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    Benefício


    Auxílio emergencial vira cabo eleitoral em período de pandemia

    A proposta de beneficiar a população que sofre com os reflexos econômicos da pandemia, acabou se tornando um meio de garantir votos e boa popularidade a representantes políticos

     

    Com a implementação do auxílio emergencial, o presidente conseguiu aumentar sua popularidade no país, o que pode ter influenciado candidatos em período de campanha eleitoral
    Com a implementação do auxílio emergencial, o presidente conseguiu aumentar sua popularidade no país, o que pode ter influenciado candidatos em período de campanha eleitoral | Foto: Divulgação

    Manaus - O auxílio emergencial proposto pelo Governo Federal em abril de 2020, como forma de promover um recurso às famílias de baixa renda e aos desempregados afetados pela pandemia, beneficiou milhares de cidadãos brasileiros. No entanto, com seu fim, muitos representantes políticos utilizaram a proposta do benefício para conquistar os eleitores.

    Com a comprovação do impacto positivo que a oferta do auxílio pelo Governo Federal teve no Produto Interno Bruto (PIB) do país, o discurso passou a ser destaque no período de campanha eleitoral. Pelo menos 30 candidatos à prefeitura de nove cidades brasileiras prometeram, durante campanha eleitoral, a implementação de uma renda mínima, a nível municipal, para atender famílias durante o período de calamidade pública causado pela pandemia, com valores variando de R$100 a R$600.

    Apesar da viabilidade da promessa ser questionada por muitos, principalmente especialistas, muitos eleitores sem renda viram com brilho nos olhos a possibilidade de ter um recurso para se manter. 

     

    Muitos eleitores sem renda viram com brilho nos olhos a possibilidade de ter um recurso para se manter
    Muitos eleitores sem renda viram com brilho nos olhos a possibilidade de ter um recurso para se manter | Foto: Lucas Silva

    De acordo com o sociólogo e cientista político Gilson Gil, com o reflexo econômico negativo neste período, a população acaba precisando recorrer à gestão pública para a implantação de programas de transferência de renda, o que garante uma popularidade positiva.

    "Nós estamos vivendo um período da pandemia que tem forte reflexo econômico, além do impacto na saúde. Queda de arrecadação, orçamento, aumento de desemprego e as pessoas, as mais atingidas pelas medidas de isolamento - tanto de forma direta e indireta - acabam recorrendo aos governantes para algum tipo de auxílio. É um dilema, é inevitável que os governantes formulem políticas, projetos, programas, para auxiliar essas camadas que estão mais diretamente atingidas. Por outro lado, não podemos também desconsiderar que esse tipo de benefício acaba gerando popularidade", destacou o especialista.

    Um exemplo desse destaque pôde ser visto nos últimos meses, no crescimento considerável dos índices de aprovação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em janeiro de 2020, a pesquisa XP/Ipespe mostrou que Bolsonaro estava com 32% de aprovação, índice que caiu para 25% em meados de maio. Com a prorrogação do recurso, a popularidade do presidente subiu para 37%, em agosto e alcançou 39% em outubro. Apesar da boa popularidade neste período, Jair Bolsonaro negou a possibilidade de prorrogar o auxílio em 2021. 

    Para o especialista Gilson Gil, é inevitável que haja essa relação política a um programa social de tamanha dimensão, neste período de pandemia. Ele explica que é importante acompanhar os próximos passos de todas as esferas do governo para a retomada da economia no Brasil. Além disso, Gil afirmou que as medidas emergenciais, como o auxílio, não podem ter fim no cenário em que o país está.

    "É quase que um fio da navalha, pois se por um lado não se pode abrir mão desses programas neste momento, por outro lado não se pode desconsiderar que eles têm um impacto político sim. Acho que a questão é mais adiante vermos como se comportam os governantes, quais as medidas efetivas de retomada do desenvolvimento econômico. A nossa economia tanto estadual, como nacional, vai mal. As medidas emergenciais são de curto prazo, possuem sim efeito político, porém não podemos deixar simplesmente de fazê-las", afirmou o cientista político. 

    Câmara se mobiliza para prorrogar auxílio

    Diversos deputados buscam a renovação do benefício na Câmara dos Deputados e projetos tramitam na casa parlamentar na tentativa de conseguir êxito. Alguns deles são o Projeto de Lei (PL) 5509/20, do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), e o PL 5536/20, do deputado André Janones (Avante-MG), que prorrogam o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 até o final do mês de março de 2021. 

    Já o deputado Chiquinho Brazão (Avante-RJ) propôs o PL 5650/20, para a renovação do auxílio no mesmo valor que os anteriores, só que para o mês de abril. Há ainda o Projeto de Lei 5514/20, do deputado Fábio Henrique (PDT-SE), que propõe a ampliação dos pagamentos até 30 de junho de 2021. Nenhum deles tem previsão de ser aprovado.

    Cobrança no Senado

    Com as eleições para a presidência do Senado Federal se aproximando, as promessas feitas pelos candidatos para atrair votos enfrentam um entrave no orçamento deste ano. O senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato apoiado pelo presidente Bolsonaro, sente a pressão para a renovação do auxílio principalmente pelos partidos que já declararam apoio ao parlamentar, como o Partido dos Trabalhadores (PT). O parlamentar se mostra cauteloso sobre o assunto, especialmente por conta do apoio do presidente.

    Além de Pacheco, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) também concorre à presidência do Senado e já afirmou que considera válida a preocupação com a renovação do benefício. “O auxílio emergencial, observando os critérios da Lei de Responsabilidade Fiscal e o limite do teto de gastos, ainda que com menor valor, tem, sim, que estar na agenda de qualquer candidato”, disse Simone Tebet.

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