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    Com a palavra


    'Entregaremos ao próximo prefeito a cidade mais ajustada', diz Arthur

    Concluindo seu segundo mandato Arthur deixa um legado de transformação na previdência do município, além de projetos inovadores na infraestrutura de Manaus

     Em 2016, Neto venceu a disputa para a prefeitura com 55,96% dos votos válidos
    Em 2016, Neto venceu a disputa para a prefeitura com 55,96% dos votos válidos | Foto: Divulgação

    Manaus - Eleito prefeito de Manaus pelos últimos oito anos, Arthur Virgílio Neto (PSDB) se despede do cargo neste ano. O chefe do executivo municipal iniciou sua carreira política em 1966 e em passagem pelo Ministério de Relações Exteriores, participou de missões diplomáticas na Argentina, Bolívia e Venezuela, entre os anos de 1976 e 1977.

    Eleito deputado federal em 1982, o político foi coordenador da campanha 'Diretas Já no Amazonas'. Nas eleições municipais de novembro de 1988, Artur Neto elegeu-se prefeito de Manaus, derrotando o ex-governador Gilberto Mestrinho e assumiu o cargo em janeiro de 1989 e permaneceu à frente da prefeitura até 1992. Eleito senador em 1995, tornou-se um dos líderes do governo Fernando Henrique Cardoso e chegou a ocupar o cargo de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Após deixar a Câmara, foi eleito senador. No Senado, tornou-se um dos principais líderes da oposição ao governo Lula.  Em 2012, foi eleito prefeito de Manaus em nova disputa com Vanessa Grazziotin. Em 2016, Neto venceu a disputa para a prefeitura com 55,96% dos votos válidos, na época o prefeito disputou o Executivo com o deputado federal, Marcelo Ramos (PR) que ficou em segundo lugar, com 43,82% dos votos válidos. Agora, concluindo seu segundo mandato Arthur deixa um legado de transformação na previdência do município, além de obras e projetos inovadores na infraestrutura de Manaus. 

    Leia mais na entrevista exclusiva ao EM TEMPO:

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    Espero que tudo o que fizemos tenha continuidade pelo bem de Manaus "

    Arthur Virgílio Neto, prefeito de Manaus, sobre a próxima gestão

    EM TEMPO - Qual o principal legado que o senhor deixou em sua gestão?

    Arthur Neto  - Estamos deixando ao prefeito eleito uma cidade ajustada financeiramente, com as contas em dia e com uma previdência superavitária. Hoje, tenho orgulho de dizer aos servidores municipais que a aposentadoria deles não corre risco, que eles podem planejar o futuro sem medo de ficar sem dinheiro. Mas, para que isso acontecesse, tivemos um árduo trabalho de reestruturação da Manaus Previdência. Nós temos, hoje, o melhor sistema previdenciário do Brasil, com superávit de mais de R$ 1 bilhão, mas quando eu assumi a prefeitura, a antiga Manausprev tinha um déficit de R$ 3 bilhões, dinheiro aplicado em “fundos podres”, dinheiro público que estava sendo jogado fora. Gostaria que o meu sucessor continuasse esse nosso bom trabalho de ajuste fiscal e previdenciário, que não jogue dinheiro fora, que continue gerando empregos de forma responsável e, principalmente, que respeite Manaus e o seu povo.

    EM TEMPO - Manaus ainda enfrenta uma pandemia, como a cidade está estruturada na área da saúde para continuar enfrentando a Covid-19 no próximo ano?

    Arthur Neto - Ao que nos cabe, enquanto Prefeitura, fizemos, fazemos e faremos o que for necessário para evitar que mais pessoas percam suas vidas para essa doença terrível, que ainda nos assola. Ampliamos a nossa oferta de atendimentos, de exames, utilizamos UBS Móveis e Fluviais para buscarmos casos nos locais mais distantes da cidade e levar tratamento também a essas pessoas. Criamos um hospital de campanha em quatro dias, junto com a iniciativa privada, que salvou mais de 600 pessoas em pouco mais de dois meses de funcionamento. Atualmente, temos 18 UBS com atendimento prioritário para casos suspeitos, com funcionamento inclusive nos fins de semana e feriados, aumentando em 75 mil atendimentos o número de beneficiados. Ampliamos o diagnóstico de Covid-19 em 48 UBSs com a oferta de mais de 50 mil testes rápidos, assim como a coleta do RT-PCR na maternidade Moura Tapajóz. Nós estamos cuidando até mesmo de quem já foi curado, mas ficou com sequelas da doença, oferecendo a fisioterapia respiratória e a reabilitação pós-Covid, com a implantação do Centro Especializado em Reabilitação. Dentro do que é atribuição nossa, estamos fazendo o máximo, indo até o limite. Não há quase nada de recursos federais.

    EM TEMPO - Na educação, o senhor inaugurou quatro Cimes nos últimos três meses. O senhor deixa programado um concurso público aos profissionais da educação? Qual será o quadro desses profissionais das unidades no próximo ano?

    Arthur Neto - Na minha gestão, eu fiz um concurso público para a educação com 400 vagas e chamamos mais de 3 mil professores.  A categoria dos professores é certamente a mais valorizada na minha gestão. Concedemos o 14º e 15º salário aos que cumpriram as suas metas e agora, no fim do ano, estamos repassando uma boa fatia do Fundeb para os professores e também para muitos outros profissionais que ajudaram a transformar a educação em uma marca do nosso governo. Quando cheguei a prefeitura, nós éramos o 23º colocado no Ideb entre as capitais, estou concluindo o mandato com a nona melhor educação do país. Fizemos muitos investimentos, não apenas em pessoal, mas também em infraestrutura. Os quatro Cimes que entregamos e mais o que vamos entregar até o final do ano são exemplos de escola para todo Brasil. Eu costumo chamar de “escolonas” porque elas possuem uma estrutura jamais vista na educação pública do país. E o próximo prefeito já tem recursos garantidos para construir mais cinco.

    O prefeito destacou as obras esportivas que devem ser entregues até o fim do ano
    O prefeito destacou as obras esportivas que devem ser entregues até o fim do ano | Foto: Divulgação

    Arthur Neto -  Atualmente, qual o incentivo que o município dá aos jovens atletas que buscam seguir carreira no esporte?

    Arthur Neto - Sempre incentivamos o esporte com apoio a competidores, seja pelo Bolsa Atleta Municipal, criado por nós, mas que precisou ser paralisado este ano por conta da pandemia, seja com a doação de passagens aéreas aos competidores. Estamos entregando, desde o início de outubro, cerca de 40 obras esportivas, entre quadras, campos e também o Skate Park Ulysses “Boca”, no Parque dos Bilhares, e o velódromo municipal no conjunto Aruanã. São obras que visam fomentar o esporte, desde a base até o profissional. O skate park, por exemplo, contemplará as duas categorias principais, a street, que é o skate de rua, e a park, que são as pistas em forma de conchas, e será a primeira da categoria na região Norte do país. Além disso, o local é uma homenagem a um grande amigo, o jornalista Ulysses Marcondes, que também era skatista e ativista e foi o principal idealizador dessa obra. O velódromo também será um marco porque voltaremos a ter esse tipo de pista em Manaus depois de 120 anos. Queremos descobrir grandes nomes para o ciclismo com esse velódromo e atrair também turistas para a cidade com eventos no local. Quem sabe não descobriremos futuros campeões olímpicos com o velódromo e o skate park?

    EM TEMPO - O Requalifica pode ser destacado como um dos principais projetos da sua gestão em Manaus?

    Arthur Neto  - O Requalifica é o maior banho de asfalto que Manaus já viu. São centenas de ruas recebendo asfalto de qualidade, para durar anos, e que estão ajudando na mobilidade urbana e trafegabilidade nos principais corredores viários. Além do Requalifica, também estamos trabalhando forte no Distrito Industrial, graças a parceira com a Suframa e o esforço pessoal do seu superintendente, o general Algacir Polsin. Estamos resolvendo um problema histórico que eram os buracos no Distrito Industrial, e também levando o paisagismo com o trabalho da Comissão Especial de Paisagismo e Urbanismo, presidida pela minha esposa, a primeira-dama Elisabeth Valeiko Ribeiro, que está atuando não só no Distrito, mas em cerca de 40 pontos na cidade. É um trabalho completo, desde o asfalto, passando pelas calçadas e meio-fio, até o paisagismo.

    Neto acredita que iniciou um  processo de virada na mobilidade urbana
    Neto acredita que iniciou um processo de virada na mobilidade urbana | Foto: Divulgação

    EM TEMPO - Nesses oito anos de gestão, como o senhor avalia a evolução do transporte público na capital?

    Arthur Neto - Considero que nós iniciamos o processo de virada na mobilidade urbana da cidade. Até o final do ano deixaremos a cidade com seis terminais de integração, dois dele novíssimos, construídos por nós, e com estrutura moderna para dar mais conforto aos usuários e agilidade ao sistema. No corredor, entre o Centro e a Zona Norte, temos quatro estações de transferência, que são espaços modernos e bastante funcionais para quem se desloca de ônibus. Além disso, deixaremos pelo menos oito plataformas centrais totalmente remodeladas. Estamos deixando uma infraestrutura que amanhã pode comportar um BRT ou outro transporte de melhor nível tecnológico do que temos hoje. Eu acredito em continuidade e espero que tudo o que fizemos tenha continuidade pelo bem de Manaus

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    Queremos descobrir grandes nomes para o ciclismo com esse velódromo e atrair também turistas para a cidade com eventos no local. "

    Arthur Virgílio Neto, prefeito de Manaus, sobre as áreas esportivas na capital

    EM TEMPO - Um dos marcos da sua gestão, foi as fiscalizações em obras, qual o motivo da iniciativa?

    Arthur Neto - Eu trabalho com responsabilidade e gosto que as empresas que trabalham comigo também sejam assim. Nós temos uma Comissão de Ética para licitações em que a empresa que não cumprir os prazos fica suspensa de participar de novas licitações por um determinado período. As que fazem o trabalho correto recebem os pagamentos em dia e, por isso, eu gosto de fiscalizar todas as obras para saber se os prazos estão sendo cumpridos. Além disso, é na rua que a gente conhece a realidade da população, nessas minhas andanças a gente monta um gabinete itinerante, despacha com a população ali, na hora, encaminhando soluções e tendo o retorno direto do nosso trabalho.

    EM TEMPO - Qual foi a receita que o senhor utilizou para enxugar a folha de pagamento da Prefeitura e cumprir com o pagamento do funcionalismo público?

    Arthur Neto - Quando eu assumi a prefeitura, Manaus tinha uma dívida acumulada de quase R$ 350 milhões deixada pela gestão anterior. Eu tive que enxugar as contas para garantir o equilíbrio financeiro do município. O pagamento dos funcionários sempre foi a minha prioridade. Não deixei os salários atrasarem um mês sequer, pelo contrário, em diversas ocasiões, como no pico da pandemia de Covid-19, antecipamos salários para dar mais segurança aos nossos servidores. Não há segredo e nem milagre, o que há é controle de gastos, respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, seguindo isso não tem como errar.

    EM TEMPO -A Prefeitura teve representatividade na arborização, o senhor acredita que entrega uma cidade mais verde à população?

    Arthur Neto - Manaus é conhecida no mundo todo como a capital da Amazônia e precisamos fazer isso na prática. Durante a minha gestão, criamos o programa Arboriza Manaus, que cobriu mais de 150 logradouros públicos da cidade com quase 50 mil novas árvores. Além disso, tivemos um braço do Arboriza, que foi o Ornamenta Manaus, chegando a marca das 260 mil mudas plantadas. Outra importante ação foi a criação da Comissão Especial de Paisagismo e Urbanismo, presidida pela minha esposa, Elisabeth Valeiko Ribeiro, que é arquiteta e está ajudando a transformar a paisagem em pontos estratégicos da cidade, levando mais leveza, beleza, e atraindo cada vez mais turistas. Com essas ações, conseguimos reduzir drasticamente os índices de perda natural e vandalismo, além de obter o reconhecimento da população sobre a importância da arborização.

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    Estamos deixando uma infraestrutura que amanhã pode comportar um BRT ou outro transporte de melhor nível tecnológico do que temos hoje "

    Arthur Virgílio Neto, prefeito de Manaus, sobre o transporte público

    EM TEMPO - Qual cenário da cidade que o senhor entrega ao próximo prefeito?

    Arthur Neto - Vamos entregar ao próximo prefeito a cidade mais “ajustada” na área fiscal e octacampeã em responsabilidade previdenciária. É esse controle financeiro que viabilizou a Manaus ter crédito nos grandes bancos e ser respeitada nas bancas nacionais e internacionais, na Secretaria do Tesouro Nacional e pelo ministro da economia Paulo Guedes, que sabe muito bem o que estamos fazendo aqui em matéria de equilíbrio fiscal. Hoje, temos crédito e dinheiro em caixa, que permitiram que investíssemos mais de R$ 2 bilhões em obras de infraestrutura nos últimos dois anos. Infelizmente não pude fazer isso no começo do mandato, porque tivemos que fechar a torneira, ajustar as contas, para que pudéssemos chegar ao patamar que estamos hoje.

    EM TEMPO - Quais são os seus planos para os próximos anos? A população pode esperar sua candidatura nas próximas eleições?

    Arthur Neto - Não tenho como falar nada ainda. A minha grande disputa, neste momento, é entregar uma prefeitura organizada. Durante as vistorias de obras que faço diariamente eu percebo que os trabalhadores estão motivados, e querendo também entregar o máximo de obras. Vamos fazer o melhor, estamos pavimentando o caminho para que o meu sucessor faça o melhor. Desejo sinceramente isso, estamos montando a infraestrutura para que ele possa avançar em mobilidade urbana, possa perceber que pegou uma cidade organizada, com números claros, com muito crédito. O que posso dizer é que pretendo continuar contribuindo com Manaus, com o Amazonas e o Brasil.

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