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    Com a Palavra


    'Próximo prefeito precisa modernizar a ZFM' diz Pauderney Avelino

    Além de chamar atenção para a defesa do modelo ZFM, o ex-deputado também afirma que gostaria que o Marcos Rotta (DEM) fosse o candidato do partido

    Com a Palavra - Pauderney Avelino | Foto: Lucas Silva
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    Eu queria que ele (Marcos Rotta) tivesse sido candidato a prefeito pelo DEM, mas ele não se sentiu suficientemente forte e disposto para concorrer na cabeça da chapa "

    Pauderney Avelino, ex-deputado federal, sobre o vice-prefeito Marcos Rotta

    Manaus – Engenheiro civil, empresário e ex-deputado federal, Pauderney Avelino atualmente é presidente estadual do Democratas (DEM), no Amazonas. Grande nome em Brasília, mesmo sem mandato, ele foi um dos maiores responsáveis pela articulação que levou o vice-prefeito de Manaus, Marcos Rotta (DEM), a fechar como candidato a vice, na chapa do candidato à Prefeitura de Manaus, David Almeida (Avante).

    Nascido no interior do Amazonas, no município de Eirunepé (a 1.160 quilômetros de Manaus), Pauderney se mudou para a capital na juventude, e em 1979 se formou em engenharia civil pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Ele foi professor no atual Instituto Federal do Amazonas (Ifam) e, após se tornar empresário, como um dos sócios-fundadores da Construtora Capital, resolveu ingressar na carreira política nos anos 1990.

    Hoje um grande influenciador em Brasília, Pauderney que já disse que vai mergulhar na campanha de David Almeida, neste ano, defende que o próximo prefeito da cidade precisa modernizar a Zona Franca de Manaus (ZFM). Como deputado, ele influenciou em um momento marcante na política brasileira, quando participou do movimento pela cassação do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e hoje ele analisa o quadro das eleições em Manaus. 

    Leia mais na entrevista exclusiva ao EM TEMPO:

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    Eu queria que ele (Marcos Rotta) tivesse sido candidato a prefeito pelo DEM, mas ele não se sentiu suficientemente forte e disposto para concorrer na cabeça da chapa "

    Pauderney Avelino, ex-deputado federal, sobre o vice-prefeito Marcos Rotta

    EM TEMPO – O senhor já foi eleito, mais de uma vez, como um dos cem parlamentares mais influentes do Brasil, segundo o Diap. Como fez uso dessa influência para auxiliar o Amazonas nos últimos anos?

    Pauderney Avelino – Trabalho em várias áreas, transferindo recursos para a construção de escolas e de hospitais, por exemplo. Além de várias ações políticas feitas ao longo do tempo, não só em Manaus, como também no interior do Amazonas. Mas acredito que o que mais me destaca é a luta em defesa pela ZFM.

    Estou no Congresso sempre trabalhando para que nosso modelo seja mantido e para que não corra riscos. Antes do problema surgir, nesse sentido, nós já interceptamos. Então, essa é minha principal característica, que funciona como uma espécie de radar contra as maldades em relação a Zona Franca.

    "Acredito que o que mais me destaca é a luta em defesa pela ZFM", diz Pauderney
    "Acredito que o que mais me destaca é a luta em defesa pela ZFM", diz Pauderney | Foto: Lucas Silva

    EM TEMPO – Como presidente do Democratas (DEM), seu partido optou por lançar o nome do vice-prefeito Marcos Rotta para as eleições municipais de 2020. Contudo, agora ele apareceu como vice do candidato David Almeida (Avante). Porque essa mudança?

    Pauderney Avelino – O vice-prefeito Marcos Rotta teve total liberdade para decidir o que fazer. Eu queria que ele tivesse sido candidato a prefeito, mas ele não se sentiu suficientemente forte e disposto para concorrer na cabeça da chapa, então optamos por ele ser novamente vice. Acabou que recaiu sobre o David Almeida. A escolha foi conjunta, mas ele tinha já uma preferência pelo David.

    EM TEMPO – Dentro da política amazonense, qual sua relação com o candidato David Almeida e por que o senhor acredita que ele é um bom nome para a Prefeitura de Manaus?

    Pauderney Avelino – Conheço o David desde que ele entrou na política, ele também se elegeu deputado estadual nos anos 90, se não me engano. Além disso, foi presidente da Assembleia Legislativa de 2017 a 2018 e esteve, durante quatro meses, como governador interino do Estado. Enfim, criou e construiu um nome para si e agora está aí disparado nas pesquisas, como estamos vendo.

    Mas não temos um contato tão próximo, pois sou deputado federal e ele estadual, mas sempre buscávamos conversar. Dessa vez não foi diferente, já estava conversando com o Rotta e também buscamos conversar com o David. Discutimos nossos projetos e propostas para a cidade e acabamos optando por caminhar juntos.

    EM TEMPO – Na última eleição para o Governo do Amazonas, o senhor apoiou o candidato Amazonino Mendes (Podemos), no segundo turno. Entretanto, no governo de Wilson Lima (PSC), o senhor se tornou secretário especial e, nessa eleição municipal, está apoiando o candidato David. A sua relação com Amazonino está estremecida? 

    Pauderney Avelino – Eu conversei bastante com o David e também com o Amazonino, Arthur Virgílio, Alfredo Nascimento, enfim conversei com vários políticos. Quando o Rotta entendeu que seria melhor entrar na disputa como candidato à vice, é óbvio que conversei com todo mundo.

    E o fato de eu ter ido para a Secretaria Especial, na representação do Amazonas em São Paulo, foi muito mais para suprir uma lacuna para ajudar o Estado. E foi o que eu fiz. Eu consegui, inclusive, ao longo desses dez meses que fiquei no Governo, viabilizar a criação de um polo de microeletrônica aqui no Amazonas. Isso significa nosso estado vai passar a produzir Chips. Quem sabe até ano que vem esteja pronto, porque a pandemia atrapalhou um pouco.

    EM TEMPO – Recentemente o senhor pediu exoneração do seu cargo de secretário no governo de Wilson Lima. Qual o motivo da decisão? O senhor está focado nas eleições municipais?

    Pauderney Avelino – Eu tive a decência de conversar com o governador Wilson Lima para lhe explicar que era incompatível eu continuar no Governo e vir aqui para a capital ajudar na campanha. Eu estava no governo em São Paulo e viria trabalhar aqui em Manaus na campanha, então obviamente agradeci e pedi exoneração do cargo. Faz parte da minha forma de agir.

    "Agradeci e pedi exoneração do cargo", conta o ex-deputado
    "Agradeci e pedi exoneração do cargo", conta o ex-deputado | Foto: Lucas Silva

    EM TEMPO – O senhor é um defensor aguerrido dos interesses da Zona Franca de Manaus (ZFM). Atualmente, quais o senhor acredita serem os maiores desafios para o próximo prefeito da capital, em relação ao modelo?

    Pauderney Avelino – Acho que o maior desafio é o prefeito da capital construir uma infraestrutura moderna para as empresas do Distrito Industrial de Manaus. Infelizmente, nós não temos isso até hoje. Nós não temos uma rede de fibra ótica adequada, não temos um sistema de logística que venha a reduzir o custo para o transporte, tanto de fora de Manaus, quanto de Manaus para fora.

    Nós precisamos que o prefeito de Manaus entenda que o nosso modelo é central na economia do estado e que ele tenha uma boa relação com a bancada federal para interagir, evitando problemas para a ZFM. É preciso sempre lembrar que não temos nenhum projeto a altura que venha substituir a ZFM. Isso sem falar na questão ambiental, onde nós temos a preservação da floresta enquanto vemos o modelo gerar riqueza dentro da cidade.

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    Acho que a ZFM merece alguém que realmente a conheça e o ex-superintendente da Suframa não conhece nada "

    Pauderney Avelino, ex-deputado federal, sobre a gestão do Coronel Menezes (Patriota)

    EM TEMPO – Entre os parlamentares do Amazonas, o senhor era um dos nomes para ocupar o cargo de superintendente da Suframa. Todavia, o candidato Alfredo Menezes (Patriota) acabou sendo o escolhido. Como o senhor caracteriza a gestão dele?

    Pauderney Avelino – Na realidade, os parlamentares conversaram comigo sobre essa questão e acabaram fazendo uma carta para o Presidente da República para indicar meu nome. Contudo, nunca participei disso e nem disse para ninguém que aceitaria o cargo se realmente me fosse oferecido.

    Acho que a ZFM merece alguém que realmente a conheça e o ex-superintendente da Suframa não conhece nada. Aliás, só criou inimizades por onde passou. A impressão que tenho, olhando a distância, por que nunca tive contato com ele, é que - por onde ele andou - ficou falando mal das pessoas, criando atrito com todos. Isso gerou, inclusive, um atrito maior entre a bancada do Amazonas e o Congresso Nacional e ele acabou sendo demitido do cargo.

    EM TEMPO - Quais são as principais discussões que devem receber atenção do próximo prefeito de Manaus? O que a população está exigindo?  

    Pauderney Avelino – A população precisa de ruas asfaltadas, limpeza das mesmas, calçadas bem-feitas, um transporte público seguro. É inadmissível que uma capital importante como Manaus não tenha ônibus mais modernos até hoje. É preciso instalar aqui um sistema de transporte de ônibus mais rápido, como vemos em várias capitais do Brasil. Também um melhor sistema de saúde, que atenda os anseios do povo. Além de um sistema de educação básica feito com atenção. Essas coisas todas, um prefeito pode fazer e pode ajudar a cidade.

    Agora uma coisa importante é que Manaus é a porta de entrado para o Turismo na Amazônia e não vejo os candidatos falando disso. Nós precisamos preparar nossa capital para o turismo, porque sabemos que pessoas de fora vem para cá e já vão direto para os hotéis de selva, não buscam realmente conhecer Manaus. É preciso melhorar a infraestrutura da cidade como um todo, mas também de nossos pontos turísticos. A cidade precisa de atrativos.

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