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    Nova pasta


    Criação do Ministério da Amazônia divide opiniões de parlamentares

    Apesar do novo Ministério ser defendido por deputados federais do Amazonas, muitos acreditam que as competências da nova pasta precisam ser mais amplas

     

    A pasta é defendida para garantir o desenvolvimento econômico da região
    A pasta é defendida para garantir o desenvolvimento econômico da região | Foto: Divulgação

    Manaus - A discussão acerca da criação do Ministério da Amazônia Legal tem dividido opiniões tanto em nível nacional, como em nível regional. A ideia está sendo defendida pelo deputado federal Átila Lins (PP-AM), mas nem todos os parlamentares da bancada amazonense no Congresso Nacional estão de acordo. O Governo Federal, no entanto, ainda não deu indícios de tirar a ideia do papel e os trâmites para a criação da pasta não têm nem previsão de serem iniciados.

    Na nova pasta, o foco seriam os temas relacionados ao desenvolvimento da região. Seriam discutidas as reformas na infraestrutura das principais rodovias, a mineração e desmatamento em terras indígenas, desenvolvimento e incentivo econômico relacionado às atividades agropecuárias e agrícolas, às vantagens econômicas da Zona Franca de Manaus (ZFM), ecoturismo da região, exploração mineral e outros assuntos relacionados.

    Os rumores da criação da nova pasta  iniciaram após a saída do general Eduardo Pazuello do Ministério da Saúde, mas a ideia ainda está sendo avaliada pela cúpula da Presidência da República. 

    Principal defensor da ideia na bancada amazonense, o deputado Átila Lins (PP-AM), que apresentou proposição legislativa pedindo a criação do Ministério, já afirmou que segue insistindo sobre o assunto junto ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O deputado explicou que a pasta terá atuação voltada, também, para as atividades industriais compatíveis com as características regionais, indo ao encontro com a Ordem de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

    “Estou insistindo junto ao presidente Jair Bolsonaro na criação do Ministério da Amazônia Legal, porque entendo que precisamos centralizar, em um só órgão, todas as ações que precisam ser implementadas para o desenvolvimento da nossa região. Reapresentei proposição legislativa, que sugere a criação de um ministério responsável pela Amazônia Legal. Este ministério, portanto, dará um tom desenvolvimentista mais alinhado com as questões da região, principalmente ambientais, buscando tomar decisões que se arrastam a décadas”, defendeu o parlamentar.

    Também favorável à criação, o deputado federal Delegado Pablo (PSL-AM) afirmou que a pasta traria atenção necessária para garantir a preservação e o desenvolvimento sustentável. “Acerca do Ministério da Amazônia, estamos na torcida de que nossa região receba mais atenção em todas as pautas de interesse nacional e mundial, principalmente quanto à preservação ambiental aliada ao desenvolvimento sustentável, geração de empregos, renda e oportunidades”, afirmou o parlamentar.

    O deputado Sidney Leite (PSD-AM) explicou que não vê necessidade na criação do Ministério da Amazônia. Segundo o parlamentar, a região amazônica possui diversas demandas que para atendê-las não seria necessária à criação de um novo ministério.

    “Os desafios são grandes. Nós temos problemas de infraestrutura, comunicação, enfim, demandas que não são pequenas. Agora, enquanto bancada, não vejo grande expectativa, se o Governo quiser fazer ele não precisa criar um Ministério, basta ter vontade política e decisão. Por exemplo, a BR-319, resolver o problema de apagão na região, dar solução para os aeroportos dos municípios que estão pendentes”, ressaltou o parlamentar. 

    O deputado José Ricardo (PT-AM) ressaltou que a pasta ainda não possui uma designação sobre sua atuação e de que forma irá agir. “Não sabemos nem para quê que vai servir esse Ministério porque até agora nenhuma estrutura do Governo Federal está ajudando a Amazônia”.

    Discussão na Aleam

    O deputado estadual Fausto Jr. (MDB) defendeu a criação da pasta caso seja garantido que, com ela, sejam assegurados os recursos fundamentais para que a região possa se desenvolver e não perder a força econômica garantida, principalmente, pela ZFM. 

    “Sou a favor da criação do Ministério da Amazônia Legal, desde que a pasta tenha autonomia e recursos para focar no desenvolvimento da região. Temos dois pontos principais que precisam ficar claros. O primeiro é que é possível e imprescindível desenvolver a região de maneira sustentável. O segundo é que a maior riqueza da Amazônia, são as pessoas que nela vivem. Acredito que o Ministério da Amazônia possa ter um papel fundamental para ajudar a captar investidores, desburocratizar, simplificar os processos e trazer recursos para o nosso Estado”, afirmou.

    Contrário à proposta, o deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) defendeu que a região amazônica deve ser foco de todos os ministérios, com atenção a cada segmento. “A Amazônia precisa ter a atenção de todos os ministérios”, disse.

    O próprio vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que Atualmente preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal, não recebeu a notícia com entusiasmo. ”Se for para direcionar a questão do desenvolvimento, será bem-vinda a criação do novo ministério. Caso contrário, será um camelo à procura de um deserto”, disse em entrevista. Se confirmado, o Ministério da Amazônia será o 23º do governo Bolsonaro

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