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    Luto


    Finados: psicóloga alerta sobre desafio de superar o luto na pandemia

    No Distrito Federal e em Manaus, por exemplo, a orientação dos cemitérios é para que as homenagens no feriado do Dia de Finados sejam feitas em casa

    Segundo a psicóloga, sentir medo da morte é natural e inerente à condição humana | Foto: divulgação

    Se a superação do luto já é difícil em situações consideradas normais, imagine neste momento de pandemia da Covid-19. Com a aproximação do Dia de Finados, celebrado no dia 2 de novembro, muitas famílias que perderam parentes por causa da doença terão que homenagear seus entes queridos de casa, sem as tradicionais visitas aos cemitérios. No Distrito Federal e em Manaus, por exemplo, a orientação dos cemitérios é para que as homenagens no feriado do Dia de Finados sejam feitas em casa. 

    De acordo com o Campo da Esperança Serviços Ltda., administrador dos seis cemitérios do DF, por mais que os campos sejam abertos, a possibilidade de haver aglomeração é grande, principalmente próximo aos portões. Segundo a Arquidiocese de Brasília, também não haverão as tradicionais missas presenciais nos cemitérios. Ou seja, não será possível se reunir com pessoas queridas da família para orações e recordações, o que para muitas pessoas pode gerar frustração. 

    Conforme recomendação do Ministério da Saúde, a realização de velórios é contraindicada devido ao alto risco de transmissão entre parentes e amigos, mas caso sejam realizados, devem ser feitos com urna fechada (em caso de Covid-19) e em ambiente ventilado, sem presença de pessoas do grupo de risco, que apresentem sintomas respiratórios, limitando-se o número de presentes a 10 pessoas.

    Segundo a psicóloga clínica formada pela Universidade de Brasília (UnB) e neuropsicóloga pelo Instituto de Psicologia Aplicada e Formação de Portugal (Ipaf) Juliana Gebrim, sentir medo da morte é natural e inerente à condição humana.

    “Sentir medo da morte é muito natural e precisa ser tratado de forma racional, porque é algo imprevisível - a gente não sabe como e quando vai acontecer. Mas é importante ter ciência que a morte é uma certeza para todos e que sentir esse medo é inerente à condição humana. Então, é muito natural sentir medo, especialmente porque todos nós temos vontade de aproveitar a vida ao máximo, de realizar projetos pessoais, de viver a vida plenamente. E esse medo acaba provocando sofrimento nas pessoas que têm receio de não realizar tudo o que planejaram e que gostariam de fazer”, explica. 

    Confira outras orientações da especialista.

    O medo da morte aflige muitas pessoas, especialmente na pandemia. Como lidar com a morte de uma forma saudável?

    Juliana Gebrim - Com a pandemia da Covid-19, aumentou muito o número de pessoas com medo de morrer devido à possibilidade de contrair o vírus. Além do medo de morrer, agora, as pessoas ainda estão preocupadas com a morte de entes queridos, amigos e pessoas do seu convívio próximo.

    Então, para lidar com essa nova realidade de uma forma saudável é preciso filtrar as informações que você recebe sobre o assunto, aproveitar o momento que você está vivendo atualmente e tentar controlar o seu medo para não senti-lo de maneira exacerbada. Isso porque o medo exacerbado pode provocar pânico, fobias ou isolamentos sociais. Então é natural ter medo, mas precisamos estar atentos a isso. O medo protege a gente dos perigos.

    Também recomendo que as pessoas procurem ajuda de um especialista, façam meditação, pratiquem exercícios físicos ou procurem realizar atividades que proporcionem um bem-estar emocional e evitem quadros de ansiedade e depressão.

    Neste período, algumas famílias perderam entes queridos por causa da Covid-19 e não puderam fazer o velório, como em outros tempos. Como lidar com essa perda e esse luto?

    Juliana Gebrim - O velório e o enterro representam muito, especialmente porque eles contribuem para o processo de adaptação e aceitação das pessoas para seguirem em frente sem aquele ente querido. Eles também são essenciais para minimizar a dor que as pessoas sentem no momento da perda.

    Nesse momento de pandemia, não poder realizá-los tem provocado muita angústia e sofrimento nas pessoas, mas, infelizmente, em tempos de pandemia é impossível não viver isso. Nesse sentido, minha orientação é para que as pessoas criem novas simbologias para viver esse luto, coloquem o luto dentro delas e fortaleçam a imagem dos momentos bons que viveram com aquela pessoa querida.

    Também considero de fundamental importância que procurem o apoio dos familiares tentando criar e manter uma rede de apoio entre eles, mesmo a distância, para que possam viver juntos esse momento. 

    Como podemos superar o medo da morte neste momento?

    Juliana Gebrim - Minha orientação é para que as pessoas continuem tomando as precauções necessárias para não contrair o vírus, manter o distanciamento social e cuidar da sua saúde. Tenha sempre em mente que a pandemia não acabou e faça a sua parte para não correr riscos de vida.

    Dessa forma não tem porque ter medo da morte nesta pandemia, mas se você não conseguir controlar esse medo, o ideal é procurar ajuda de um psicólogo. Logo, saiba que a morte é muito relativa ao que podemos fazer para cuidar da nossa saúde. 

    *Com informações da assessoria

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