Fonte: OpenWeather

    Fala Dr.


    Diabetes causa cegueira? Médico do AM explica a retinopatia diabética

    Há casos onde os pacientes descobrem que são diabéticos por conta de problemas visuais

    | Foto: Marcely Gomes/ Em Tempo

    Assim como o diabetes, a retinopatia diabética não tem cura, mas pode ser tratado e controlado, conforme explica o oftalmogeriatra Swammy Mitozo
    Assim como o diabetes, a retinopatia diabética não tem cura, mas pode ser tratado e controlado, conforme explica o oftalmogeriatra Swammy Mitozo | Foto: Andreza Cunha/ Em Tempo

    Manaus - Já imaginou não poder trabalhar, ver TV, nem dosar a quantidade de remédio e ainda deixar de fazer coisas simples do dia-a-dia por estar cego em decorrência do consumo excessivo de açúcar? Parece mito, mas é uma possibilidade real. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), mais de 13 milhões de brasileiros têm diabetes, que se não controlada causa a retinopatia diabética, doença que afeta os olhos, podendo levar a perda parcial ou total da visão.

    Diagnosticada com diabetes tipo 2 há 15 anos, a amazonense do Seringal do Pupunha, localizado no município de Carauari (a 788 km de Manaus), Raimunda Santos, de 61 anos, sofre há cinco anos com a perda de visão, que segundo o, é uma das consequências do diabetes.

    "Nos dias que eu acordo com vista totalmente negra ou ela fica turva de repente é porque minha glicose está muito alta. Apesar de tomar insulina duas vezes ao dia e ainda tomar uma pílula, hoje eu não vejo mais os rostos das pessoas e televisão pra mim virou um rádio, que eu só ouço, porque enxergar mesmo eu não enxergo", explicou a dona de casa.

    | Foto: Marcely Gomes/ Em Tempo

    De acordo com Raimunda é muito difícil perder a independência por conta da cegueira, que vem aumentando com o passar do tempo. 

    "Eu trabalhei na roça no interior, fui feirante aqui em Manaus e de repente eu não consigo aplicar a injeção de insulina. Não poder sair pra trabalhar, ficar totalmente dependente dos outros é muito triste. Hoje meus filhos dizem que tudo o que eu tinha que trabalhar já trabalhei e que agora eles vão me ajudar, mas é difícil me conformar com isso. Eu tenho medo de ficar cega, porque é muito triste ficar em casa só pensando em doença", relata Raimunda.

    A doença

    De acordo com o oftalmologista geriátrico Swammy Mitozo cerca de 60% dos diabéticos tipo 2 vai desenvolver a retinopatia diabética em alguma fase da vida e esse dado é ainda maior para os pacientes do tipo 1, podendo chegar a 90% de pessoas com complicações oculares.

    "A retinopatia diabética pode gerar algumas complicações como deslocamento de retina, edema na mácula e lesões hemorrágicas. O excesso de açúcar que circula no sangue faz com que os pequenos vasos da retina fiquem muito delicados e lesionados causando obstrução, edema, ruptura, sangramento e nos casos mais graves a cegueira total", explicou o oftalmo.

    Mitozo disse que o paciente diabético sofre com a doença há bastante tempo e a retinopatia demora a se manifestar. Há casos onde os pacientes descobrem que são diabéticos por conta de problemas visuais.

    "As vezes demora até cinco anos para aparecer alguma manifestação física, pois é uma doença progressiva. Levando em conta que é uma enfermidade que muitas vezes não tem diagnóstico prematuro, a ideia hoje em dia é fazer com que as pessoas façam seus check-ups e se atentem para as complicações, porque a retinopatia diabética é uma das muitas mazelas que o diabetes pode causar", disse o médico.

    Cuidados

    Assim como o diabetes, a retinopatia diabética não tem cura, mas pode ser tratado e controlado, conforme explica o oftalmogeriatra.

    "Para você não sofrer com retinopatia diabética é importante controlar a glicemia. Para o paciente que também é hipertenso deve controlar a hipertensão, o colesterol e os triglicerídios. Além de tudo isso é importante fazer atividades físicas e ter uma alimentação balanceada. Fazendo isso, raramente um paciente vai evoluir rapidamente para a retinopatia diabética", elencou Mitozo.

    | Foto: Marcely Gomes/ Em Tempo

    Ainda segundo o médico toda pessoa precisa fazer um check-up anual para saber se é diabético ou não, antes de tudo. A partir desse momento fazer o tratamento do diabetes com as indicações médicas adequadas.

    "Diagnosticado com diabetes, é importante que o paciente procure um oftalmo para avaliar a retina e depois dos resultados fazer exames periódicos para acompanhar a saúde dos olhos. Quanto mais cedo o diagnóstico, menos complicações surgem passando e mais tardio a doença evolui para a cegueira", disse Swammy.

    Não precisa ter diabetes para tomar cuidado

    O médico alerta a população, independente de diabético ou não, sobre a importância de se consultar com um oftalmologista.

    "Independentemente da idade e se use ou não óculos, o ideal é ir a um profissional verificar a situação dos olhos pelo menos uma vez ao ano. Pessoas que ficam muito em celular e computador podem sofrer com olho seco e precisar de um colírio. Para não comprar colírio sem qualquer indicação, o melhor é procurar um oftalmo" disse Mitozo.

    O médico indica aos idosos que eles "tenham bons hábitos de vida, façam atividades físicas, tenham uma alimentação balanceada, controlem a hipertensão, o colesterol e triglicerídeos. essa é uma regra que funciona 100%. O paciente tem qualidade de vida, vive bem e sem complicações", finalizou o oftalmogeriatra.

    Leia mais

    Você sabe qual ritmo do seu coração? Especialista no AM explica

    Amazonas está entre os estados com redução de óbitos por AIDS

    Mortes de crianças por câncer reduzem 13% em 10 anos

    Comentários