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    Eleições 2020


    Com esquerda e direita fragmentadas, centro pode sair na vantagem

    Sem bloco na esquerda e alianças na direita, definição de candidaturas são deixadas para último dia das convenções partidárias

    Pulverização das diretrizes é ferramenta para sobreviver as eleições, diz especialista
    Pulverização das diretrizes é ferramenta para sobreviver as eleições, diz especialista | Foto: Divulgação

    Manaus - A dois dias do prazo final das convenções partidárias que estão definindo os candidatos na disputa eleitoral para a Prefeitura de Manaus, deste ano, dos 20 nomes lançadas na disputa apenas cinco candidaturas foram confirmadas até está segunda-feira (14). As desistências e faltas de alianças são reflexos da fragmentação que assolou a direita e a esquerda nas eleições municipais. Para especialistas, a pulverização das duas alas mais tradicionais dará vantagem aos candidatos do centro.

    Com a divergência da esquerda, muitos partidos acabaram sendo frustrados, após não conseguirem consolidar um bloco de esquerda. O projeto político, era lançar uma candidatura para representar de forma integral à esquerda, e com o apoio de todos os partidos esquerdistas conquistar a vitória no pleito municipal.

    No entanto, após não chegarem a uma definição, os partidos se dividiram. O PSB e PDT decidiram apoiar a candidatura do pré-candidato a prefeito, Ricardo Nicolau. O PT e Psol seguiram juntos com candidatura encabeçada pelo deputado federal, José Ricardo. Já o PSTU e PcdoB apostaram candidaturas independentes, até o momento.

    Para Amil, formar um bloco de esquerda seria melhor opção para as eleições municipais
    Para Amil, formar um bloco de esquerda seria melhor opção para as eleições municipais | Foto: Divulgação

    Para o pré-candidato a prefeito, Marcelo Amil (PcdoB), formar um bloco com todas as siglas seria a melhor opção para fortalecer a esquerda durante as eleições. Contudo, com a desistência dos demais partidos, a alternativa da sigla foi apostar em uma candidatura majoritária, para não ficar de fora da corrida eleitoral.

    “Trabalhei com afinco para viabilizar esse bloco. Desde outubro do ano passado, até antes da pandemia houve cinco reuniões entre os partidos para discutir esse bloco. Reuni pessoalmente com Hissa, depois com Zé Ricardo, com o Psol, mas infelizmente PSB e PDT escolheram um caminho menos à esquerda e mais à amplitude. O Psol e PSTU lançaram candidaturas e isso deixou claro que a frente de esquerda havia se dissipado”, explicou.

    No decorrer das articulações de firmar o bloco de esquerda, o Psol que tinha como pré-candidato a prefeito desde o ano passado, o professor Jonas Araújo, mudou a aposta e lançou a candidatura do produtor audiovisual, Paulo Trindade. No entanto, ao manter o apoio à candidatura do deputado federal José Ricardo (PT), a legenda e emplacou o nome da assistente social Marklize Siqueira como vice da chapa.

    Sem um bloco de direita e siglas fragmentadas, José Ricardo confirmou sua candidatura com apoio do Psol
    Sem um bloco de direita e siglas fragmentadas, José Ricardo confirmou sua candidatura com apoio do Psol | Foto: Divulgação

    Já o presidente da sigla, professor Jonas Araújo acredita que a esquerda não está fragmentada. Para ele, o Psol irá enfrentar um processo eleitoral onde a legislação separou as alianças entre as candidaturas ao executivo e legislativo.

    "A legislação causou uma mudança significativa nas estratégias eleitorais de muitos partidos. Por exemplo, a direita vem para essas eleições com dez candidaturas à prefeitura, completamente fragmentada. Já a esquerda vem com 3 candidaturas ao executivo, tendo como candidatura mais forte a do José Ricardo e Marklize Siqueira", avaliou. 

    Independência

    A direita que optou por seguir independente na corrida pela cadeira do Executivo, hoje sofre com a dificuldade de firmar alianças e definir nomes para representação no pleito. Com apenas duas candidaturas confirmadas, Romero Reis e Chico Preto, as siglas podem seguir enfraquecidas na disputa deste ano como destacou o cientista político, Jack Serafim.

    “Dividir para multiplicar não existe na política. Uma direita dividida enfraquece substancialmente. Dificilmente os ditos candidatos de direita conseguirão êxito nessa conjuntura”, observou o especialista.

    Para Chico Preto, uma união da direita só deve acontecer quando os "surfistas eleitorais" abondarem a disputa
    Para Chico Preto, uma união da direita só deve acontecer quando os "surfistas eleitorais" abondarem a disputa | Foto: Divulgação

    O candidato a prefeito Chico Preto (DC) disse que a desunião entre os nomes da direita é natural e que não prejudica o cenário das eleições. Para ele, é questão de tempo para que os candidatos da diretriz política se organizem entre si.

    “Ao longo dos últimos anos, a direita e as pautas que ela carrega simplesmente foram excluídas do debate político, ressurgindo em 2018 com Jair Bolsonaro. Então, para mim, é natural que haja esse desentendimento agora. Aos poucos, a militância vai se organizar e os surfistas eleitorais vão inevitavelmente abandonar o barco. Só então poderemos pensar em uma unidade”, disse.

    Entre as siglas que pretendem deixar as confirmações de seus nomes para a quarta-feira (16), último dia das convenções, está o Patriotas com o pré-candidato Coronel Menezes, o Republicanos com o deputado federal, Alberto Neto e o PSL, que segue indeciso entre confirmar a candidatura da jornalista, Liliane Araújo ou apoiar outros nomes de outros partidos.  

    Cenário

    Para o cientista político, a polarização das diretrizes políticas está longe de ser considerada um mecanismo para conquistar o eleitorado amazonense. “Para eleger vereadores, entre outras ferramentas, é preciso que os partidos possuam o voto de legenda e ter um candidato majoritário ajuda nisso. Nesse caso, os partidos que não decidiram por uma coligação estão buscando sobreviver ao menos na disputa para vereador, para quem sabe emplacar alguns nomes na Câmara Municipal”, ressaltou Serafim.

    Jack avaliou, ainda, que com a estratégia de polarização da direita e esquerda, as candidaturas encabeçadas por membros do centro devem conquistar mais relevância nas eleições municipais. 

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