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    Expectativa


    Nem novo, nem velho, eleitor deve apostar em gestão para pleito 2020

    Apesar dos candidatos dispararem discursos de inovação e experiência, especialistas acreditam que gestão e transparência são fatores que devem eleger o próximo prefeito de Manaus

    Com 11 nomes definidos para o pleito municipal, campanha deve ter alta competitividade
    Com 11 nomes definidos para o pleito municipal, campanha deve ter alta competitividade | Foto: Divulgação

    Manaus – As convenções partidárias, encerradas na semana passada, definiram 11 candidatos que vão disputar o cargo mais alto do Executivo em Manaus. Com a definição dos prefeituráveis, discursos “inovadores” e “experientes” se tornaram a principal estratégia para conquistar o voto do eleitorado. No entanto, especialistas destacam que gestão e transparência são fatores que devem eleger o próximo prefeito da capital.

    Diferente dos pleitos municipais anteriores, a campanha eleitoral, prevista para iniciar a partir do dia 27 de setembro, será marcada pela competitividade entre as chapas encabeçadas por: David Almeida (Avante), Ricardo Nicolau (PSD), José Ricardo (PT), Alberto Neto (Republicanos), Chico Preto (DC), Alfredo Nascimento (PL), Marcelo Amil (PCdoB), Coronel Menezes (Patriotas), Romero Reis (Novo), Gilberto Vasconcelos (PSTU) e Amazonino Mendes (Podemos). Apesar de ser realizada em um cenário atípico, o discurso do “novo e do velho” ainda se mantém ativo nas eleições deste ano.

    Para o consultor de marketing político, Jeferson Coronel, o meio digital e as redes sociais fazem com que o eleitor fique mais antenado nos candidatos, o desejo da população é apostar em um nome que conquiste pela confiança, deixando de lado a criação de um personagem.

    “Acabou a era de vender uma imagem do político, aquela coisa de criar um personagem encantador. O eleitor hoje quer olhar para o sujeito e confiar, acreditar nele. Estamos na era do parecer e ser. Agora é o povo, são as pessoas que decidem aqui do lado de fora. E isso é bom, é praticamente uma revolução que ainda nem terminou”, disse.

     A ativista política Georgia Portela Araújo afirmou que gestão, experiência e estratégia são complementares, no entanto atribui um grau de prioridade e afirma que “a gestão é mais importante porque influencia diretamente nos resultados, mas é preciso articulação para atender minimamente os anseios das diversas forças envolvidas, parlamento, grupos políticos, instituições, sociedade, sem comprometer a gestão. E a experiência pode ajudar no sentido de saber lidar com essas questões mais facilmente. Gestão, articulação, experiência, esse é o ranking, segundo ela.

     Os candidatos deverão adequar os atos de campanha a este novo momento, em que o país ainda luta contra um vírus que vitimou milhões de pessoas, o que se configura um desafio.

     Para boa parte da população, a experiência vai facilitar uma boa gestão e a articulação é fundamental para isso.

    O cientista político Helso do Carmo destaca que o Brasil vive uma espécie de presidencialismo de coalizão. “O governador precisa do apoio da assembleia legislativa, o presidente precisa do congresso. Senão ninguém governa direito”, expõe. Nesse sentido, a articulação política é primordial para 'costurar' os interesses envolvidos. “Uma forte articulação política favorece o mais inexperiente. E, o mais experiente se dissolve em pouco tempo se esta faltar”, afirma Márcio Araújo, cientista político, citando o exemplo da eleição do atual Presidente da República. “Seja no legislativo ou no executivo, não estar isolado é fundamental”, destaca.

     Ainda que se destaque a força desse atributo, há eleitores que veem a articulação política na perspectiva de o candidato estar somente voltado para seus próprios interesses, em detrimento dos interesses da população. O estudante Diego Almeida assegura que “para os nossos governantes, o que vale mais hoje em dia é a articulação, porque antes de haver votação, eles passam anos arquitetando, articulando sobre seus interesses próprios”.

    Ação e discurso

     Hannah Arendt, em 'A Condição Humana' destaca a relação entre a ação e o discurso e afirma que essa relação expressa quem a pessoa é. O velho discurso do "novo" já não conquista mais votos, assim como a confiança não é mais depositada em estruturas engessadas. Os olhos de todos estão atentos para os novos rumos da política.

     Advogado e consultor jurídico, o Dr. Luis Euclides Braga Araújo também aposta na gestão como a mais importante. característica de um candidato. E explica que, “ao longo dos tempos, o que mais vimos foram políticos experientes envolvidos em escândalos de roubos. Articulação sem gestão é o caminho para o "toma aqui uma grana e facilita tal coisa”. E finaliza: “a articulação só serve para montagem de esquema com pessoas já viciadas”.

     Mas é necessário repensar esses atributos.  Márcio Araújo, cientista político, alerta que a gestão é prioritariamente privada. “Transferir o discurso da gestão para o tratamento da coisa pública, para o debate público, é reduzir a Política à simples votação e gestão de recursos”, destaca.

    Especialistas são unânimes em apontar que a nova política traz um caminho sem volta. O gestor público precisa compreender como funciona essa nova ética. "Entender que o povo participa das decisões e nutre expectativas. Candidatos coerentes, com currículos éticos e que apresentem modelo de gestão voltado à transformação digital, sustentabilidade, projetos inovadores, bioeconomia, e que primem pela transparência. Não deve ser escolhido nem o novo, nem o velho, mas o que tem currículo e proposta", finaliza Geórgia Portela. 

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