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    Saúde


    Infecção urinária pode ser sinal de doença nos rins ou na bexiga

    Ela não tem hora para aparecer e pode se tornar recorrente. Afeta mais as mulheres, mas também atrapalha a vida dos homens. Saiba como evitar e controlar

    O tipo mais popular das infecções urinárias é a cistite, que atinge as redondezas da bexiga. | Foto: Reprodução

    MANAUS - As infecções do trato urinário são um problema extremamente comum, que pode afetar mulheres e homens, bebês e idosos, sem hora para ocorrer. Na maioria dos casos, é causada por micro-organismos que ficam nas fezes sem provocar doença, mas que, por alguma razão, entram no canal urinário. Além disso, também pode ser causada pela bactéria Escherichia coli, presente naturalmente no intestino e importante para a digestão, mas patogênica para o aparelho urinário.

    “Geralmente a causa da infecção urinária está relacionada a pouca ingestão de líquidos. A paciente não faz xixi e geralmente não consegue limpar a uretra, que fica pequeninha. Então cada bactéria fica ali naquela localidade acendendo”, explica o ginecologista e obstetra, Thiago Gester.

    Outro ponto alertado pelo médico que pode causar infecção é não fazer a higienização adequada após a relação sexual. “Higiene a região íntima local com sabonete adequado”.

    A recomendação de Gester para evitar a infecção urinária é beber muito líquido como suco, água, tomar banho após a relação sexual, evitar muito tempo com roupa apertada.

    Tipos

    O tipo mais popular das infecções urinárias é a cistite, que atinge as redondezas da bexiga. Ela tem um alvo preferencial: as mulheres. “Estudos mostram que, em geral, 10% delas terão um episódio ao ano”, conta José Trindade Filho, diretor do Departamento de Infecções da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Nas contas do médico, em 2021 cerca de 150 milhões de mulheres passarão pela experiência no mundo. Tem mais: estima-se que, ao longo da vida, pelo menos metade da população feminina terá uma infecção do gênero com sintomas.

    Infecções urinária no homem

    A infecção do trato urinário (ITU) e do aparelho reprodutor masculino pode acometer uma ou mais estruturas do sistema urinário, como os rins (pielonefrite), bexiga (cistite) e uretra (uretrite). No homem, pode acometer também a próstata (prostatite), testículos (orquites) e epidídimos (epididimites).

    Segundo dados da Sociedade Brasileira e Americana de Urologia, as infecções urinárias são consideradas as infecções bacterianas mais comuns no indivíduo adulto. Nos Estados Unidos (EUA), as infecções urinárias são responsáveis por aproximadamente dez milhões de consultas e um milhão de visitas emergenciais, resultando em mais de 100 mil hospitalizações/ano. Estima-se que 15% dos antibióticos prescritos nos EUA sejam apenas para o tratamento destas infecções, da quais mais de 90% são causadas por uma bactéria chamada Escherichia coli. Esta bactéria habita normalmente o intestino, mas quando contamina outras estruturas (órgão) pode desencadear sérios problemas.

    “Lembramos que os idosos têm um risco maior de desenvolver ITU, em razão de problemas neurológicos e anatômicos que interferem na dinâmica do esvaziamento vesical, como por exemplo o aumento da próstata, no homem, e o prolapso da bexiga, na mulher. Essas alterações podem resultar em um significativo resíduo pós-miccional e proliferação bacteriana, quando a urina for contaminada”, explica Dr. Marco Lipay), Titular em Urologia pela Sociedade Brasileira de Urologia.

    Estudos mostram que aproximadamente 50% das mulheres terão ao menos um episódio de ITU durante suas vidas, muito provavelmente por questões de higiene local, vida sexual, alteração da flora e do aumento do pH vaginal por infecções ginecológicas, somados ao uso do espermicida nonoxinol-9 (inclusive em preservativos). Isso ocorre porque a uretra (tubo que transporta a urina da bexiga para fora do corpo) nas mulheres é mais curta e está próxima do ânus e vagina, facilitando a contaminação da urina.

    Aproximadamente uma em três mulheres terá, no mínimo, um episódio de ITU com necessidade de tratamento medicamentoso até os 24 anos de idade. Deste universo, 15% desenvolverão infecções a cada ano e pelo menos 25% terão recidivas no mesmo ano. As ITU também podem acometer até 10% das gestantes, das quais aproximadamente 30% desenvolverão pielonefrite se não tratadas adequadamente.

    Fatores contribuem para o aparecimento de infecções urinárias, como:

    - Envelhecimento,

    - Diabetes mellitus,

    - Doenças imunossupressoras,

    - Doenças neurológicas,

    - Uso de medicamentos para controle de doenças autoimunes,

    - Menopausa na mulher,

    - Aumento da próstata no homem,

    - Alterações cognitivas,

    - Incontinência urinária,

    - Uso de absorventes íntimos,

    - Cateterismo vesical (sondagem),

    - Atividade sexual desprovida de preservativos,

    “Evitar a propagação da infecção é a medida mais importante a ser implementada e para isso deve-se iniciar o tratamento o mais rápido possível. A infecção pode se espalhar de estruturas anatômicas, como uretra e bexiga, para órgãos parenquimatosos como os rins, próstata, epidídimos e testículos, desenvolvendo uma infecção mais grave e, em alguns casos, evoluir para uma septicemia (estado infeccioso generalizado devido à presença de microrganismos patogênicos e suas toxinas na corrente sanguínea); e em outros, podem resultar no óbito”, explica o urologista.

    O Diagnóstico é realizado após uma consulta bem detalhada, somado a um exame físico e solicitação de alguns exames (laboratório e imagem), se necessário, como por exemplo: exames de sangue, urina simples, urocultura e ultrassom. Outros exames, como a Tomografia computadorizada e cistoscopia, serão solicitados em casos mais complicados, após avaliação do Urologista.

    O Tratamento é realizado com o uso de antibióticos específicos, prescritos pelo médico, usados por tempo determinado diante do quadro clínico apresentado somado aos resultados da urocultura, antibiograma e imagem.

    “É importante ressaltar que a interrupção precoce do tratamento, pela melhora clínica e não cura, pode levar a complicações graves com necessidade de hospitalização ou até desencadear resistência bacteriana, que vai dificultar a resolução de futuras infecções”, alerta.

    O que está por trás

    Algumas situações aumentam o risco de desenvolver a infecção.

    Veja só: Sou mulher: A infecção urinária é mais frequente nelas devido às características do trato urinário, que é mais curto e próximo do ânus. Assim, bactérias podem chegar mais fácil à bexiga.

    Estou grávida: Gestantes têm mais facilidade em contrair a doença por causa das mudanças na microbiota vaginal e do crescimento do útero, que comprime a bexiga e dificulta seu esvaziamento.

    Minha próstata inchou: A glândula masculina tende a se avolumar após os 50 anos. Isso dificulta a passagem da urina e propicia seu represamento na bexiga — caldo propício a infecções.

    Entrei na menopausa: O déficit de estrogênio que marca o climatério também interfere na microbiota e no pH da vagina, enfraquecendo as defesas naturais contra bactérias nocivas.

    Tenho pedra nos rins: Cálculos no aparelho urinário não só podem provocar cólicas e dores como causar lesões na parede do ureter e da bexiga, o que cria condições para micróbios se instalarem.

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