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    Coronavírus


    Aumenta atendimento a casos graves de transtornos mentais na pandemia

    Nova pesquisa mostra que, durante a pandemia, aumentou em 43% os casos urgentes relacionados a transtornos mentais como ansiedade e depressão

    | Foto: Agência Brasil

    Manaus - Em novo estudo, uma universidade do Reino Unido apontou que aumentou o número de casos de emergência relacionados a transtornos mentais durante a pandemia do novo coronavírus. Idosos e jovens estão entre as maiores preocupações como 'grupos de risco' relacionados a instabilidades emocionais.

    A pesquisa foi feita pelo Royal College of Psychiatrists (Colégio Real de Psiquiatras), no Reino Unido. Os dados foram coletados com 1,3 mil médicos de saúde mental de todo o Reino Unido. Como resultado, o estudo constatou que cresceu, durante a pandemia, em 43% o aumento de casos urgentes relacionados à transtornos mentais. Já as consultas de rotina tiveram uma redução de 45%.

    "Já estamos vendo o impacto devastador da Covid-19 na saúde mental, com mais pessoas em crise", disse a professora Wendy Burn, presidente da Instituição, ao site BBC News.

    Ela conta que um dos médicos entrevistados relatou que "muitos dos nossos pacientes desenvolveram distúrbios mentais como resultado direto da interrupção da rotina gerada pelo coronavírus, do isolamento social, do aumento do estresse e da falta de remédios".

    Pandemia pode potencializar transtornos

    Um dos motivos para os novos casos de emergência pode ser a potencialização de crises durante a pandemia de coronavírus. É a perspectiva que aponta Wilson Gonzaga, médico psiquiatra com 37 anos de experiência. Segundo ele, o aumento de atendimentos foi sentido em sua clínica.

    Médico é especialista no tratamento de pacientes com ansiedade e depressão
    Médico é especialista no tratamento de pacientes com ansiedade e depressão | Foto: Divulgação

    "Posso te afirmar que aumentou e muito. Especialmente no quesito ansiedade e depressão. Quase todas as pessoas com esses transtornos apresentaram algum grau de piora. E temos ainda o fenômeno de novos casos surgindo", afirma o médico.

    Para ele, a pandemia piora os sintomas  dos transtornos por trazer consigo uma pressão de que o mundo todo está preocupado com a doença. Isso, por si só, já causaria sentimentos ruins que podem levar a crises.

    "Somado a isso, temos também uma enxurrada de informações que vamos recebendo. E as pessoas, é de se entender, ficam ali consumindo aquelas notícias. Então, um conselho que tenho dado é: informe-se e pronto. Pare de ficar reverberando com essas notícias", sugere o especialista.

    Atendimentos de urgência

    O psiquiatra conta que emergências tem se tornado mais comuns durante a pandemia. Ele conta que, mesmo fora do horário de trabalho, tem recebido telefonemas de pacientes que pedem ajuda para lidar com crises.

    "Como é um caso excepcional, eu me prontifico a atender. E às vezes somente uma orientação telefônica já pode ajudar a acalmar a pessoa, quem sabe até salvar uma vida. Esses casos realmente aumentaram, mas eu não chamaria urgências e sim algo mais relacionado ao medo", diz o médico.

    Ele aprofunda as sensações de estresse, ansiedade e medo. O psiquiatra cita estudos que, segundo ele, mostram que dez minutos sentindo essas sensações ruins, em especial o medo, faz com que a produção de imunoglobulina Ativa (IGA) baixe por seis horas. Nesse cálculo, 40 minutos de medo podem gerar um dia inteiro de imunidade baixa.

    Muitos ainda não procuram ajuda

    Para a Dra. Roselis Bitar, médica psiquiatra e psicoterapeuta, a demanda de pessoas com problemas ansiosos cresceu exponencialmente porque, segundo ela, "estamos vivendo um tempo que exige adaptação às circunstâncias, expectativas quanto ao que nos é exigido a cada novo dia e resiliência para com as sucessivas novas demandas emocionais ao lidar com o desconhecido".

    Médica tem 36 anos de experiência em psiquiatria
    Médica tem 36 anos de experiência em psiquiatria | Foto: Divulgação

          E ela cita os principais tipos do quadros ansiosos, como síndrome do pânico, fobias e ansiedade generalizada como exemplo de estados mentais pelo "sofrimento antecipatório" ao eventual contato com a Covid-19. Para a médica, estes sofrimentos requerem cuidados profissionais cujo tratamento médico e psicológico exigem intervenção técnica e abordagem terapêutica diferenciada. 

         “As mudanças de conduta frente à pandemia, pelo distanciamento e isolamento sociais exigidos têm dificultado, aos que sofrem, localizar os psiquiatras para receber os devidos cuidados”, explica a psiquiatra. 

    Ela cita ainda a tele consulta, que foi autorizada pelos órgãos médicos máximos do Brasil, como a Associação Brasileira de Psiquiatria. O atendimento on-line e feito por vídeo-chamada e eventuais receitas médicas são assinadas digitalmente.

    “Tenho apresentado este recurso também aos meus pacientes para que não interrompam seu tratamento, pois muitos têm prescrição de medicamentos de uso contínuo”, comenta a médica.

    Dicas essenciais

    Wilson Gonzaga, o médico psiquiatra lembra ainda de dicas que ele costuma dar aos seus pacientes há anos. Segundo ele, todas podem ajudar durante a pandemia do novo coronavírus. A primeira delas já é feita por muitos, ressalta o médico.

    "No Brasil e no exterior você vê essa nova cultura de ser fitness, ou seja, saudável. Isso ajuda bastante, cuidar do próprio corpo. Aliado a isso, você pode também meditar. Buscar acalmar a mente por uns dez minutos. É hora de lidar consigo mesmo, confiar e resolver os problemas antigos. Confiar que tudo isso passa e tudo voltará a um novo normal", finaliza o médico.

    Caso precise de ajuda profissional durante a pandemia, o Centro de Valorização da Vida (CVV) disponibiliza atendimento gratuito através do número 188, 24h, todos os dias da semana. Mais informações, acesse o site da Instituição de apoio social.

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