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    Eleições 2018


    Voto indígena no Amazonas será decisivo nas urnas

    Propostas que foquem nas causas indígenas serão fundamentais para conquistar o eleitorado indígena

    Parque das Tribos
    Parque das Tribos | Foto: Janailton falcão

    Manaus - Com uma população de 180 mil pessoas em todo o Estado do Amazonas e, aproximadamente 81 mil, apenas na capital amazonense, o eleitorado indígena pode ser decisivo para a escolha de um novo governador nas eleições de 2018. 

    O presidente de honra do Instituto Poraquê e líder comunitário indígena do Parque das Tribos, localizada no bairro Tarumã, zona Oeste de Manaus, cacique Adriel Kokama, diz que, propostas que foquem na causa indígenas, serão fundamentais para conquistar esse eleitorado.

    Tribo indígena
    Tribo indígena | Foto: Janailton falcão


     
    O cacique esclareceu ainda  que os redutos indígenas recebem, em ano eleitoral, muitas visitas de candidatos a cargos políticos, mas aponta que esta ação é insuficiente. Para ele, é importante, a formulação de iniciativas que contemplem, por exemplo, a valorização cultural local e a geração de emprego para povos indígenas.

    “Quando os turistas vêm à Manaus, eles vêm conhecer nossos pontos turísticos, nossa floresta, os índios, culturas e costumes. Então, valorizar isto não é algo enriquecedor apenas para nós, mas para a sociedade amazonense de um modo geral”, explicou.

    Parque das Tribos
    Parque das Tribos | Foto: Janailton falcão

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    Ao enumerar mais questões poucos exploradas em benefício dos indígenas, o cacique Messias Kokama, também morador do Parque das Tribos, relata a existência de um impasse com relação às demarcações de terras, enfrentadas por índios residentes na capital amazonense. Sobre este assunto, ele cita uma briga judicial pela disputa do local, que hoje abriga mais de 35 etnias, no bairro Tarumã.

    Tribo indígena
    Tribo indígena | Foto: Janailton falcão


    A fim de solucionar o problema, ele comenta que a Procuradoria Geral do Estado (PGE) realizou a contagem métrica, iniciativa que deixou os moradores do local, esperançosos sobre a possibilidade de receber a documentação definitiva da terra.

    “Esperamos que em breve tudo esteja dentro dos padrões das leis. Contamos com o apoio dos órgãos públicos para isto, e também dos políticos, já que estamos em fase de mudanças no meio político, pois com este documento, podemos a construção de sedes que tragam mais educação, esporte e lazer para nossas crianças e jovens”, disse.

    Parque das Tribos
    Parque das Tribos | Foto: Janailton falcão

    Sobre o assunto, Adriel Kokama, outro integrante da tribo, completa afirmando, que mesmo com todas as informações divulgadas amplamente sobre a importância da valorização cultural, os indígenas ainda precisam afirmar que precisam de espaço para desenvolver-se culturalmente.

    “Hoje, vivemos travando diversos conflitos com o sistema político para provar que a ‘Mãe Terra’ é nossa. Eles precisam entender que o índio só precisa ter um espaço digno e com desenvolvimento sustentável para viver em suas aldeias”.


    Coordenação

     Para dar um olhar diferente às causas indígenas, em maio do ano passado, a Comissão de Direitos Humanos, Povos Indígenas e Minorias da Câmara Municipal de Manaus (CMM), entrou com uma indicação ao prefeito Arthur Neto (PSDB), por meio do vereador Plínio Valério (PSDB), solicitando a criação de uma coordenação indígena em Manaus para atender as demandas dos índios que moram na capital.

    Segundo o cacique Adriel Kokama, se a coordenação for formalizada, será possível um gerenciamento e controle maior das políticas públicas em Manaus para os indígenas que moram em áreas urbanas.

    “Assim poderemos buscar incentivos públicos para a criação de projetos, a criação de um parque temático neste espaço que temos no Parque das Tribos, proporcionando e  divulgando a cultura tradicional indígena”, diz Kokama, que tem como planos propor uma parceria com a Prefeitura de Manaus para enriquecer não apenas a cultura indígena, mas também a capital amazonense.

    Comissão na OAB 

    Para sair em defesa dos direitos indígenas, a Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM), conta com a Comissão de Direitos Indígenas, que tem como objetivo a defesa dos direitos coletivos dos povos. O advogado Isael Munduruku, membro da Comissão e morador do Parque das Tribos, destaca que entre as principais causas defendidas, está a questão de atividades ruralistas, que prejudicam famílias indígenas em decorrência de obras, atrapalhando o estilo de vida e fazendo muitas das vezes que elas tenham que se mudar de suas moradias por conta de uma decisão governamental.

     “Uma das causas processuais que estão em fase de estudo pela comissão, é a passagem do gasoduto que passa pelos trechos de Urucu, Coari e Manaus, que trouxe prejuízos de ordem material e moral aos indígenas, que tiveram que sair de suas casas em decorrência das construções”, disse o advogado.

     O preconceito contra os rituais indígenas também é motivação para processo judicial, onde ele destaca que muitas pessoas tentam demonizar as tradições e transformá-las em algo ruim para a sociedade.

    “Isto é algo muito comum e já ocasionou até mesmo em operações policiais no interior do Estado, onde indígenas foram presos junto com suas esposas por praticarem seus rituais, vistos como ‘macumba’ por outras pessoas. A sociedade precisa respeitar nossas culturas milenares, e entender que isto faz parte do nosso habitat”, finalizou ele.

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