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ISABELA BASTOS
14 de Novembro de 2018

A labradora Vênus, da Polícia Militar - Foto: Janailton Falão / Em Tempo

Eles são treinados para farejar explosivos, drogas, cadáveres, buscas de pessoas desaparecidas em selva, além de ajudarem em operações policiais

 


Eles estão nos filmes como heróis, mas também são protagonistas na vida real: os cães policiais podem ser vistos em vários locais, desde aeroportos até em operações policiais e escolas. Muito mais do que companheiros, esses animais são essenciais para o trabalho das forças de segurança do Amazonas.


As raças mais recomendadas para receber o treinamento especial são pastor alemão, labrador, pastor belga de malinois e pastor holandês. Em Manaus, os agentes caninos participam de operações policiais, resgate de pessoas, revista de passageiros, além de apresentações em eventos.


A Companhia Independente de Policiamento com Cães (CIPCães) da Policia Militar é um dos locais de moradia e adestramento desses animais. O local conta atualmente com 32 cães, sendo seis filhotes e quatro recém-nascidos. Eles são treinados para farejar explosivos, drogas, buscas de pessoas desaparecidas em selva e de cadáveres.


O pastor alemão Jack é um dos mais antigos do canil, com sete anos de idade, ele já atuou em inúmeras operações policiais. Basta uma ordem do treinador para que Jack entre em ação e salte sobre o alvo. No treinamento, ele aguarda o comando antes de partir para o ataque.

 


RECORDISTA


Assim como Jack, a labradora Vênus é treinada para encontrar entorpecentes. Basta que ela dê o sinal para que a polícia tenha certeza de que há drogas ou algo suspeito. Os labradores são conhecidos pelo faro apuradíssimo.


 


A Vênus é a recordista que temos aqui, ela ajudou a equipe a encontrar a maior apreensão de cocaína do Amazonas: quase uma tonelada enterrada em uma praia em uma comunidade ribeirinha em Iranduba”, revela o subcomandante do canil.

Tenente Elton Calado

 


Poucos dias após essa apreensão, Vênus também participou da descoberta de mais meia tonelada de cocaína, totalizando 1,4 toneladas da droga apreendida em menos uma semana.


Zeus durante treinamento do Batalhão de Cães da PM - Foto: Janailton Falão / Em Tempo

TREINAMENTO


O processo de treinamento começa quando o filhote faz três meses de idade. Nesse período inicial, o animal deve brincar e conviver com o policial que será seu parceiro constante. Por volta do quinto ou sexto mês até pouco mais de um ano, o cão começa a parte do adestramento.


Os primeiros comandos são sempre palavras curtas como “senta”, ou “upa” (para que o cachorro fique sobre as duas patas), ao obedecer a ordem, o cão é recompensado com um biscoito ou brinquedo.


Responsável pelo adestramento de cães especializados em apreensão de narcóticos, o Sargento Moisin conta que para o treinamento de cães farejadores, ele utilizada uma bolinha de tênis como recompensa.


“A princípio emparelhamos a bolinha ao lado da comida e deixamos que o brinquedo esteja sempre presente nos momentos agradáveis, assim mostramos a importância da bolinha que será usada durante a etapa de treinamento com odores”, explica.


No treinamento de faro, o cão só recebe o brinquedo após achar o local onde a droga está escondida. “A vida do cão de faro gira em torno do brinquedo que ele recebe. Mas não quer dizer que isso seja algo prejudicial, esses animais adoram ação e precisam estar sempre em movimento”, declara.

 


AEROPORTO


No Aeroporto Internacional de Manaus Eduardo Gomes, na Zona Oeste de Manaus, a dupla Odin e o analista tributário e condutor do agente canino, Roberto Cesarino é responsável por fazer a varredura nas bagagens de quem chega à capital amazonense ou quem pretende embarcar em um voo.


Com um faro apuradíssimo, o pastor alemão e seu condutor percorrem toda a área, indo até o depósito de bagagens revistar as malas.


“É muito comum encontrarmos algo em pessoas que estão nos bancos, aguardando para embarcar ou nas malas que estão no depósito”, conta Roberto. De acordo com ele, é mais comum prender mulheres tentando embarcar com drogas amarradas ao corpo.


Odin foi treinado no canil central da Receita Federal, localizado no Espírito Santo. Durante um ano e seis meses, ele recebe um treinamento intensivo de faro, após esse período, são formadas as duplas entre o cão e a pessoa que será seu companheiro.


No final do processo, as duplas são avaliadas e, se forem aprovadas, são encaminhadas aos centros de treinamento regionais. “Aqui nós reforçamos o faro dele principalmente para pegar cocaína, heroína, LSD, maconha e ecstasy”, salientou.


Semanalmente, a dupla faz apreensões de pacotes de drogas que podem passar despercebidos pelos scanners além de realizar operações na central dos correios. “Em cada apreensão pegamos entre 4kg e 5kg de entorpecente. A droga mais apreendida é a cocaína”, aponta.


O inspetor-chefe da Alfândega da Receita Federal no Amazonas, Eduardo Badaró Fernandes, destaca que desde a vinda do cão farejador como reforço na segurança do aeroporto, o número de apreensões de drogas quase que dobrou.


“A vinda do Odin para cá representou um avanço muito grande no número de apreensões, nossos números praticamente dobraram nesse último ano que ele esteve trabalhando conosco”, reforçou o inspetor-chefe, afirmando que a alfândega pretende adquirir mais um cão para atuar no aeroporto.


Museu Luso Sporting Clube
Agente canino da Receita Federal, o pastor alemão Odin - Foto: Janailton Falcão / Em Tempo

CUIDADOS E ALIMENTAÇÃO


O cão policial trabalha em média 8 anos, variando um ou dois anos dependendo da raça. Como o treinamento canino é intenso e reforçado diariamente, eles conservam sempre boa saúde e condicionamento físico, o que lhes permite uma vida longa.


A alimentação, explicou o funcionário da receita Federal Roberto, não é diferenciada de qualquer outro animal doméstico. “Ele come apenas ração e, como é cuidado regularmente, quase nunca adoece. Quanto ao veterinário, a cada seis meses é feito a vacinação", conta.


É impossível treinar um bom cão policial sem a liderança de uma pessoa responsável e dedicada ao serviço. Independente de raça, tamanho, cor ou idade, todo cachorro pode aprender a cuidar e dar amor. Devido a uma rotina disciplinar e treinamento qualificado, cães de muitas raças tornam-se verdadeiros profissionais, potencializando suas habilidades inatas.

APOSENTADORIA


Os cães policiais trabalham duro, mas assim como todo trabalhador, eles também podem se aposentar a partir dos 8 anos, que é o que ocorre vários animais da Companhia Independente de Policiamento com Cães (CIPCães).


Após serem aposentados, a corporação escolhe um novo lar para os cachorros, mas a pessoa tem que se resguardar em cuidar do animal, dar alimentação correta e fazer exercícios regularmente. Após um tempo, a equipe volta à nova casa dos cachorros para verificar as condições em que o animal está.


Cães Policiais
Odin e seu parceiro fazendo ronda no aeroporto de Manaus - Foto: Janailton Falcão / Em Tempo