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    Avanços


    Covid-19: Vacina chinesa pode ficar pronta no fim deste ano

    Especialistas do Amazonas comentam sobre a imunização contra o novo coronavírus

    Revista científica The Lancet publicou um artigo sobre uma vacina chinesa que apresentou resultados promissores contra o vírus | Foto: Divulgação

    Manaus – No mundo todo, pesquisadores têm realizado estudos para encontrar uma vacina para combater a proliferação do novo coronavírus. No dia 22 de março a revista científica The Lancet publicou um artigo sobre uma vacina chinesa que apresentou resultados promissores contra o vírus durante os testes iniciais e pode estar disponível até o final deste ano. Especialistas amazonenses abordaram sobre a evolução dos estudos e destacam os desafios de encontrar uma imunização eficaz.

    O estudo foi realizado por pesquisadores chineses que apontaram a capacidade do composto de induzir respostas imunológicas em humanos, sem colocar em risco a segurança dos pacientes, a imunização ainda está em testes, mas já apresenta grandes benefícios para os voluntários. Produzida com adenovírus (vírus causador de doenças respiratórias) a imunização foi testada em 108 voluntários de idade entre 18 e 60 anos que de acordo com os testes iniciais produziram células capazes de combater o vírus da Covid-19, tornando-os imunes.

    Segundo o médico infectologista da Fundação de Medicina Tropical (FMT), Dr. Marcus Lacerda, a vacina para esse momento é uma esperança para atingir o controle da pandemia.

    “A boa notícia em relação ao desenvolvimento de uma imunização, é que o processo de elaboração para vacinas contra vírus é mais fácil que para bactérias por exemplo. E os pesquisadores brasileiros já possuem uma experiência com esse tipo de imunização uma vez que temos a vacina contra influenza que é refeita todos os anos devido a mutação do vírus, então nesse momento temos esperança de que uma vacina seria a fonte mais eficaz de conter a pandemia”, destacou.

    O pesquisador destacou ainda sobre a auto imunização das pessoas que já foram infectadas pelo vírus uma vez que ainda não há estudos que comprovem tal ação do organismo.

    “Nós não podemos afirmar se a pessoa que foi infectada no início da pandemia está imune ao vírus para sempre, pois o período para uma nova contaminação ainda é muito curto e não há identificações que essa pessoa não poderá ser infectada no ano que vem. Por isso, uma vacina seria extremamente importante nesse momento, faria com que boa parte da população estivesse imune ao vírus e caso fossem contaminados a produção de anticorpos seria maior”, explicou Lacerda. 

    Eficácia

    Segundo especialista, a vacina precisa passar por teste para quando veiculada não apresente riscos para as pessoas
    Segundo especialista, a vacina precisa passar por teste para quando veiculada não apresente riscos para as pessoas | Foto: Reprodução

    Elaborar uma vacina de combate ao vírus requer cautela, principalmente em casos extremos como o combate a uma pandemia em que muitas pessoas deverão ser imunizadas, o processo para que a população seja beneficiada é longo e tem um custo alto em todo o mundo. É como explica o diretor de Ensino e Pesquisa da Fundação de Medicina Tropical, Dr. Wuelton Monteiro.

    “Depois de uma fase em laboratório, em que a  futura vacina é formulada e testada in vitro, daí vem as fases dos ensaios clínicos. São três fases de estudos e na fase quarta a vacina está disponível para a população. Uma vacina só avança para a próxima fase se foi segura e eficaz na fase anterior. Assim, muitos estudos já são interrompidos logo no início”, afirmou. 

    De acordo com Monteiro as fases são:

    Fase 1: é o primeiro estudo a ser realizado em seres humanos e tem por objetivo principal demonstrar a segurança da vacina, ou seja, se a vacina não provoca muitos efeitos colaterais no indivíduo que toma.

    Fase 2: tem por objetivo estabelecer a sua imunogenicidade, ou seja, saber se a vacina de fato vai estimular o sistema imunológico.

    Fase 3: é a última fase de estudo antes da obtenção do registro sanitário e tem por objetivo demonstrar a sua eficácia, ou seja, se vai mesmo prevenir a doença. Somente após a finalização do estudo de fase III e obtenção do registro sanitário é que a nova vacina poderá ser disponibilizada para a população.

    Fase 4: Vacina disponibilizada para a população.

    Anticorpos

    Vacina é a forma mais eficaz de conter a pandemia, de acordo com especialistas
    Vacina é a forma mais eficaz de conter a pandemia, de acordo com especialistas | Foto: Reprodução

    Uma das características apresentadas pela vacina em desenvolvimento na China é a capacidade de que os indivíduos criem anticorpos que combatam o agente do vírus impedindo a infecção devido ao seu componente de origem.

    “A vacina fornece imunidade adquirida a uma doença em particular. Ou seja, uma vacina contém um agente infeccioso morto ou inativado, ou uma parte desse agente infeccioso, que é inoculado no organismo humano. Como o agente está morto ou inativado, ele não será capaz de causar a doença, mas ele estimulará o sistema imunológico a produzir anticorpos. Os anticorpos produzidos após a vacinação protegerão o organismo contra uma infecção futura, destruindo o microrganismo quando houver uma infecção verdadeira. Assim, as vacinas não servem para tratar a doença, mas para impedir que a doença surja. No caso da Covid-19, se os pesquisadores conseguirem fazer uma vacina com o vírus morto ou inativo, pode ser que quem receber essa vacina fique protegido de não contrair o vírus no futuro”, analisou Marcus.

    O infectologista ressaltou ainda que em poucos meses é possível que muitas vacinas já tenham avançado em sua fase, no entanto não é possível prevê se será antes ou após o término da pandemia. Caso a vacina seja distribuída a população após o término da pandemia, podemos ter uma vacina que proteja contra o retorno da doença no futuro evitando novas pandemias.

    Mutação

    O novo coronavírus tem grande capacidade de mutação, fazendo com a necessidade uma imunização seja ainda mais importante e em um prazo menor.

    “Se acharmos uma vacina para esse vírus será ótimo, pois podemos evitar novos casos, mas é importante destacar que o coronavírus sofre mutação como já sofreu anteriormente fazendo com que os cientistas tenham uma preocupação ainda maior que é imunizar a população contra esse vírus no mesmo período em que ele sofra a transformação ocasionando uma possível pandemia novamente”, finalizou Monteiro. 

    Vacina pode ficar pronta até final de 2020

    Uma vacina chinesa para o novo coronavírus, responsável pela Covid-19, pode estar disponível até o final deste ano, diz um relatório divulgado no dia 29 de maio na conta oficial da Comissão de Administração e Supervisão de Ativos da China publicada na rede social do país WeChat.

    O antídoto foi desenvolvido pelo Instituto de Produtos Biológicos de Pequim e pela National Biotec Group, uma corporação estatal do ramo de vacinas. Atualmente, foi concluída a fase dois (de três) dos testes e a união das duas empresas aponta que o antídoto pode estar pronto para distribuição no final de 2020 ou início de 2021. O comunicado aponta que a linha de produção do fármaco terá capacidade de produzir entre 100 milhões e 120 milhões de doses anualmente.

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