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    Pandemia


    Deputado estadual se posiciona contra a abertura de igrejas no AM

    A fala gerou discussões a respeito da reabertura de missas e cultos entre especialistas, trabalhadores e líderes religiosos.

     

    O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) discordou de decisão liminar do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STF), Nunes Marques, a qual libera missas e cultos presenciais pelo país durante fase crítica da pandemia.
    O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) discordou de decisão liminar do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STF), Nunes Marques, a qual libera missas e cultos presenciais pelo país durante fase crítica da pandemia. | Foto: Divulgação

    Manaus - A liberação de celebrações e cultos religiosos durante a pandemia tem despertado diversas reações na classe política e lideranças religiosas. O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) discordou de decisão liminar do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STF), Nunes Marques, a qual libera missas e cultos presenciais pelo país durante fase crítica da pandemia.

    Durante a sessão plenária de terça-feira (5), Serafim disse que a fundamentação do ministro não é coerente com as circunstâncias atuais. A decisão de Marques foi concedida no sábado (3).

    Na segunda-feira (6), o ministro Gilmar Mendes apresentou discordâncias com o colega, proferindo decisão que proíbe a realização de cultos e missas em São Paulo enquanto a pandemia não estiver controlada. Em sua fundamentação, o ministro afirmou que apenas uma postura negacionista autorizaria a realização de cultos religiosos.

    Concordando com Mendes, o líder do PSB afirmou sua esperança no bom senso geral, alegando não haver outra alternativa para o combate à pandemia, se não evitar aglomerações. “Igreja aglomera, sim. As pessoas não usam máscara e têm que usar e sobretudo, temos que vacinar a população. E foi exatamente pelo atraso na compra da vacina no ano passado que nós estamos vivendo esse momento de segunda onda”, concluiu o deputado.

    Articulações Políticas

    Para o cientista político Helso Ribeiro, a reabertura de igrejas em um período próximo torna-se inevitável devido à pressão de líderes religiosos na condução do Estado, ainda que este seja laico. “Dos 24 deputados estaduais da Aleam, acredito que o deputado Serafim Corrêa está entre os 4 mais lúcidos. Mas, honestamente, não sei se a fala do parlamentar fará um eco junto ao governo. Existem interesses que são diversos. Com igrejas fechadas, não há lucro”, comentou o especialista.

    Além de instituições religiosas, o estudioso ressalta a mesma dificuldade de contenção para a reabertura da rede pública de ensino. Segundo Ribeiro, entre outros fatores, isso se dá em virtude de uma influência do governo federal sobre a população. “O povo chegou a um ponto de esgotamento. Mas além disso, deve-se somar o discurso negacionista , que desde o primeiro caso de Covid-19 minimizou a pandemia”, finalizou.

    Líderes religiosos se posicionam

    Questionada a respeito da reabertura de atividades presenciais para instituições religiosas, a Arquidiocese de Manaus ressaltou a preocupação com a vida, afirmando que seguem atentos observando os números de contágio e óbitos.

    “Compreendemos a importância desses momentos (de lockdown), pois são mais que necessários para conter a disseminação do vírus. Durante a pandemia fechamos duas vezes. Nesta segunda onda, fechamos antes mesmo do governo decretar fechamento”, declarou a instituição em nota.

    A arquidiocese de Manaus deu retorno às missas presenciais na capital desde 13 de março. As celebrações estavam suspensas desde 5 de janeiro, após o aumento significativo de infecções por Covid-19 e consequente colapso do sistema de saúde no Amazonas.

    O deputado federal e pastor evangélico Silas Câmara (Republicanos) reforçou a atitude da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas (IEADAM) no respeito por protocolos e decretos. “Sou a favor de tudo aquilo que a ciência e as autoridades sanitárias do país dizem que é o certo, para neste momento salvarmos as vidas das pessoas. Tenho certeza de que o que foi decidido pela equipe técnica, pela ciência e acompanhamento dos profissionais de medicina e do governo, foi o mais correto”, afirmou o parlamentar e representante da entidade religiosa.

    Contradições de partido

    Em junho de 2020, o deputado estadual João Luiz (Republicanos) conseguiu na Aleam a aprovação de seu Projeto de lei (PL), o qual prevê que igrejas e templos de qualquer culto são essenciais em períodos de calamidade pública. À época de sua aprovação, 6 de maio, o projeto contou com apenas dois votos contrários, dos deputados Serafim Corrêa e Dermilson Chagas.

    De acordo com o texto da PL, a função dos templos não diz respeito apenas à assistência espiritual, mas também à questão social, emocional e mental. “Os templos não só fazem preces pela saúde dos enfermos como também reforça medidas de prevenção, bem como arrecadam doações para que sejam distribuídas às famílias carentes”, afirmou o pastor em sua justificativa.

    Já durante a segunda onda da pandemia pelo Covid-19, em fevereiro deste ano, o parlamentar protocolou o PL instituindo o Dia Estadual de Oração e Jejum pelo Amazonas. O projeto está em tramitação e aguarda aprovação da assembleia. 

     

    A arquidiocese de Manaus ressaltou a preocupação com a vida, afirmando que seguem atentos observando os números de contágio e óbitos.
    A arquidiocese de Manaus ressaltou a preocupação com a vida, afirmando que seguem atentos observando os números de contágio e óbitos. | Foto: Divulgação

    Educadores se posicionam

    Em Manaus, as escolas particulares deram início ao retorno facultativo das aulas presenciais desde março (5), em razão de decreto governamental que liberou a rede privada para atividades presenciais para crianças de até 5 anos. A rede pública de ensino, por outro lado, mantém suas atividades de maneira remota.

    Segundo Ana Cristina Rodriques, presidente do Sindicato de Trabalhadores de Ensino do Amazonas (SINTEAM), ainda é cedo para se falar em uma possível reabertura da rede pública de ensino.

    “A vida está em primeiro lugar, e ainda não é o momento para colocar a vida dos trabalhadores de educação em situação de vulnerabilidade. O país ainda vive um momento muito complicado e o estado do Amazonas tem uma ocupação de 85% de seus leitos com pacientes de Covid-19”, afirmou a educadora.

    Já de acordo a neuropsicóloga Danielle Verçosa, o aprendizado por meio do ensino online devido à pandemia afetou negativamente tanto crianças quanto adolescentes. Para a profissional, questões simples, apenas possíveis na própria escola,  fazem falta para o devido desenvolvimento cognitivo e comportamental dos jovens.

    “Em sala de aula a criança tem contato com o todo. É de fundamental importância a socialização, pois através dela que o indivíduo consegue formar sua identidade. Ela aprende até na hora do recreio, brincando ou em uma simples conversa com os colegas. Além disso, pensando na criança pequena, a comunicação e aquisição de linguagem para alfabetização é imprescindível! Por isso, é muito importante que haja convívio social”, enfatizou Verçosa.

    Além da dificuldade apresentada por crianças, a neuropsicóloga afirma que adolescentes também sofrem com o processo.  “A emoção e a afetividade são muito importantes para o aprendizado. Sem isso, é muito mais cansativo e tedioso para o adolescente aprender. Durante a pandemia, com o contato virtual, tudo é feito de maneira passiva, através de uma tela. Isso não é aprendizagem, e sim imposição de conteúdo. Estamos formando seres passivos, e não questionadores.”, completou, enfatizando que a falta de contato social traz, por consequência, o aumento de transtornos mentais como depressão e ansiedade.

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