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    Com a palavra


    'Eu sou a deputada das mulheres no Amazonas', diz Alessandra Campêlo

    A vice-presidente da Assembleia Legislativa assume a representação de pautas sociais e femininas que buscam levar serviços de qualidade para a população

    A deputada tem recebido destaque por projetos de políticas públicas para mulheres, vítimas de violência no Amazonas
    A deputada tem recebido destaque por projetos de políticas públicas para mulheres, vítimas de violência no Amazonas | Foto: Divulgação

    Manaus - Vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), desde fevereiro de 2019, a deputada estadual Alessandra Campêlo (MDB) tem assumido, neste ano, a linha de frente na representação do parlamento estadual, com pautas sociais que buscam levar serviços de qualidade para a população. 

    A deputada que se formou como jornalista pela Ufam, cresceu politicamente no antigo PMBD, hoje MDB, e tem se destacado em projetos de políticas públicas para mulheres, vítimas de violência no Amazonas e na defesa do combate a corrupção e golpes políticos. 

    Alessandra, que chegou a ser a única mulher em um parlamento de 24 deputados, hoje divide o discurso pela causa feminina com mais três deputadas. Deste modo, tem se fortalecido como a parlamentar que mais aprovou leis voltados a causas femininas no Estado na história do parlamento. 

    EM TEMPO - Atualmente a senhora defende projetos para mulheres vítimas de violência. Esse sempre foi seu objetivo ao ingressar na política?

    Alessandra Campêlo - Na verdade, quando eu entrei na política, em 2014, eu fui a única parlamentar eleita. Eram 23 homens na Assembleia e apenas eu como deputada. Então, naquele momento, eu era a única voz das mulheres. A defesa das mulheres é um dos carros-chefes do meu mandato, com projetos não só ao combate a violência, mas a luta por igualdade salarial, participação feminina na política e a ocupação dos cargos de chefia. Então, a minha luta não é só pelo combate à violência contra mulher, porque eu acredito que esse é direito básico do ser humano. Nós temos o direito de andar na rua e ser apenas uma pessoa andando na rua e não uma “mulher sozinha andando na rua”, terminar um relacionamentos sem ter medo de ser assassinada. É uma luta que ainda vai demorar, mas precisa ser feita. Eu sou a deputada das mulheres no Amazonas, a parlamentar que mais trabalha pelas mulheres do Estado, mas isso não me impede de apresentar projetos em outras áreas, como fiz para a saúde, pessoa idosa, educação e segurança pública, defendendo o atendimento de qualidade a população.

    EM TEMPO – A senhora também tem direcionado discursos para profissionais da segurança pública, como a Polícia Militar. Qual o motivo dessa iniciativa?

    Alessandra Campêlo - É uma pauta pessoal e coletiva. Por ser policial civil, sou muito procurada pela categoria para ouvir as demandas, afinal eu conheço a realidade. Mas, acima de tudo, a minha luta pela segurança pública e melhoria de condições de trabalho para os policiais é para que esses profissionais possam prestar um trabalho de excelência à população. Levando em consideração as condições de trabalho e a falta de investimento nos últimos cinco anos, ainda sim eles conseguem dá uma resposta positiva na população, realizando um excelente trabalho. 

    EM TEMPO - Durante a pré-campanha a senhora chegou a mencionar que estaria pronta para ser Prefeita de Manaus, mas não se lançou no pleito. Esse pode ser um projeto para as próximas eleições?

    Alessandra Campêlo - Eu me sinto preparada para um cargo no Executivo. Muito embora eu acredito que as condições políticas do momento não foram ideais. No momento certo vai acontecer, ou não, as coisas também passam. Esse não é meu objetivo de vida, o meu objetivo é fazer o melhor onde eu estiver, agora eu tento realizar o melhor na Assembleia Legislativa.   

    Alessandra, que chegou a ser a única mulher em um parlamento de 24 deputados, hoje divide o discurso pela causa feminina com mais três deputadas
    Alessandra, que chegou a ser a única mulher em um parlamento de 24 deputados, hoje divide o discurso pela causa feminina com mais três deputadas | Foto: Divulgação

    EM TEMPO - A senhora faz parte da base governista na Aleam, chegou a defender o governador durante seu impeachment. Agora que o governo enfrenta uma crise, a senhora acredita que os escândalos de corrupção podem prejudicar a sua imagem?

    Alessandra Campêlo - Eu não defendo corrupção, eu acredito que o que está errado deve ser apurado. Agora, eu também não defendo golpe político. Não defendi quando o ex-governador José Melo, que se envolveu em escândalos infinitamente maiores e comprovados. Nunca defendi golpes. Eu sou contra golpes, acredito que as pessoas têm que ser eleitas no voto e se tiverem de ser cassadas deve ser pela Justiça e não por golpe. Eu não posso levar o meu mandado preocupada em ter uma imagem fabricada, tenho que trabalhar com a realidade, não posso apoiar um golpe de Estado, mesmo que isso seja ruim para minha imagem. O que está errado tem que ser julgado, como a Justiça tem feito, principalmente em um momento em que nós trabalhamos com transparência e o errado não pode ser escondido. Defendo um governo por conta dos avanços que tivemos. Por aproximadamente 30 anos só tivemos uma Delegacia da Mulher, hoje já temos três. Também conversei com o governador Wilson Lima e com a Dr. Emília sobre políticas para mulheres e já foi colocado o Núcleo de Combate ao Feminicídio dentro da Polícia Civil com equipes especializadas nessa área, assim como a Lei de Combate a Violência Obstétrica. Esse apoio tem uma contrapartida. Ver a população sendo atendida e não um atendimento a mim. O apoio político é uma via de mão dupla.

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    Eu me sinto preparada para ocupar a cadeira da presidência "

    Deputada Alessandra Campelo, sobre a eleição para presidência da Aleam

    EM TEMPO – Em julho deste ano, a senhora foi acusada de coagir uma funcionaria durante a votação da escolha da comissão de impeachment na Casa Legislativa. Segundo a funcionaria, a senhora teria pedido para incluir um deputado que não estava presente na votação. Essa situação ocorreu?

    Alessandra Campêlo - É uma mentira. Eu nunca coagi ninguém. Quem me acusou disso está mentindo, inclusive se a própria funcionaria me acusou, ela está mentindo, porque eu falei na frente de várias pessoas. Tanto que não houve mais repercussão.

    EM TEMPO - A um mês das eleições para a presidência da Aleam, a senhora pensa em se candidatar para ocupar a cadeira? Já existe alguma articulação para isso?

    Alessandra Campêlo - Eu me sinto preparada para ocupar a cadeira da presidência. Porém, eu quero trabalhar esse cenário no momento certo, acredito que quem está trabalhando isso agora não se preocupa com a população. Pois quem se preocupa com a população está destinando a atenção para as eleições para vereadores, vereadoras e prefeito. Eu tenho focado, 90% da minha atenção no interior para eleger mais mulheres. Não estou preocupada com a Mesa, acredito que se acontecer será uma consequência do trabalho.

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    Defendo um governo por conta dos avanços que tivemos "

    Deputada Alessandra Campelo, sobre o apoio ao governador, Wilson Lima

    EM TEMPO – Mesmo com mais mulheres eleitas, atualmente, tanto para CMM quanto para a Aleam, a sub-representação feminina ainda é uma realidade no cenário político de Manaus. Como a senhora avalia isso e o que acha que está faltando para que haja mudança nesse cenário?

    Alessandra Campêlo - O Brasil é um dos piores países do mundo em representatividade política feminina. Precisamos de uma conscientização da população sim e mais que isso nós precisamos de espaços. Por isso, eu defendo que exista uma cota de vagas de parlamento para as mulheres, porque com mais mulheres no parlamento nós teremos políticas de saúde pública para mulheres, para os idosos porque quem cuida dos pais já idoso são as mulheres, crianças com deficiência porque muitas mulheres são abandonadas por seus maridos com filhos PDC e maior igualdade de direito.

    Presidente da Comissão da Mulher, da Família e do Idoso da Aleam, Alessandra é autora das leis mais votadas para a pessoa idosa
    Presidente da Comissão da Mulher, da Família e do Idoso da Aleam, Alessandra é autora das leis mais votadas para a pessoa idosa | Foto: Divulgação

    EM TEMPO – Nas eleições deste ano a senhora ainda não manifestou seu apoio a nenhum dos candidatos. Em um cenário de segundo turno, a senhora deve se posicionar? Pode revelar quem deve apoiar?

    Alessandra Campêlo - O meu partido está apoiando o Amazonino Mendes, porém eu não me senti à vontade, nem convencida pelo projeto do candidato. E por isso, não estou trabalhando a questão majoritária, ainda não tenho nenhum candidato no segundo turno e talvez eu me posicione no segundo turno.

    EM TEMPO – Como parlamentar, qual sua orientação aos eleitores que devem comparecer às urnas?

    Alessandra Campêlo -Eu acho que as pessoas precisam saber que ali na urna é só ela e a urna. Votar em quem, realmente pode trazer um benefício para a coletividade porque quando eu melhoro a vida dos meus vizinhos, eu também melhoro a minha vida. Além disso, que as pessoas se protejam, usem álcool em geral e respeitem as prioridades, evitando aglomerações. 

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