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    PANDEMIA


    Linha do tempo: o que já se sabe em seis meses da Covid-19

    Cientista que estuda o novo coronavírus faz uma linha do tempo sobre o que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre a doença que mudou o mundo

    | Foto: Divulgação

    Manaus - O planeta terra mudou para sempre no dia 8 de dezembro de 2019, quando um hospital de Wuhan, na China, recebeu os primeiros casos de uma  pneumonia desconhecida. Até então, o que se sabia era que boa parte dos doentes tinha alguma relação com um mercado de animais exóticos naquela cidade. Desde que a nova doença se espalhou pelo mundo,  iniciou-se uma corrida contra o vírus em busca de um remédio ou vacina comprovadamente eficaz e, também, pesquisas para descobrir sintomas e complicações. Em prazo recorde, a ciência encontrou boa parte dessas respostas, mas outras ainda seguem um total mistério. Saiba quais.

    Para guiar o que já se sabe sobre a Covid-19 em seus seis primeiros meses, o EM TEMPO entrevistou Wuelton Monteiro, pesquisador da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD). Ele desenvolveu, junto a uma equipe, estudos sobre o uso da cloroquina no tratamento de pacientes graves do coronavírus. 

    Monteiro faz parte da Acadêmia Brasileira de Ciências
    Monteiro faz parte da Acadêmia Brasileira de Ciências | Foto: Divulgação

     "Antes de falar sobre a cloroquina, precisamos lembrar o que é a doença. Hoje já sabemos razoavelmente bem o curso clínico da Covid-19. Trata-se de uma virose respiratória, que é transmitida de pessoa a pessoa muito facilmente. Tanto que em poucos meses a doença se propagou a partir da China para todo o mundo, levando aos danos que vemos hoje em todo o planeta", afirma o cientista.

    Monteiro diz que ao invadir o corpo pelas vias respiratórias, o vírus atinge o pulmão onde leva a um processo inflamatório, que pode ser muito intenso em alguns pacientes. A insuficiência respiratória é sua principal forma de complicação e pode levar ao óbito. 

    "Porém, a Covid-19, também, leva a outros efeitos sistêmicos, como alterações no sistema de coagulação sanguínea, com formação de trombos em diversas partes do corpo. Ainda estamos tentando entender o mecanismo de cada uma destas alterações, para planejar estratégias de tratamento mais eficazes", ressalta o pesquisador.

    Fonte: Ministério da Saúde
    Fonte: Ministério da Saúde | Foto: Waldick Junior/Em Tempo

    Tratamentos com remédios

    Desde que a Covid-19 surgiu, muitas foram as hipóteses e estudos sobre possíveis remédios para tratar a doença. O fármaco mais famoso foi a cloroquina, que ganhou publicidade gratuita na fala de líderes mundiais como Donald Trump e Jair Bolsonaro. Mas, em inúmeras pesquisas, o remédio se mostrou ineficaz.

    "Ao falar de remédios, ainda estamos em uma fase inicial. Medicamentos que apresentam eficácia in vitro contra o vírus não se mostraram promissores nos primeiros ensaios clínicos, como é o caso da cloroquina. Estudos com corticoides vêm mostrando benefício para pacientes graves, o que é um avanço", afirma o cientista. 

    Cloroquina foi inicialmente apontada como um remédio para a doença, mas estudos não comprovaram eficácia
    Cloroquina foi inicialmente apontada como um remédio para a doença, mas estudos não comprovaram eficácia | Foto: Agência Brasil

    Corticoides são anti-inflamatórios utilizados em problemas crônicos como asma, alergias, artrite reumatoide, dentre outros. Um tipo deles, o remédio dexametasona mostrou resultados positivos quando utilizado com pacientes graves da Covid-19.

    O EM TEMPO noticiou que pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, realizaram um estudo com a dexametasona e concluíram que o medicamento ajudou a reduzir a letalidade da Covid-19 em 2.100 pacientes com sintomas graves. Depois dos testes iniciais, o estudo agora aguarda revisão por parte de outros pesquisadores, bem como novos testes, mas a repercussão já é internacional. O fármaco já é considerado um dos principais avanços no combate à doença. 

    Vacinas

    Área mais promissora, o campo das vacinas têm chamado a atenção nos últimos dias. Isso porque uma empresa alemã de biotecnologia chamada BioNTech, em conjunto com a farmacêutica estadunidense Pfizer, apresentou uma vacina com resultados positivos em seus testes iniciais em humanos. 

    Segundo as empresas, o teste de vacina foi feito com duas doses do medicamento BNT162b1, desenvolvido por eles. Depois de utilizarem o remédio, 24 voluntários saudáveis desenvolveram anticorpos contra a Covid-19 após 28 dias. Apesar da resposta positiva, a criação da BioNTech ainda precisa passar por mais testes em humanos, principalmente em grande escala. 

    Novo coronavírus fez nascer uma corrida por vacinas
    Novo coronavírus fez nascer uma corrida por vacinas | Foto: Agência Brasil

    Além dela, há pelo menos outras 17 vacinas consideradas 'promissoras', e que já estão sendo testadas em humanos. Outros projetos são os da empresa Moderna (EUA), a da CanSino Biologics (China) e a da Inovio Pharmaceuticals (EUA).

     O cientista Wuelton Monteiro explica como funciona uma vacina, na prática. Segundo ele, ela é uma preparação farmacêutica que fornece imunidade adquirida para uma doença em particular.

    "Ou seja, uma vacina contém um agente infeccioso [vírus, por exemplo]  morto ou inativado, ou uma parte desse agente infeccioso, que é inserido no organismo humano. Como o agente está morto ou inativado, ele não será capaz de causar a doença, mas ele estimulará o sistema imunológico a produzir anticorpos. Os anticorpos produzidos após a vacinação protegerão o organismo contra uma infecção futura, destruindo o microrganismo quando houver uma infecção verdadeira", elucida o especialista.

     Ele comenta que as vacinas, até serem finalizadas, precisam passar por três estágios fundamentais na sua criação. Monteiro afirma que esses cuidados servem para verificar se a vacina é segura, e principalmente eficaz.

    Fonte: Wuelton Monteiro, cientista da FMT
    Fonte: Wuelton Monteiro, cientista da FMT | Foto: Waldick Junior/Em Tempo

    Perguntas ainda sem resposta

    Monteiro destaca ainda dois pontos que considera ser importantes a serem investigados. O primeiro deles é descobrir se quem contrai a Covid-19 se torna imune a ela para sempre ou se pode voltar a ter a doença em algum prazo posterior. 

    A segunda pergunta a ser respondida, de acordo com o cientista, é se uma vacina contra a Covid-19 poderá levar a uma imunidade duradoura, protegendo o indivíduo para o resto da vida, ou se também por apenas algum tempo. 

    Cientistas ainda buscam descobrir paciente zero da doença, ou seja, primeiro infectado
    Cientistas ainda buscam descobrir paciente zero da doença, ou seja, primeiro infectado | Foto: Agência Brasil

    Outra grande questão da qual se pensava ter resposta é onde surgiu a Covid-19. Os primeiros casos oficiais foram reportados em Wuhan, na China, em dezembro de 2019. No entanto, um novo estudo da Universidade Federal de Santa Catarina divulgado nesta quinta-feira (2) mostra que o novo coronavírus foi encontrado no esgoto de Florianópolis (SC) ainda em novembro do ano passado. Ou seja, antes dos casos no país chinês.

    Embora ainda não tenha sido revisado, o estudo já teve resultado divulgado e coloca em cheque o que já se sabe sobre como e onde surgiu a Covid-19. 

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