Fonte: OpenWeather

    Coronavírus


    Pacientes com doenças crônicas se preocupam com consultas marcadas

    Com a pandemia da Covid-19, pacientes com doenças crônicas revelam preocupação com os acompanhamentos médicos que já estavam marcados e medos por fazerem parte do grupo de risco

    Portadores de doenças crônicas relatam a dificuldade em manter o tratamento durante o isolamento social provocado pela Covid-19 | Foto: Lucas Silva

    Manaus – Em menos de quatro semanas, o Amazonas se tornou o estado da região Norte com o maior número de infectados por coronavírus (Covid-19), de acordo com o Governo Estadual. O aumento exponencial preocupa a Secretaria de Saúde do Estado (Susam), mas também aflige pessoas que já apresentam doenças crônicas e precisam do sistema de saúde para fazer acompanhamentos médicos. Elas revelam a preocupação por fazer parte do grupo de risco e pela incerteza do que pode acontecer com a saúde no estado.

    Gisele Raquel Ramos, 42 anos, sofre de Doença de Still do Adulto, uma forma mais agressiva da Artrite Reumatoide (RA). Ela afirma que faz acompanhamento no Ambulatório Araújo Lima e que seu retorno seria no dia 23 de abril. “O meu acompanhamento ocorre a cada três meses, a última consulta foi em janeiro. Se eles remarcarem, precisarei refazer todos os meus exames, pois dependendo do tempo eles irão perder a validade”, esclarece.

    Gisele necessita de sua medicação para os próximos três meses
    Gisele necessita de sua medicação para os próximos três meses | Foto: Lucas Silva

    O esposo de Gisele foi ao Ambulatório Araújo Lima e relatou que o local estava fechado desde março e que há somente um aviso na entrada do local com alguns números de telefone. Não há especificações e, segundo ela, a equipe também não entrou em contato para explicar o que irá acontecer com as consultas futuras.

    Gisele sofre de Doença de Still do Adulto
    Gisele sofre de Doença de Still do Adulto | Foto: Lucas Silva

    Preocupação

    “Eu me preocupo, porque realmente preciso da minha medicação. Eles me dão uma receita, equivalente aos três meses e tenho que ir buscar na Central de Medicamentos do Amazonas (Cema), contudo não terei como me preparar para o próximo mês sem essa receita”, desabafa.

    Ela também explica que está de quarentena há várias semanas, pois tem receio de contrair o novo coronavírus e sua situação se agravar. “Dentre um dos medicamentos que tomo, há um imunossupressor e ele faz com que minha imunidade se mantenha baixa, como uma forma de equilibrar minha doença. Isso me preocupa, porque sabemos que o vírus ataca pessoas com baixa imunidade”, revela.

    Raine Leão, 34 anos, é supervisora de caixa e sofre de rinite e asma. Ela não faz acompanhamento médico, mas atualmente tem sentindo suas crises mais frequentes e, quando é necessário, vai até o Serviço de Pronto Atendimento (SPA) mais próximo de casa. “Logo que iniciou a quarentena, eu estava em crise de rinite. Por ter doenças que causam alguns sintomas semelhantes ao do coronavírus fico sempre muito preocupada e, principalmente com a minha filha dentro de casa”, conta.

    Ela revela que a filha tem Paralisia Cerebral (PC) e que sente muito medo da filha adquirir a doença. A menina tem 12 anos e segundo a mãe, faz fisioterapia, mas as sessões estão suspensas por tempo indeterminado. “O acompanhamento ocorre via ligação, a médica fala e eu faço as estimulações nela para não parar totalmente. Graças a Deus ela não toma medicamentos”, afirma.

    Ivany revela que todas as consultas e exames foram suspensos
    Ivany revela que todas as consultas e exames foram suspensos | Foto: Lucas Silva

    Ivany Souza, 41 anos, professora e pedagoga, se sente extremamente preocupada com a sua saúde durante a pandemia da Covid-19. Ela tem asma, problemas cardíacos, diabetes, hipertensão e problemas ósseos. “Faço acompanhamento contínuo com equipe multidisciplinar. Inclusive, aguardava autorização para uma pequena cirurgia na mão, um procedimento na coluna e avaliação de problemas no pé. No entanto, com a pandemia, todas as consultas e exames foram suspensos”, diz.

    A professora declara que tem evitado ao máximo sair de casa
    A professora declara que tem evitado ao máximo sair de casa | Foto: Lucas Silva

    A professora declara que tem evitado ao máximo sair de casa e que compra todas os seus medicamentos para passar o mês e não precisar sair novamente. Ela redobrou os cuidados com a alimentação e tem seguido rigorosamente as medidas de prevenção do Ministério da Saúde. Ivany está inclusive tentando lidar com as crises em casa, assim evitando ir ao hospital.

    “Procuro, para não piorar e cuidar da minha saúde emocional, uma vez que a ansiedade só piora meu quadro de baixa imunidade. Tenho realizado atividades que me proporcionem prazer e controle das emoções, bem como: conversas amenas com familiares e amigos, leituras, séries, músicas e filmes. Filtro as informações dos meios de comunicação e tenho evitado acompanhar o repasse indiscriminado de notícias sobre a pandemia”, descreve.

    Quimioterapia

    Os tratamentos de quimioterapia e radioterapia também continuam ocorrendo normalmente no FCecon
    Os tratamentos de quimioterapia e radioterapia também continuam ocorrendo normalmente no FCecon | Foto: Divulgação

    Jackson Monteiro, 36 anos, revela que o pai, Francisco Ademir, fez uma cirurgia em janeiro por conta de um câncer no estômago e que o mesmo começaria suas sessões de quimioterapia a partir do mês de abril. “Até agora não sei como vai ficar a situação do meu pai, pois a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) ainda não nos deu nenhum retorno. Tenho medo de levar ele até o hospital para resolver e nada acontecer”, afirma.

    Ele diz que o pai já tem 77 anos e está no grupo de risco do coronavírus, por isso se preocupa que ele não possa fazer o tratamento agora, pois precisa estar em isolamento social. Além disso, Jackson relata que o pai só conseguiu ser operado a tempo, porque fez todos os seus exames na rede particular de saúde.

    “No FCecon os pacientes sofrem muito com o atraso nos exames, porque a demanda lá é muito grande, sabemos disso. Muitos podem morrer por conta dessa demora e isso me deixa muito indignado. É preciso dar mais atenção ao local e ajudar essas pessoas”, encerra.

    Segundo a FCecon, desde quarta-feira (8), quando houve a reorganização das consultas, todos os pacientes e acompanhantes que adentram a Fundação passam antes por uma triagem ambulatorial, onde são verificadas temperatura e se há sintomas gripais, como febre e tosse. Os pacientes que tiverem indícios de gripe são encaminhados ao serviço de Urgência da FCecon para verificação.

    Além disso, as consultas ambulatoriais estão ocorrendo com horário marcado para todas as especialidades e os pacientes estão sendo informados por telefone sobre as datas. Os tratamentos de quimioterapia e radioterapia também continuam ocorrendo normalmente. Por fim, as consultas na Oncologia Clínica e na Terapia da Dor também ocorrem normalmente e o serviço de Urgência da FCecon continua funcionando 24 horas por dia, em sua totalidade.

    Comentários