Fonte: OpenWeather

    Cuidados


    Como o calor amazônico afeta a saúde da população

    Calor constante faz com aumentem anualmente os casos de insolação, hipertermia e doenças cardiovasculares

     

    Atividades ao ar livre, como trabalhos e até mesmo de lazer, estão se tornando mais desconfortáveis e até mesmo perigosas ao longo prazo
    Atividades ao ar livre, como trabalhos e até mesmo de lazer, estão se tornando mais desconfortáveis e até mesmo perigosas ao longo prazo | Foto: ARQUIVO EM TEMPO

    Manaus – Quem é manauara sabe bem qual é a sensação da cidade. Já é comum o mormaço, clima abafado e o calor até mesmo durante a noite. Mas para quem convive com a rotina do fenômeno térmico de quase 39º, existe algum efeito para além da saúde da pele?

    Um estudo feito, demonstrou que em 1988 nos Estados Unidos, foi registrado não apenas o ano de calor recorde, como também o aumento de violência. Assassinatos, estupros, assaltos à mão armada e agressões estavam ocorrendo comumente no país.

    O meteorologista Willy Hagi, relatou que estudos já demonstram que a temperatura pode influenciar na taxa de crimes, mas que o poder público não deve deixar de lado a pauta climática.

    “Já existem estudos científicos que mostram evidências de que o aumento da temperatura influencia o crescimento das taxas de crime e conflitos. No cenário atual de aquecimento global, é necessário que o poder público dê a devida atenção para a pauta climática. Podendo reduzir conflitos e melhorar o nível da saúde pública, mas Manaus ainda está muito distante de ser uma cidade resiliente ao clima e suas variações”, comentou.

    Na África do Sul, cientistas descobriram que, para cada grau de elevação da temperatura, há um aumento de 1,5% no número de assassinatos.

    Em Manaus, foram registrados 104 casos de crimes violentos entre agosto e setembro deste ano, no mesmo período no ano passado foram 176, conforme informações do Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp).

    Reações

    Com a chegada do “Verão Amazônico”, a população começa a sentir na pele o calor mais intenso, que inicia a partir de meados de agosto. Moradores aumentam o consumo de eletricidade, o trânsito fica maior, e o resultado disso pode desencadear no estresse.

    Hagi disse que o fenômeno das ilhas de calor pode contribuir com a maneira que a população lida com a rotina do dia a dia. A utilização de eletrodomésticos cresce na tentativa de amenizar o calor.

    “As Ilhas de Calor também causam efeitos danosos no comportamento socioeconômico da população. Atividades ao ar livre, como trabalhos e até mesmo de lazer, estão se tornando mais desconfortáveis e até mesmo perigosas. O uso de ar condicionado nos lares para aliviar o calor faz com que a conta de luz aumenta e acaba tomando uma fatia cada vez maior da renda mensal, o que reduz ainda mais a qualidade de vida dos mais pobres”, afirmou.

    Temperatura e doenças

    Conhecido “mosquito da dengue”, o aedes aegypti, chegou em terras brasileiras há mais de 70 anos, naquela época ele havia confinado em portos e grandes cidades. Apesar de ter sido erradicado, no final da década de 1960 o mosquito voltou novamente e pelo clima com alto calor e chuvas de verão o mosquito encontrou condições ideais para se manter.

    Atualmente, com a perspectiva de novos picos nos termômetros, a inquietação diante da pandemia da Covid-19 e o calor excessivo aumenta a preocupação de manauaras, que foi a primeira capital do estado a sofrer com a doença.  

    O pesquisador da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, afirmou que os efeitos do calor podem ter relação indireta, vindo a favorecer a proliferação de outras doenças.

    “Assim como o frio ou como as chuvas na Amazônia, o calor pode ter uma relação indireta, pois favorece a permanência de pessoas em ambientes refrigerados ou em ambientes de lazer como praias, igarapés, clubes. Por isso que o pico do período sazonal é lá por março/abril em Manaus”, comentou.

    Dezembro Laranja

    Todos os anos é lembrado no mês de setembro, que tem a campanha do câncer de pele, além da importância da prevenção e os riscos da exposição ao sol. Em 2020, os números de câncer de pele no Brasil foram preocupantes, a doença corresponde a 27% de tumores malignos no país, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). 

    O dermatologista Ilner de Souza  explicou que dependendo da exposição ao sol os riscos podem variar, podendo até mesmo resultar em manchas de pele ou o próprio câncer.

    "O calor pode provocar desidratação, com isso a pessoa pode ter complicações como queda da pressão e desmaios. Além da queimadura de primeiro grau, queimadura com formação de bolha, exposição demais ao sol pode ter danos como envelhecimento, o melasma e até o câncer da pele", comentou. 

    Cuidados para o calor excessivo

    Desde o fim dos anos 1970, a temperatura do mundo já aumentou mais de 1º C e permanece avançando em média de 0,2ºC por década, de acordo com o programa europeu Copernicus em relatório de 2020.

    Ilner disse que existem diversas maneiras de proteção ao calor que podem evitar problemas à exposição ao sol,  como uso de bonés e roupas com proteção UV.

    "A principal forma de proteção é o uso de filtros solares que devem ser usados diariamente, pelo menos três vezes ao dia. Além disso, utilização de roupas com proteção UV, chapéus, bonés e uso de óculos escuros. Tudo isso pode prevenir problemas futuros", contou.

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