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    Tratamento médico


    Treinamento de olfato pode combater um dos sintomas da Covid-19

    No treinamento olfatório, o paciente pode inalar o próprio produto ou essências com cheiros fortes como café ou menta

    Além de ser uma condição pós-infecciosa, a perda total ou parcial do sentido pode ser causada por outros fatores, como alguma obstrução nasal ou efeito colateral de medicamentos | Foto: Reprodução

    Manaus - Um dos sintomas da Covid-19 que acometeu muitos pacientes foi a perda do olfato, chamada de anosmia. Além de ser uma condição pós-infecciosa, a perda total ou parcial do sentido pode ser causada por outros fatores, como alguma obstrução nasal ou efeito colateral de medicamentos, conforme explica o otorrinolaringologista João Figueiredo.

    "Tem que fazer um diagnóstico diferencial. A principal causa da perda do olfato neste momento é a Covid-19, mas é importante fazer uma tomografia nos seios paranasais para avaliar outras patologias, inclusive um tumor. Muitas patologias têm como sintoma um tumor no nervo olfatório que tem que ser diagnosticado por meio de uma tomografia", afirma o especialista. Além disso, a perda do olfato não tem necessariamente uma ligação com o paladar, mas durante a pandemia a situação pode sim afetar o psicológico.

    De acordo com uma pesquisa publicada na revista eletrônica Current Opinion in Otolaryngology & Head and Neck Surgery, a terapia olfatória pode auxiliar no tratamento de pessoas que não têm outra opção a que recorrer, mas que muitos fatores para a obtenção de resultados ainda são desconhecidos como a duração ou quantidade ideais de odorantes. Pesquisadores da Universidade de Dresden, na Alemanha, afirmam ainda que o maior índice de resultados positivos foi observado em pacientes pós-infecciosos, como os pacientes da Covid-19.

    A alteração olfatória pode ser classificada em hiposmia, que é a diminuição da qualidade olfatória, a anosmia, caracterizada pela anulação do sentido olfativo, e a cacosmia, um distúrbio que altera os cheiros
    A alteração olfatória pode ser classificada em hiposmia, que é a diminuição da qualidade olfatória, a anosmia, caracterizada pela anulação do sentido olfativo, e a cacosmia, um distúrbio que altera os cheiros | Foto: Reprodução

    Tipos de perda de olfato e treinamento olfatório

    A alteração olfatória pode ser classificada em hiposmia, que é a diminuição da qualidade olfatória, a anosmia, caracterizada pela anulação do sentido olfativo e a cacosmia, um distúrbio que altera os cheiros. No treinamento olfatório o paciente pode utilizar o próprio produto ou essência de café, baunilha, cravo, menta, eucalipto, canela, e outros cheiros mais fortes. Deve sentir o cheiro por meio do nariz, não pela boca, por 10 segundos, conforme explica o doutor Paulo Mendes Júnior, otorrinolaringologista, em seu canal no YouTube.

    "Você vai sentir o aroma por 10 segundos e esperar mais 15 para passar para o próximo. É bem indicado para pessoas que têm sintomas recentes, dias, semanas e poucos meses, que vão realmente ver uma melhora nisso. Claro que não pode ter os nervos totalmente rompidos, por exemplo, um trauma, um acidente de carro, que caiu, bateu a cabeça e aconteceu alguma coisa muito grave", explica o médico, em vídeo.

    A psicóloga Natássia Santos, 35, foi contaminada pelo coronavírus em abril deste ano e, desde então perdeu a capacidade de sentir odores. Ela explica que era uma pessoa que cheirava tudo que ia comer e, no início, ficou com o emocional abalado por perder um dos sentidos. Depois do diagnóstico de anosmia, ela espera que seja realizado algum tratamento efetivo para a recuperação do olfato. 

    "Eu respiro normalmente, mas sinto como se tivesse uma barreira dentro, por trás do meu nariz que não passa o cheiro. Eu já esqueci comida no fogo duas vezes e não senti o cheiro, quando saí do quarto a cozinha estava só fumaça, se eu tivesse sentido o cheiro, teria percebido. Eu estava esperando melhorar com o tempo, porque era isso que os médicos diziam, que demorava, mas que ia voltar", relata. 

    A perda do olfato não tem, necessariamente, ligação com o paladar, como muitos pensam, mas durante a pandemia a situação pode sim afetar o psicológico
    A perda do olfato não tem, necessariamente, ligação com o paladar, como muitos pensam, mas durante a pandemia a situação pode sim afetar o psicológico | Foto: Reprodução

    Sensação estranha

    Em uma tentativa de voltar a sentir o cheiro das coisas, ela já realizou o treinamento do olfato, mas não obteve resultados promissores. Nos últimos dois meses, teve uma recuperação leve, em que passou a sentir alguns cheiros de forma distorcida. 

    "Eu já fiz algumas vezes [treinamento do olfato], o cheiro do café, por exemplo, eu cheiro no pote, aí o cheiro é longe, lá no fundo eu sinto. Se eu faço de novo, pela segunda ou terceira vez, já não sinto mais. Estou ponderando a agir com calma, mas o que os médicos dizem agora é para buscar tratamento o mais rápido possível. Ás vezes eu sinto um cheiro que não sei descrever, para várias coisas, um cheiro ruim", afirma a jovem. 

    Outra paciente da Covid-19 que perdeu a capacidade olfativa foi Jenifer Costa, 21. Ela conta que foi uma sensação muito estranha, que durou cerca de um mês de meio. "Foi muito estranho porque do nada você para de sentir todos os tipos de cheiros do seu dia a dia, um cheiro de tempero de comida ou até do cocô do seu cachorro. Parece que nada faz sentido, nada é como antes. Quando você perde o olfato assim, por onde tu anda não sente nada, é horrível", afirma.

    O treinamento pode ser feito em casa, mas caso não funcione e a pessoa perceba que a condição é recorrente, o ideal é procurar um especialista para o atendimento e tratamento. 

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