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    Fala Dr.


    Você sabe qual ritmo do seu coração? Especialista no AM explica

    A arritmia cardíaca atinge mais de 20 milhões de brasileiros, e é uma doença relacionada a velocidade dos batimentos cardíacos durante o bombeamento do sangue para o corpo humano

    O coração de um adulto saudável bate de 60 a 100 vezes por minuto | Foto: Divulgação

    Manaus - Sabe aquela sensação de batimentos cardíacos acelerados, respiração desregulada e suor excessivo após subir alguns lances de escada? Muitas pessoas podem confundir essas reações naturais com a arritmia cardíaca, doença que afeta o ritmo do coração, órgão pequeno em tamanho e gigante em suas funções para o corpo humano.

    A arritmia cardíaca atinge mais de 20 milhões de brasileiros, e é uma doença relacionada ao ritmo mais rápido, mais lento ou uma oscilação entre os dois extremos dos batimentos do coração, associados a outros sintomas como cansaço, indisposição, tonturas, desmaios entre outros.

    O coração de um adulto saudável bate de 60 a 100 vezes por minuto, mas esse parâmetro pode ser alterado dependendo da idade, mas principalmente da rotina e hábitos alimentares do paciente, conforme explica o cardiologista Rizzieri Gomes.

    “A arritmia cardíaca é uma doença comum, não necessariamente maligna e está associada aos hábitos de vida, que vem piorando. O fator de risco para a doença está relacionado com os maus hábitos como alimentação inadequada, sedentarismo, excesso de peso, consumo elevado de sódio, bebida alcoólica e cigarro”, disse Gomes.

    Médico há 15 anos, Rizzieri Gomes dedica-se à cardiologia há dez anos
    Médico há 15 anos, Rizzieri Gomes dedica-se à cardiologia há dez anos | Foto: Reprodução/ Facebook

    Segundo o cardiologista, o descompasso do coração é mais frequente em pessoas com idade entre 55 e 60 anos, mas os jovens não estão imunes à doença.

    “Antigamente não haviam tantos diagnósticos porque as pessoas morriam mais cedo. Hoje a expectativa de vida é maior, e quanto mais velhos, mais expostos estamos aos fatores de risco. Apesar da incidência da arritmia ser entre idosos, os jovens precisam estar atentos. Crianças e adolescentes fazem pouca ou nenhuma atividade física e não consomem alimentos saudáveis” explicou Rizzieri.

    Tipos e Sintomas

    Quando se fala em arritmia, é comum pensar apenas em coração acelerado, mas a arritmia pode ser também o batimento mais lento ou uma junção das duas situações, quando a pessoa sofre com batimentos acelerados e lentos ao mesmo tempo, conforme explica o médico Rizzieri Gomes.

    “Palpitação, escurecimento de vista, suor frio, sensação de desmaio ou pré desmaio e eventualmente uma dor aguda no peito são os sintomas para uma pessoa que sofre com o coração acelerado. Um coração que bate mais lento faz com que o sangue não chegue nas extremidades do corpo, inclusive no cérebro, e o organismo entende que é preciso se desligar, ou seja, a pessoa fica mais lerda, com a vista escurecida até que desmaia” elencou o cardiologista.

    Algumas pessoas podem confundir reações naturais do corpo humano com um ataque de arritmia cardíaca
    Algumas pessoas podem confundir reações naturais do corpo humano com um ataque de arritmia cardíaca | Foto: Divulgação

    Tratamentos

    Após uma avaliação médica é possível uma infinidade de tratamentos para equilibrar os ataques de arritmia. Para o coração acelerado o médico pode prescrever medicamentos associados a uma mudança de estilo de vida.

    Em quadros mais sérios, é indicado um procedimento chamado de ablação, conhecido popularmente por cateterismo, como explana Rizzieri.

    “A ablação é um tratamento indolor. Um aparelho de rádio frequência isola os pontos de arritmia com cateteres, o que possibilita que o paciente fique liberto durante um período longo de vida sem ataques. Não podemos falar em cura, pois existe uma pequena taxa de reincidência, mas é um procedimento que na maioria das vezes melhora em praticamente 100% a qualidade de vida”, disse.

    Para o  paciente que apresenta uma arritmia maligna relacionada ao coração mais lento, que pode levar a uma morte súbita, os médicos indicam o uso de um marca-passo.

    “Quando o ritmo é muito lento, eventualmente é preciso a implantação de um dispositivo externo implantado no peito. O marca-passo desfibrilador constata que o coração está parando e “dispara” uma carga elétrica que tira o órgão de uma morte súbita”, explicou o cardiologista.

    Imagens representando uma ablação e um marca-passo para o tratamento de arritmias cardíacas
    Imagens representando uma ablação e um marca-passo para o tratamento de arritmias cardíacas | Foto: Divulgação

    De acordo com a Associação Brasileira de Arritmia Cardíaca, nos casos que ocorrem as duas situações, o paciente pode receber um cardioversor desfibrilador, no qual atua em dupla função, às vezes como marca-passo e estimulando o coração muito lento, mas principalmente na prevenção de paradas cardíacas em pacientes de alto risco de arritmias ventriculares fatais, onde o coração fica muito acelerado.

    Relato

    A aposentada Maria Zuleika da Silva, de 70 anos, lembra como se fosse hoje os sintomas que a levaram a procurar um médico há 15 anos, quando descobriu os motivos de sempre passar mal e acabar em uma urgência de hospital.

    "Eu sempre me senti estranha, parecia que meu coração queria realmente sair pela boca e suava frio. Não sei a sensação, mas parecia que eu sempre estava tendo um ataque do coração. Foi quando o médico me diagnosticou com arritmia cardíaca, meu coração mais que ultrapassava os 100 batimentos por minuto", explicou a aposentada.

    Há 15 anos dona Maria Zuleica passou por um procedimento para tratar o coração acelerado e hoje segue todas as indicações médicas
    Há 15 anos dona Maria Zuleica passou por um procedimento para tratar o coração acelerado e hoje segue todas as indicações médicas | Foto: Reproduçã/ Facebook

    Após um procedimento de cateterismo, a idosa segue a risca as indicações médicas e mesmo depois de quinze anos sem nenhuma disfunção cardíaca, os cuidados continuam em prática na sua rotina.

    "Graças a Deus eu não tive mais nenhum problema depois do cateterismo. Toda noite eu tomo um remédio prescrito pelo meu cardiologista. Ele proibiu o consumo de café, chocolate, chá preto, refrigerante, tudo que possa desencadear um descompasso e acelere meu coração. Há exatos quinze anos eu vivo de bem com meu coração", disse Maria.

    Confusões

    Muitas pessoas podem confundir um ataque de ansiedade com uma arritmia cardíaca. “É frequente um grande número de pessoas que relatam o coração sair pela boca, quando na verdade é uma crise de pânico ou de ansiedade diante de alguma situação incomum na rotina”, explicou o cardiologista Rizzieri Gomes.

    Existem alguns ataques de arritmias que podem ser confundidas com um infarto. “A frequência cardíaca é tão rápida que chega a dar uma dor profunda no peito e falta de ar, mas na verdade é uma arritmia. E um sedentário, ao mínimo de esforço tem um aumento natural da frequência cardíaca. As vezes a pessoa acha que está tendo um ataque, mas na verdade é um paciente que não tem condição física pela pouca prática de atividades físicas”, finalizou Gomes.

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