteceu entre o vice-prefeito Marcos Rotta (DEM) e o atual prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB) após Rotta declarar que o prefeito teria perdido a capacidade de gerenciar Manaus antes de anunciar que estava infectado com Covid-19.

    “O Arthur não tem mais paciência para gerir nada, para discutir sobre a cidade de Manaus e delega muitos poderes. Ele perdeu a capacidade de gerenciamento. Acho que ele deixou nas mãos de pessoas que têm vários interesses, menos a solução para os problemas”, declarou.

    Em seu primeiro mandato Arthur, também teve conflito com seu vice, Hissa Abrahão (PDT).

    Escolha responsável

    O vice tem muita importância política na formação de coligações e apoiadores e por esse motivo alguns nomes são escolhidos sem passar por uma análise rigorosa. No entanto, o cientista político, Carlos Santiago explicou importância de escolher um vice reconhecidamente competente, aliado e não divergente dos planos majoritários, uma vez que o nome escolhido poderá trazer reflexos positivos e negativos durante a campanha.

    “Atualmente os nomes que estão na disputa buscam escolher aqueles com quem tenham afinidade ideológica e administrativa, possuam um bom tempo de TV e que o partido do qual o vice faz parte tenha recursos para destinar a campanha eleitoral. No entanto, é importante que se escolha um candidato ético, em alguns casos, o candidato pode ter todos os requisitos acima e possuir uma trajetória política complicada fazendo com que o candidato fique manchado durante a corrida eleitoral e precise se explicar constantemente pelos erros passados do companheiro”, destacou.

    Santiago analisou ainda que mesmo um vice, oriundo de um partido político pequeno, que não tenha os requisitos visados pelos grandes nomes, pode ser uma das melhores apostas se possuir uma imagem respeitada e séria.

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