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    Inclusão


    Sub-representação de PcDs segue sendo realidade na CMM

    O preconceito, ainda existente, e a falta de união das pessoas com deficiência influenciam no atraso da eleição de um representante na política

    Mesmo com a candidatura de pessoas capacitadas, a conquista de um espaço na política ainda parece distante
    Mesmo com a candidatura de pessoas capacitadas, a conquista de um espaço na política ainda parece distante | Foto: Arte/ Alexandre Sanches

    Manaus - Apesar de 189 candidatos declarados com algum tipo de deficiência, se lançarem no pleito municipal deste ano, nenhum dos postulantes conseguiram conquistar uma vagas no Poder Legislativo nos municípios do Amazonas. A falta de representatividade, causada pelo preconceito social e a falta de unificação do grupo, invisibiliza uma parcela significativa da população que ainda padece com a ausência de politicas púbicas cidadãos .

    De acordo com os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em todo o Brasil, somente 1,2% dos postulantes tem algum tipo de deficiência, representando um total de pouco mais de seis mil pessoas.  Dos 2,5 milhões de eleitores aptos a votar no Amazonas, pelo menos 14 mil possuem algum tipo de deficiência, seja visual, auditiva ou de locomoção. Este é o primeiro ano em que candidatos a cargos eletivos passaram a declarar algum tipo de deficiência. 

    Na capital amazonense, a advogada Nancy Segadilha, 37, é deficiente física e afirmou que acredita que a falta de representatividade no cenário político promove diversos outros problemas sociais. A advogada explica ainda que passou a ter uma visão mais explanada sobre o assunto, quando se tornou ativista da causa.

    "Para mim sempre foi difícil compreender por que uma sociedade tão diversa como a nossa é sempre representada pelos mesmos governantes e até quando surge alguma renovação o padrão é mantido. Após me envolver mais com ativismo em prol das Pessoas com Deficiência e ter sentido na pele as barreiras limitantes às quais somos sujeitos eu acredito que essa falta de representatividade é raiz da maioria, quiçá de todos os nossos problemas como cidade e até mesmo como país", destacou.

    A advogada explicou que viver em Manaus e vivenciar todas as limitações impostas pela cidade significa estar em um ambiente que não lhe atende e pouco faz questão de sua presença. Os problemas, principalmente de acessibilidade na mobilidade urbana, deveriam estar entre as pautas prioritárias do município.

    "Falando especificamente do segmento PcD acredito que falta união dos representantes qualificados e porta-vozes da comunidade. As atribuições que cabem ao município sem dúvida podemos destacar a mobilidade urbana que já não atende as necessidades de cidadãos não PcDs mas, no caso de que tem redução de mobilidade é como se vivêssemos em uma cidade hostil que não quer nossa presença", contou Segadilha.

    Para a psicóloga e presidente da Associação dos Deficientes Visuais do Amazonas, Ingrid Mendonça, 26, para que sejam eleitos representantes que defendam com afinco a inclusão, é necessário que a sociedade tenha o reconhecimento da politica como instrumento de transformação, de mudança e inclusão. Além disso, a jovem também defende a unificação das pessoas com deficiência.

    "Percebi a necessidade de representatividade nas vivências do dia a dia, ao sentir na pele as dificuldades, a ausência de politicas públicas de inclusão e acessibilidade por parte das nossas autoridades. Como Presidente da Associação e ativista do movimento de pessoas com deficiência, percebi que essa luta não é só minha. Sinto a necessidade de nossa voz ser de fato ouvida. Vez por outra um parlamentar toca nesse assunto, mas ainda estamos a margem. É preciso unidade das pessoas com deficiência, fortalecimento da causa e valorização da sociedade de forma geral", disse. 

    O paratleta de corrida de rua Francisco Gama, 49, explicou não sente que há algum representante político que tenha preocupação em promover políticas públicas de qualidade para diminuir as dificuldades que há na cidade, para o grupo. "Fica difícil para nós, como PcD, não ter ninguém para nos representar na CMM, não ter uma voz lá para lutar pelos nossos direitos. Tem que mudar as políticas públicas, enquanto não tiver realmente interesse de mudança, vai ficar como está".

    Falta de Unificação

    Segundo o cientista político Carlos Santiago, a falta de eleição de uma pessoa que represente e dê voz às Pessoas com Deficiência ocorre por diversos fatores, entre eles os principais são a falta de unidade entre os grupos de apoiadores e dos próprios deficientes. O especialista citou ainda a eleição de representantes de grupos religiosos e policiais, que conseguiram se organizar e obter bons resultados neste pleito.

    "As pessoas portadoras de deficiência possuem direitos trabalhistas, direitos civis, direitos inclusive na política urbana, no plano diretor da cidade, no plano da mobilidade urbana. Mas ainda estão desunidos. Existem inúmeros grupos de apoios e defensores de pessoas com deficiência e muitas candidaturas foram lançadas. Falta unidade, organização, unificação de campanhas de ideias para que haja conquista. Existe preconceito na sociedade contra os deficientes, mas a dificuldade de eleição também se dá pela falta de unidade", explicou. 

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