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    Cotão


    Uso de 'cotão parlamentar' gera debate entre vereadores na CMM

    O órgão destina, mensalmente, o valor de R$738 mil para custear despesas de vereadores

     

    Durante o recesso, 48% do total da verba em questão foi utilizada
    Durante o recesso, 48% do total da verba em questão foi utilizada | Foto: Divulgação

    Manaus - O uso da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) foi motivo de debate entre o vereadores  durante sessão plenária da Câmara Municipal de Manaus, nesta segunda-feira (5).  Uma discussão a respeito do chamado “cotão” teve início com a fala do vereador William Alemão (Cidadania), que ressaltou a necessidade do uso de recursos disponibilizados pela Cota de Exercício de Atividade Parlamentar (CEAP).

    Durante o recesso, 48% do total da verba em questão foi utilizada. Cada vereador tem direito R$18 mil mensais da CEAP, além do salário de R$15 mil brutos e outros R$60 mil disponibilizados para verba de gabinete.

    “Não ficamos em casa. Temos rodado em média 250km por dia, e mesmo eu estando aqui, minha equipe está na rua trabalhando. Isso vai de encontro ao que falei durante a campanha, que estaria na rua fiscalizando.  Ouvi esses dias um de nossos nobres colegas que não é preciso usar a verba da CEAP. Primeiro que ele não vem nem aqui, né?”, desabafou o parlamentar.

    A fala diz respeito a um relato recente do vereador Amom Mandel (Podemos), mais jovem vereador eleito em Manaus. De acordo com Mandel, 19, em postagem nas redes sociais, o valor da CEAP é desnecessário em face à realidade de gastos dos vereadores.

    “O não uso da CEAP é uma política minha que apresentei aos meus eleitores à época das eleições. Acredito que temos que economizar e dar o bom exemplo do que fazer com a coisa pública. Portanto, custeio meu mandato com meu próprio bolso. Acredito que os vereadores ganham muito bem, obrigado, e podem fazer o mesmo que eu”, comentou em entrevista para a reportagem do Em Tempo.

    Em resposta à fala do colega de câmara, William Alemão, o jovem parlamentar alegou, ainda, que o trabalho de um vereador não se limita a visitar a Câmara Municipal de Manaus, mas igualmente ao encontro com a população, visita a prédios públicos, e fiscalização da administração municipal. “Faço tudo isso, é só olhar em minhas redes sociais. Estou nas ruas! Inclusive neste feriado de domingo de Páscoa, estava na Colônia Antônio Aleixo”, retrucou Amom.

    Além de William Alemão, o vereador Capitão Carpê (Republicanos) discordou da política do jovem parlamentar com relação à abdicação do CEAP. "Nosso amigo William Alemão tem demonstrado muito zelo e comprometimento com a população manauara. Quem trabalha precisa de estrutura, e quem não trabalha, infelizmente, não precisa (do dinheiro)", alfinetou o ex-militar.

    O vereador Amom Mandel foi o único integrante da Câmara com gasto zero, desde janeiro. Mandel alega, ainda, que entrou para a política não com o objetivo de ganhar dinheiro, e sim para promover transformações. "Cada parlamentar tem uma forma de trabalho e atuação, e representam uma parte da população manauara que os elegeu. Ao menos as pessoas que me elegeram concordam com meu pensamento", finalizou.

    O valor do cotão, entre outros gastos, é destinado à divulgação de atividade parlamentar, combustível, locação de veículos e telefonia móvel dos vereadores eleitos.

    Cientista Político

    Com relação às verbas indenizatórias, de acordo com o cientista político Carlos Santiago, somando-se o “cotão” parlamentar ao salário dos integrantes da Câmara e verbas para gabinete, cada vereador chega a custar cerca de 1 milhão de reais aos contribuintes manauaras. “É um gasto que sai do bolso do contribuinte que espera que o parlamentar cumpra de forma decente o mandato, fazendo valer as suas principais atribuições: propor leis de interesses da coletividade, aprovar leis para melhorar a vida de todos e fiscalizar os atos do Poder Executivo”, discorreu Santiago.

    Ainda segundo o estudioso, parte de tais verbas deveria ser destinada ao combate ao Covid-19, tendo em vista o trabalho majoritariamente virtual da maioria dos parlamentos que poderia reduzir significativamente eventuais gastos. “Em época de pandemia, cabe ainda maior atuação do parlamentar, pois milhares de pessoas foram vítimas da Covid-19, enquanto outras estão sequeladas. Quem não está agindo como fiscal do povo nem deveria usar as verbas indenizatórias”, completou.

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