Fonte: OpenWeather

    Impeachment


    Bancada do AM se declara contra pedido de impeachment de Bolsonaro

    Deputados federais defenderam que este não é um momento propício para a abertura de um processo de impeachment e chegaram a afirmar que seria desastroso para o país

     

    Presidente descarta qualquer possibilidade de sofrer um impeachment antes do fim de seu mandato
    Presidente descarta qualquer possibilidade de sofrer um impeachment antes do fim de seu mandato | Foto: Divulgação

    Manaus - Os parlamentares da bancada federal do Amazonas na Câmara dos Deputados parecem estar alinhados com a ideia de que este não é o melhor momento para dar início ao processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

    Entre os oito deputados federais que compõem a bancada, apenas José Ricardo (PT-AM) se posicionou publicamente a favor da abertura do processo, enquanto outros, como Silas Câmara (Republicanos-AM) e Alberto Neto (Republicanos-AM) negaram haver motivos para isso.

    Membros da base aliada ao presidente, os deputados Capitão Alberto Neto e Silas Câmara afirmaram que este não é o momento para o afastamento de Bolsonaro, pois o foco da atividade parlamentar, no momento, deve ser no combate à pandemia. 

    Eles afirmam que não há motivos para a instauração de um processo. Alberto Neto ressaltou ainda que um impeachment, no cenário de pandemia e instabilidade econômica e sanitária em que o Brasil se encontra, seria desastroso.

    "Estamos vivendo um período muito delicado em todo o mundo por conta da pandemia, é hora de focar em nos unirmos em prol da saúde da população. Não é momento de se falar em impeachment. Na verdade, isso se trata de mais um jogo político pra desestabilizar o Governo Federal. O Presidente Bolsonaro, desde o início da pandemia, criou o Gabinete de Crise, que reúne os Ministérios e, inclusive, a Anvisa pra solucionar esses conflitos na área da saúde e também da economia. Falar em impeachment, neste momento, seria desastroso para o país e aprofundaria ainda mais a crise causada pelo coronavírus", defendeu o parlamentar.

    Silas Câmara afirmou apenas que não concorda com a mobilização política que está em jogo. "Não existe motivo concreto para o impeachment do presidente. Eu não concordo e não apoio nenhum tipo de movimentação nesse sentido".

    O deputado federal Bosco Saraiva (Solidariedade-AM) foi direto e conciso ao se mostrar contrário à possibilidade de impedimento do presidente. "Não vejo motivos para abertura de processo de impedimento do presidente Jair Bolsonaro".

    A favor 

    O único parlamentar da bancada que se posiciona a favor da abertura do processo de impeachment, José Ricardo (PT-AM) afirmou que o presidente se mostrou incapaz de administrar o país e a crise que se ascendeu com a pandemia. O parlamentar ressaltou a influência do presidente nas mortes causadas pela pandemia.

    "Eu apoio os processos de impeachment, eu já assinei o que o Partido dos Trabalhadores apresentou, acho que não dá mais. É um presidente sem capacidade para administração e é um dos causadores do aumento significativo de contaminações e de mortes pelo coronavírus. Infelizmente não consegue administrar o enfrentamento da pandemia em Manaus, um governo inoperante. A sua omissão de forma deliberada, significa que é um governo que não tem amor ao povo e preocupação com o país", destacou o deputado.

    Pedidos "de molho"

    Atualmente, há 62 pedidos de impeachment protocolizados na Câmara dos Deputados. Entre os mais recentes estão um pedido de autoria de lideranças religiosas, e outro assinado por líderes de seis partidos: Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Partido Socialismo e Liberdade (PSol) e Rede.

    Estes, envolvem a atuação do presidente frente à pandemia, mas os demais que seguem em análise na Câmara, atestam outros motivos, como crime de responsabilidade, quebras de decoro e corrupção passiva.

    Senado sem mobilização

    O senador Plínio Valério (PSBD-AM) afirmou ser contra e que não vê uma mobilização no campo político, principalmente no Senado, para que um impeachment seja viabilizado. O parlamentar explicou que é necessário dar importância às medidas de combate ao coronavírus.

    "Penso que não é o momento ideal, por vários motivos. O processo de impeachment não é só do campo administrativo, é também do campo político, e eu não vejo a vontade, principalmente no Senado, em levar adiante um impeachment. Acho que nesse momento de pandemia, é muito conturbado. Eu não aprovo, nesse exato momento não", afirmou o senador. 

    Com a repercussão negativa internacional do caos na Saúde no Amazonas, que ocasionou a falta de distribuição de oxigênio no estado, e o fim do auxílio emergencial, os índices de aprovação do presidente caíram consideravelmente. Um reflexo dessa queda foram os atos de manifestações, em forma de carreatas, que ocorreram neste mês em diversas cidades brasileiras.

    Em pesquisa do Datafolha, realizada na última semana, o presidente foi avaliado como ruim ou péssimo por 40% da população, uma alta de 8% em relação a dezembro de 2020. Avaliado como ótimo ou bom por 31% dos entrevistados, Bolsonaro registra a maior queda nominal de aprovação desde o começo de seu governo. Ainda 26% consideram Bolsonaro regular.

    Os deputados Marcelo Ramos (PL-AM), Delegado Pablo (PSL-AM), Átila Lins (PP-AM) e Sidney Leite (PSD-AM) não se posicionaram sobre o assunto, assim como os senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM). 

    Em encontro com apoiadores nesta semana, Jair Bolsonaro descartou a possibilidade de um impeachment. Afirmou que os pedidos que seguem em análise na Câmara dos Deputados não serão levados adiante. "Nós continuaremos nessa cadeira até o final de 2022, tenho certeza disso. Se juntar todos [os pedidos] não dá nada, absolutamente nada".

    Momento crucial se aproxima

    Pela aceitação pública cada vez menor do presidente e uma cobrança cada vez maior, o sociólogo e cientista político Francinézio Amaral explicou que o momento conveniente para a abertura de um processo de impeachment se aproxima, apesar da resistência de Bolsonaro. Segundo o especialista, há diversos fatores que justificam o processo, como os crimes de responsabilidade que o presidente tem sido acusado.

    "O cenário favorável à abertura do processo de impeachment de Jair Bolsonaro tem se fortalecido nos últimos meses e está cada vez mais próximo de acontecer. O atual ocupante do Palácio do Planalto, contudo, ainda vem conseguindo resistir, apesar de ver sua base de sustentação política e popular, desmoronando progressivamente. Motivos jurídicos sempre foram fartos e não é novidade que existe uma longa lista de crimes de responsabilidade cometidas por ele. Segundo a Folha de São Paulo, do dia último dia 21, são vinte e três, até agora", afirmou.

    Entre outros motivos que intensificam a possibilidade do impeachment, Francinézio Amaral explicou que a crise de Saúde no Amazonas, principalmente pela falta de oxigênio, foi um fator exponencial que afetou uma esfera maior de apoiadores políticos e da população em geral, o que refletiu como um reforço para a discussão e a cobrança de uma abertura do pedido de impeachment.

    "Faltavam aparecer os motivos que abalassem seus apoiadores tanto os do campo político e empresarial, quanto os populares que se contorcem cada vez mais para tentar justificar suas falácias e descalabros. E esses motivos ficaram ainda mais fortes a partir do caos anunciado do novo colapso da saúde no Amazonas, com as mortes causadas pela falta de oxigênio que foi negligenciada por ele e pelo general que ocupa o Ministério da Saúde", explicou.

    Amaral relembra a omissão do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-SP), diante dos vários pedidos de impeachment e afirmou que a justificativa utilizada por ele se mostrou infundada.

    "Seu argumento, de que não seria o momento para um novo impedimento, por conta dos riscos ao funcionamento das instituições e do mercado sempre foram frágeis, uma vez que tanto as instituições continuaram funcionando, quanto o mercado continuou lucrando, após o golpe parlamentar de 2016", finalizou.

    Leia Mais:

    Bancada amazonense apoia renovação do Auxílio Emergencial

    Bolsonaro chama Mourão de palpiteiro e diz para vice se candidatar

    Governo Federal negocia Ministério da Saúde com o Centrão

    Comentários