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    Eleições no Congresso


    Reviravolta entre apoios sugere Arthur Lira na presidência da Câmara

    O deputado federal, apoiado por Jair Bolsonaro e por sete dos oito parlamentares da bancada amazonense, conseguiu consolidar o apoio da maioria dos deputados federais

     

    Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre, presidente do Senado, tentam emplacar seus indicados
    Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre, presidente do Senado, tentam emplacar seus indicados | Foto: Divulgação

    Manaus - A oito dias da eleição na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, os principais candidatos à presidência das casas se veem em um cenário ainda incerto. Com a política do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estremecida, a eleição de um parlamentar da oposição pode fortalecer o andamento do pedido de impeachment.

    Na Câmara, os dois principais candidatos à presidência, os deputados federais Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP), ainda seguem realizando articulações. Nesta semana, o Partido Social Liberal, que havia declarado apoio a Rossi, voltou atrás e fechou acordo com Lira, assim como o Podemos, mesmo sem ter feito uma declaração oficial sobre o assunto ainda.

    O bloco de Lira entrou em vantagem e conta agora com o apoio de 11 partidos, que somam 259 deputados, entre eles o Partido Liberal, Progressistas, Partido Social Democrático, Republicanos, Avante e Patriota. Rossi também tem em seu bloco 11 partidos, entre eles o Partido dos Trabalhadores, Democratas e Partido Social da Democracia Brasileira, mas com 236 deputados. Também estão na disputa outros sete candidatos: Luiza Erundina (Psol-SP), Marcel van Hatten (Novo-RS), Alexandre Frota (PSDB-SP), André Janones (Avante-MG), Capitão Augusto (PL-SP), Fábio Ramalho (MDB-MG) e o General Peternelli (PSL-SP).

    Dos oito deputados da bancada amazonense na Câmara, apenas José Ricardo (PT-AM) não declarou apoio a Lira. Com Marcelo Ramos (PL-AM) na 1ª vice-presidência da Mesa Diretora da chapa, a expectativa é que os interesses econômicos da região norte, principalmente do Amazonas, sejam defendidos pela chapa.

    Os deputados estão confiantes na vitória de Lira. Segundo o deputado Bosco Saraiva (Solidariedade-AM), o candidato conseguiu destaque na corrida à presidência da Casa. "Arthur, pelo que se percebe nos bastidores da Câmara, mantém boa dianteira perante os demais candidatos", afirmou.

    O deputado Sidney Leite também se mostrou confiante na vitória do candidato progressista. O parlamentar afirmou que, apesar da disputa acirrada, as articulações realizadas nas últimas semanas podem garantir à Lira a vitória na presidência da Casa.

    "Como qualquer eleição ela está sendo bem disputada, mas entre vários partidos que declararam apoio ao Baleia, têm inúmeros deputados que vão votar no Arthur Lira, por entender que a Câmara precisa ter autonomia. Essa autonomia não significa só em relação aos poderes, mas em relação também ao mercado financeiro, que hoje tem uma grande influência sobre a presidência da Câmara e outros segmentos. Eu acredito que ele sairá vitorioso, fruto desse trabalho de articulação que está sendo feito em todos os estados", destacou.

    O futuro do presidente Bolsonaro está diretamente ligado ao resultado destas eleições, tanto na Câmara quanto do Senado. Isso porquê, segundo o cientista político Helso Ribeiro, os candidatos que vencerem essas disputas podem ser capazes de atender a um dos pedidos de impeachment do presidente. Recentemente, com a crise de Saúde no estado do Amazonas, a ameaça de um impedimento ronda o Congresso.

    "Arthur Lira, que teoricamente representa uma vontade do governo Bolsonaro, tenta capturar 'traidores' de partidos que apoiam o Baleia Rossi. Eu diria que é um jogo muito forte de bastidor. É bom lembrar que a ex-presidente Dilma sofreu impeachment por pedaladas fiscais. Existe hoje alguns, acho que chega a uma dezena, de pedidos de impeachment ao presidente Bolsonaro. Tem denúncias, inclusive, daqui do Amazonas, na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, contra o Bolsonaro. O presidente da Câmara que determina a pauta, ele que define o que vai ser colocado em pauta para ser discutido", explicou Ribeiro. 

    O especialista afirmou ainda que as lideranças do Congresso poderão influenciar ainda nas propostas de Bolsonaro. Caso Baleia Rossi saia vitorioso, Bolsonaro pode enfrentar dificuldades para ter sua política posta em prática. Além disso, também as discussões que ainda deverão ser realizadas neste ano, como a própria Reforma Tributária (Proposta de Emenda Constitucional nº45).

    "O Brasil adota o que nós chamamos de presidencialismo de coalisão. O presidente da República precisa do apoio do Congresso Nacional e o presidente da Câmara direciona as pautas. Ter um presidente da Câmara simpático às proposituras do presidente da República é interessante. Nós teremos discussões duras agora, a reforma tributária, principalmente, que mexe com os interesses do Polo Industrial de Manaus. Tudo isso vai influenciar como será o caminho do presidente Bolsonaro daqui para a frente. Acredito que se der Baleia Rossi, o caminho será com mais pedras; se der Arthur Lira, talvez menos, mas não quer dizer que ele irá concordar com todas as medidas", destacou.

    Senado

    No Senado Federal há quatro candidatos à presidência. Pelo MDB, a senadora Simone Tebet, do Mato Grosso do Sul, concorre ao cargo. A parlamentar iniciou a organização de uma Frente Democrática em parceria com Baleia Rossi, como forma de unificar a atuação do partido nas duas Casas. A senadora tem os votos da bancada do MDB, mais o apoio declarado de senadores de partidos como Cidadania, Podemos e PSDB.

    Rodrigo Pacheco (DEM-MG) é um dos candidatos que tem conseguido se destacar na disputa. Ele já possui o apoio formal de nove partidos, entre eles o Progressistas, o Partido Liberal e o Partido dos Trabalhadores, além do apoio declarado do presidente da República. Outros candidatos na disputa pelo Senado são Major Olimpio (PSL-SP) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO). De acordo com o cientista político Helso Ribeiro, as duas Casas estão ligadas, pois o que passa por um, deve ser aprovado pelo outro para ter efeito.

    "A eleição do presidente do Senado, a princípio, vai ter um candidato [Pacheco] apoiado pelo atual presidente, Alcolumbre, que tem a simpatia do Bolsonaro, e uma outra forte candidata é a Tebet, do Mato Grosso do Sul. Tem importância aí porque o Senado, além de ser a casa revisora, representa as unidades federativas, e é ele quem julga um possível pedido de impeachment. Tanto faz quem for o vencedor, ainda vai existir a pressão popular forte e várias medidas de reformas que são necessárias que ele coloque em pauta", finalizou.

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