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    Eletrônicos


    Quarentena aumenta tempo de exposição de crianças em frente às telas

    Como limitar o tempo dos pequenos com os eletrônicos?

    | Foto: Reprodução

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    Manaus - Na era tecnológica, o castigo que muitos pais dão aos filhos é proibi-los de usar o celular. E o bom comportamento pode ser recompensado com uma horinha a mais no tablet. A fixação das crianças por dispositivos eletrônicos, tablets, smartphones, computador, videogame, não é novidade. No entanto, nos últimos meses, esse comportamento se agravou ainda mais. De acordo com um estudo indiano, cerca de 65% dos pequenos estão viciados em dispositivos e são incapazes de manter distância deles mesmo que por 30 minutos. 

    De acordo com uma pesquisa feita pelo Panorama Mobile Time-Opinion Box, que faz o balanço do consumo brasileiro de conteúdos e serviços, pelo menos 64% das crianças até três anos de idade têm acesso a celulares. Na faixa etária entre quatro a seis anos esse índice é ainda maior, cerca de 90%.

    A médica pediatra Isabela Cohen, membra da Sociedade Brasileira de Pediatria, fez uma lista com os problemas que podem ser causados pelo acesso prematuro aos aparelhos. “Exposição precoce, frequente e prolongada a telas está associada a dependência virtual, ansiedade, irritabilidade, depressão, déficit de atenção, de fala, transtorno do sono, transtorno alimentar, problemas visuais, problemas posturais, sedentarismo e entre outras consequências”, explica a pediatra.

    Além disso, as relações familiares também ficam afetadas, já que muitas crianças e adolescentes perdem oportunidades de experiências afetivas pelo uso constante de aparelhos eletrônicos. A criança acaba ficando alheia a tudo que ocorre ao seu redor. O uso também afeta as relações de amizade, que muitas vezes são deixadas de lado pela oportunidade de assistir a um vídeo no Youtube ou jogar algum jogo on-line.

    Pandemia e a necessidade do uso dos aparelhos

    A psicóloga e neuropsicóloga, especialista em atendimento a pais e ao público infanto-juvenil, Shyrllene Soares, falou como a pandemia mudou a realidade não só das crianças, como também dos pais, e a supervisão dos adultos sofreu uma mudança. Já que essa situação foi uma excepcionalidade, houveram alguns prejuízos como crianças que não conseguiram se concentrar ou aprender durante as aulas à distância. Mas conforme a volta à normalidade, é necessário ensinar aos filhos que tudo vai voltar ao normal, como era antes.

    A psicóloga Shyrllene Soares é especialista em atendimento a crianças e adolescentes e também aos pais
    A psicóloga Shyrllene Soares é especialista em atendimento a crianças e adolescentes e também aos pais | Foto: Divulgação

    ”Com certeza quando voltar à rotina normal, os pais vão ter um desafio ali para começar a voltar as coisas para o lugar. Mas levando em consideração que tava todo mundo uma pilha, aumentou a ansiedade nos pais, nas crianças. Isso gerou uma inadequação de rotina, uma alteração, mas agora que as coisas começam a voltar ao normal é conversar com os filhos e explicar que agora precisamos do ajuste de rotina de novo”, conta Shyrllene.

    Para Simone Pimentel, psicóloga escolar, o acompanhamento dos pais nessa fase é importante para que o método de ensino dê certo. “Tudo depende do manejo dos pais. Ajuda se a criança tiver um apoio regado de muita paciência para que ela consiga cumprir suas atividades escolares. As crianças aprendem melhor pelo método lúdico, dessa forma os pais e os professores conseguem a atenção das crianças. Já para os maiores a conversa e a dosagem é fundamental.  Sempre destacar que dá para conciliar sim lazer e estudo”, explica Simone.

    Dicas para controlar o uso dos aparelhos

    “Os pais ou responsáveis precisam a manter horários estabelecidos e não ceder no qual é fator importante. Entendemos que a pandemia deixou as pessoas mais ansiosas e principalmente as crianças por terem que permanecer dentro de casa, mas a orientação é que incentivem as mesmas a leitura de livros, desenhos, revistas ou brincadeiras, e o que torna o momento bem especial é quando os pais podem participar dessas brincadeiras”, explica Simone Pimentel.

    Outras dicas para tentar controlar o uso dos aparelhos são:

    - Alguns celulares possuem aplicativos próprios que permitem a monitoração do uso. Isso pode ajudar a controlar quantas horas as crianças gastam no aparelho;

    - Crie regras na casa como não permitir o uso de eletrônicos durante as refeições ou na hora de dormir;

    - Incentive jogos, atividades físicas e até introduzir a criança a responsabilidades dentro de casa, com os afazeres domésticos;

    - Crie uma relação de interatividade com seus filhos, converse, brinque.

    Segundo manual da Sociedade Brasileira de Pediatria, para menores de dois anos o ideal é evitar a exposição, inclusive de forma passiva como por exemplo, a mãe amamentando e mexendo no celular. Entre dois a cinco anos é recomendado o uso máximo de uma hora por dia, com supervisão dos pais ou responsáveis. De seis a dez anos de idade, seria entre uma a duas horas por dia, também com supervisão.  Para adolescentes entre onze e dezoito anos o ideal é de duas a três horas por dia. Acima disso, é recomendado que seja dispensado o uso de algum tipo de tela eletrônica durante as refeições e uma a duas horas antes de dormir.

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