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    Dezembro Vermelho


    Conheça os principais mitos sobre o vírus HIV

    Neste 'Dezembro Vermelho', especialista tira dúvidas sobre as infecções sexualmente transmissíveis (IST), dentre elas, o HIV

    Apesar de o HIV atingir o mundo há quatro décadas, ainda há muita desinformação sobre o assunto | Foto: (Arquivo/Agência Brasil)

    Manaus - Mais de quarenta anos após a epidemia global de HIV, o vírus ainda é repleto de boatos que já se provaram ser falsos há muito tempo, mas ainda circulam por aí. Tanta desinformação acaba por afastar as pessoas do tratamento, além de reforçar o preconceito com os indivíduos que vivem com HIV.

    Em meio a tantos mitos, não é difícil encontrar quem tenha se sentido muito confuso após ser infectado com o vírus. Apesar disso, o estudante de enfermagem Felipe Medeiros, 30, procurou se informar desde cedo, após ser diagnosticado com HIV.

    "Muitos se perguntam se vão morrer, como vão se relacionar com os outros ou viver com isso, mas meu caso foi diferente. Desde o início, eu assistia os vídeos do João Geraldo e do Gabriel Comichiolli, no YouTube. Além disso, encontrei suporte em um bate-papo no site Uol para pessoas vivendo com HIV. Assim fui me informando", conta ele.

     

    Felipe atua em projetos sociais que visam a população soropositiva
    Felipe atua em projetos sociais que visam a população soropositiva | Foto: Arquivo pessoal

    Para tentar mudar a realidade dessa enxurrada de mitos sobre a infecção, ele resolveu começar um projeto pessoal de informar a outros jovens sobre o HIV e Aids por meio de aplicativos de relacionamentos entre homens gays e bissexuais. O Em Tempo contou a história em uma reportagem

    "HIV é uma sentença de morte"

    Mesmo com todo o aparato da medicina e da ciência para o vírus, não é raro encontrar quem acredite, ainda hoje, que ser infectado é uma sentença de morte. Um dos 'motivos' para esse medo é que a Aids foi responsável por cerca de 35 milhões de mortes desde o seu descobrimento nos anos 70, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). 

    Apesar dos óbitos, hoje já existe tratamento eficaz para o HIV, feito gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ou na rede privada. 

    "Essa é a principal dúvida sobre o HIV. Muita gente acha que ainda se utiliza coquetéis com medicamentos tóxicos, mas hoje o tratamento é efetivo e cômodo, com remédios seguros e tolerados", explica Marcelo Cordeiro, médico infectologista do laboratório Sabin Medicina Diagnóstica. 

     

    Médico esclarece os principais mitos sobre o HIV
    Médico esclarece os principais mitos sobre o HIV | Foto: Divulgação


    "Peste gay"

    Acredite ou não, o HIV já foi chamado de 'peste gay', inclusive por grandes jornais, logo quando foi descoberta. O mito de que apenas homossexuais contraíram a doença também ajudou a disseminar desinformação que custou vidas. A verdade é que o vírus pode atingir tanto heterossexuais como homossexuais, bastando apenas a exposição em ambos os casos.

     

    Manchete do jornal Notícias Populares, em 1983
    Manchete do jornal Notícias Populares, em 1983 | Foto: Reprodução/Internet

    "No início da pandemia de HIV, os primeiros casos identificados foram em homens que praticavam sexo com outros homens, mas, ao passar dos anos, viu-se que a doença não era uma exclusividade dessa população. Pelo contrário, pode atingir qualquer um", esclarece o Dr. Cordeiro.

    "Não vou poder ter filhos"

    Outra dúvida recorrente em soropositivos é se há possibilidade de ter filhos, o que pode gerar muita angústia para os que tem sonho de constituir família. A boa notícia é que, sim, é possível. 

     

    A gravidez é possível mesmo com pais vivendo com HIV
    A gravidez é possível mesmo com pais vivendo com HIV | Foto: Arquivo/Agência Brasil

    Quem explica é a médica infectologista Keilla Freitas, em seu blog pessoal. De acordo com a profissional, basta que a gravidez seja planejada e muito bem acompanhada desde o seu início até o pós-parto. As opções vão depender de qual parceiro possui o HIV.

    Mulher com HIV e carga viral não suprimida:

    - auto-inseminação vaginal com esperma do parceiro durante o período peri-ovulatório;

    - Uso de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) peri-concepção pelo homem soronegativo;

    Homem portador do vírus com carga viral não suprimida: 

    - Uso de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) peri-concepção pela mulher soronegativa;

    - Relação sexual programada para o pico de fertilidade. Essa atitude acaba diminuindo a exposição ao risco;

    "A minha vida acabou"

    Embora se pareça com o primeiro mito, a ideia de que 'a vida acabou' carrega consigo outro pensamento. Parte dos recém diagnosticados soropositivos pode saber que o HIV não é uma sentença de morte, mas ainda assim têm medo de que não tenham mais uma 'vida normal', o que não é verdade. 

    Segundo o Dr. Marcelo Cordeiro, tudo vai depender da carga viral do indivíduo e se ele está no nível 'indetectável' em relação ao HIV. 

     

    Medicamentos podem ser utilizados para prevenir e tratar o vírus
    Medicamentos podem ser utilizados para prevenir e tratar o vírus | Foto: Arquivo/Agência Brasil

    "Após o resultado positivo para o vírus, já solicitamos de imediato um exame para determinar a carga viral naquela pessoa, o que vai identificar quanto do HIV está circulando pelo sangue", afirma o especialista.

    Este teste vai do resultado 'indetectável' até o de carga viral alta. Quanto mais perto do primeiro resultado, ou seja, com menos vírus no corpo, mais o indivíduo tem a possibilidade de viver uma vida próxima à realidade dos que não possuem o HIV. O estado indetectável é atingido com o tratamento próprio para a IST. 

    Foco na prevenção 

    Mesmo após ter em sua mente o que é mito em relação ao HIV, não esqueça de ter em mente que existem, hoje, diversas possibilidades de prevenir a infecção pelo vírus. Além disso, todas podem ser adquiridas gratuitamente na rede pública de saúde. 

    "Existe a profilaxia pré-exposição (Prep), que é um medicamento programado, utilizado para pessoas com alto risco de contrair HIV [como profissionais do sexo]. Além dela, tem a profilaxia pós-exposição (PeP), para os casos em que alguém foi exposto ao vírus nas últimas 72h", afirma o médico. 

    Tanto a PreP quanto a PeP são aplicadas via oral em forma de comprimido. Aliado a essas opções está também o preservativo, método clássico na prevenção ao HIV.

    "Apesar de um bom controle, de termos evoluído no tratamento, a infecção por HIV ainda é sem cura, mesmo com os avanços da ciência. As pessoas devem continuar com os cuidados preventivos, e os soropositivos com o tratamento médico rotineiro", lembra o infectologista.

    Caso queira obter mais informações, realizar um teste para o HIV ou verificar a possibilidade de adquirir a PreP, você pode entrar em contato com o telefone (92) 2127-3555, da Fundação de Medicina Tropical, em Manaus. 

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