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    Doação de sangue


    Você doa sangue? Conheça manauaras que fazem do ato um dever

    O Hemoam possui cerca de 500 mil doadores aptos e realiza cerca de 140 mil transfusões de sangue por ano

    Nesta quinta-feira, dia 14 de junho, é celebrado o Dia Mundial do doador de sangue
    Nesta quinta-feira, dia 14 de junho, é celebrado o Dia Mundial do doador de sangue | Foto: Ed Blair

    Manaus - Doar sangue é um ato simples, rápido e que pode salvar vidas, entretanto, mesmo com todo o trabalho de conscientização dos centros de saúde, a doação de sangue ainda é pouco praticada frente à demanda diária dos hospitais e hemocentros. Quem reserva um tempo para seguir todos os pré-requisitos exigidos para doar sangue, pode até não se considerar um “herói”, mas existe um dia para homenagear esses anônimos que “doam vida”.

    Nesta quinta-feira, dia 14 de junho, é celebrado o Dia Mundial do doador de sangue, criado em 2014 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A data escolhida é uma homenagem ao imunologista austríaco Karl Landsteiner, que nasceu no dia 14 de junho de 1868. Landsteiner descobriu o fator RH e as diferenças entre os vários tipos sanguíneos.

    Em Manaus, a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) recebe 200 a 250 doadores aptos diariamente, segundo a médica hemoterapeuta Socorro Viga. Uma bolsa de sangue pode ajudar até quatro pessoas. O Hemoam possui cerca de 500 mil doadores aptos e realiza cerca de 140 mil transfusões de sangue por ano.

    “Quando o voluntário realiza a doação, ele pode ajudar até 4 pacientes, já que cada bolsa contém 450ml de sangue”, afirmou a médica.

    Hemoam possui cerca de 500 mil doadores aptos
    Hemoam possui cerca de 500 mil doadores aptos | Foto: Ed Blair


    O homem pode doar quatro vezes ao ano, em um intervalo de dois em dois meses. A mulher, por outro lado, faz três doações ao ano, uma a cada trimestre. Essas regras são regidas pela portaria 158 do Ministério da Saúde.

    Ainda conforme a hemoterapeuta, apesar da grande demanda de bolsas de sangue, o comparecimento de doadores, geralmente, só aumenta quando há o incentivo por meio de campanhas. Ela ressaltou ainda o reforço da mídia para a importância do tema.

    “Como o Dia internacional do Doador de Sangue se aproxima, houve um aumento significativo no comparecimento de voluntários nos últimos dias”, afirmou.

    São inúmeras as motivações de quem torna-se um doador de sangue. A reportagem do Em Tempo reuniu alguns relatos de pessoas que já doaram e de pacientes que precisaram receber o ato de amor pela transfusão de sangue.

    O professor universitário Cláudio de Oliveira, de 39 anos, relata já ter doado sangue diversas vezes motivado por campanhas. Em uma das ocasiões, ele participou de uma ação organizada pelo clube do Flamengo.

    “Em 2015, participei de uma campanha de doação de sangue da torcida do Flamengo, onde o torcedor ia com a camisa do time ao Hemoam e declarava que queria doar pela campanha”, disse.

    Esses são os tipos de sangue
    Esses são os tipos de sangue | Foto: Divulgação



    Cláudio de Oliveira também doou sangue em nome de alguém que estava precisando.

    “Fiz uma doação recentemente para uma conhecida porque algum parente dela estava precisando. Quando fui doar, precisei declarar que ia doar sangue apresentando o nome completo da pessoa”, afirmou. Para Cláudio de Oliveira, doar sangue é um ato de empatia.

    “Não custa nada. As pessoas estão precisando e sabemos que o banco de sangue está desabastecido. Mas, muitas vezes, no corre-corre, durante os intervalos entre as doações, eu acabo esquecendo ou adiando. Dessa forma, eu acabo deixando de ser um doador regular. Apesar disso, eu pretendo voltar a ser um doador assíduo", afirmou.

    A advogada Anne Paiva Alencar, de 28 anos, não doa sangue há algum tempo, mas pretende voltar em breve. Ela ressalta a importância da doação.

    “Eu sempre faço a doação de sangue, acho legal ajudar o próximo. Deveria ser uma atitude corriqueira para todos nós. Estou doando algo que não me faz falta, mas que faz diferença para a vida das pessoas. Queria que mais gente visse a doação de sangue como algo comum”, disse.

    A professora de história Lia Pimentel, de 27 anos, tornou-se doadora de sangue quando a unidade móvel do Hemoan, conhecida como “Vampirão”, estava na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

    “Eu estava chegando na faculdade, passei pelo ‘Vampirão’ e fui ver como era. Eu tenho horror à agulha, mas não doeu nada. Foi muito tranquilo. Então gostei e passei a doar sempre que posso”, disse Lia Pimentel. 

    São inúmeras as motivações de quem torna-se um doador de sangue
    São inúmeras as motivações de quem torna-se um doador de sangue | Foto: Ed Blair


    O estudante universitário Frank Wyllys, de 23 anos, doa sangue pelo menos uma vez ao ano desde 2014. Ele vê o ato de doar sangue como algo solidário.

    "Tenho prazer em ajudar. Se posso ajudar as pessoas doando sangue, assim farei. No fim, seja por solidariedade ou ajuda, é uma ação individual minha, que tende a contribuir com o próximo”, pontuou.

    Projeto solidário

    A analista de sistemas Adria Marcelino, de 35 anos, doa sangue uma vez por ano por meio do projeto “Vida por vidas”, uma iniciativa da Igreja Adventista. O projeto é uma iniciativa criada pelos Jovens Adventistas, em 2005, que promove a mobilização e a participação de voluntários para a doação de sangue e hemoderivados, em hospitais e hemocentros.

    Atualmente, o projeto acontece em oito países da América do Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai. Em Manaus, mais de 2 mil bolsas são arrecadadas todos os anos. O empenho dos jovens, desde a primeira edição, já coletou mais de 10 mil bolsas de sangue para os estoques do Hemoam.

    Agradecimento pela vida

    A dona de casa Marina Souza, de 60 anos, descobriu um mieloma há 6 meses e, desde então, precisou fazer seis transfusões de sangue para conseguir repor a perda dos glóbulos vermelhos no organismo.

    “Essa doença ‘sugava’ o meu sangue e eu perdia cada vez mais. Se não fosse a transfusão de sangue, eu poderia ter morrido. No dia em que eu fui fazer a primeira transfusão no hospital João Lúcio, graças a deus, havia bolsas de sangue compatíveis com o meu. Entretanto, somente essa transfusão não resolveu. Eu precisei depois receber outras cinco bolsas de sangue. A partir daí, meu corpo voltou a produzir o próprio sangue”, afirmou.

    "Doe vida, doe sangue" é o principal slogan dos hemocentros
    "Doe vida, doe sangue" é o principal slogan dos hemocentros | Foto: Ed Blair


    O universitário Nelson Rodrigues, de 23 anos, frequentemente doa sangue. Porém, ele passou por um momento onde os papéis se inverteram. Ele precisou fazer uma transfusão de sangue, pois passou por uma cirurgia na perna.

    “Doar sangue para mim também é como uma forma de retribuir o favor, já que precisei de sangue quando fiz a cirurgia. Por meio de uma campanha de doação, pedindo a ajuda de vizinhos, conhecidos e amigos, consegui atingir a meta de bolsas que eu precisava para a cirurgia. Perdi muito sangue na cirurgia e precisei repor, não sei o que ocorreria se eu não tivesse conseguido bater a meta com essa campanha”, disse.

    Como ser doador

    Conforme informações retiradas do site do Hemoan, os pré-requisitos para doar sangue são:

    - Ter boa saúde, idade entre 18 a 69 anos e peso a partir de 50 quilos.

    - O candidato a doação deve estar bem alimentado e munido de documento de identidade.

    - Jovens de 16 e 17 anos podem doar com autorização formal do responsável ou representante legal.

    Não pode doar sangue a pessoa que:

    - Teve hepatite depois dos 10 anos de idade;

     - Tem comportamento sexual de risco;

     - Usa drogas;

    - Teve malária, recebeu transfusão sanguínea ou teve doenças sexualmente transmissíveis nos últimos 12 meses; 

    - Teve febre nos últimos 30 dias;

    “O sangue é importante. Todos nós somos potenciais doadores de sangue e potenciais receptores. Sem a boa vontade das pessoas para doar, muita gente pode morrer. Temos doadores que já doaram mais de 100 vezes. Se cada bolsa pode salvar quatro vidas, imagina quantos pacientes foram salvos. Doar é um ato de amor, é contribuir com a sociedade”, finalizou a hemoterapeuta Socorro Viga.

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